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Misto de modelo de negócios e filosofia de vida, o cooperativismo cresce no Brasil, com maior capilaridade das instituições e diversificação dos serviços. As cooperativas oferecem crédito para famílias e empresas, soluções tecnológicas e até um destino mais adequado para os resíduos. Fazem parte do dia a dia dos brasileiros.
Tudo começa quando pessoas se juntam em torno de um mesmo objetivo, em uma organização onde todos são donos do próprio negócio. Essas sociedades já somam 4,8 mil no país, segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), representando 18,8 milhões de cooperados.
Elas fazem parte de um movimento mundial que ganha força. No mundo, há 2,6 milhões de cooperativas em cem países, que reúnem 1 bilhão de pessoas, segundo estatísticas do setor.
Por aqui, a expansão no ramo financeiro é uma das mais visíveis. Em tempos de juros altos — a taxa básica, a Selic, está em 13,75% ao ano —, consumidores e empresas, especialmente as pequenas, encontraram nas cooperativas de crédito uma fonte de recursos com custo menor que o dos bancos convencionais.
Por não terem fins lucrativos, essas cooperativas cobram taxas mais baixas nos empréstimos. Não à toa, o crescimento de sua carteira de crédito nos últimos anos avançou num ritmo maior do que o do sistema financeiro como um todo.
Mais eficiência
A proximidade dos usuários também as favorece. As cooperativas de crédito já estão em 55% dos municípios. Há cinco anos, não estavam sequer em metade deles.
Para ganhar eficiência, nas cidades e no campo, as cooperativas vêm investindo fortemente em tecnologia. Num mundo digital, entenderam que precisam de inovação para continuarem a crescer. Sistemas integrados de gestão, escritórios na nuvem, plataformas para conectar produtores e fornecedores estão entre as novidades mais buscadas para fazer o negócio expandir.
Na área urbana, uma escolha recorrente tem sido a de desenvolvimento de aplicativos de transporte. Na zona rural, além de tecnologias que elevam produtividade, lojas virtuais facilitam as encomendas.
É assim que uma pequena cooperativa de Sergipe vai conseguir chegar aos EUA. A criação de um portal foi uma exigência para que seus produtos fossem exportados para o país. As primeiras sacas de farinha de mandioca serão embarcadas neste ano.
A rota da exportação tem sido cada vez mais trilhada pelas cooperativas . Elas representam só 2% do total embarcado em iniciativas apoiadas pela ApexBrasil, a agência de promoção de exportações. Mas quase dois terços dos produtos têm algum grau de processamento industrial, como a farinha de Sergipe.
A expansão das vendas externas traz divisas para o país e renda para os cooperados. As cooperativas não são apenas um modelo de negócios. São também instrumento de inclusão social, gerando renda para a população mais vulnerável.
É o caso dos catadores de lixo. Algumas cooperativas alcançaram tamanho nível de profissionalização que se transformaram em gestoras de resíduos, cobrando de clientes pela coleta e assegurando uma renda aos cooperados que é o dobro da média do segmento.
Mas avanços ainda são necessários, especialmente na legislação. A Lei de Falências não permite, por exemplo, que as cooperativas em dificuldades entrem em recuperação judicial, protegendo-se contra credores. Um projeto de lei para autorizar o acesso a esse instrumento legal tramita no Congresso. É uma das 40 propostas prioritárias na Casa que são defendidas pelo setor.




