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O cafeicultor Luis Carlos da Silva Gomes gosta de repetir que, na roça, nada acontece por acaso. Cada mudança, seja no manejo ou na forma de olhar para a lavoura, é fruto de persistência, aprendizado e troca com outros produtores. A rotina na Fazenda São Bento, em Santa Teresa, região serrana do Espírito Santo, foi evoluindo conforme ele aprofundava conhecimentos técnicos e adotava práticas que respondiam às novas demandas do mercado, cada vez mais atento à responsabilidade com solo, água e às pessoas envolvidas na produção.
Esse movimento individual encontrou eco no esforço coletivo que transforma o estado em referência em sustentabilidade cafeeira. O resultado dessa trajetória apareceu de forma incontestável na última edição da Semana Internacional do Café (SIC), de 05 a 07 de novembro, em Belo Horizonte, quando ele conquistou o terceiro lugar no “Coffee of the Year” (COY 2025), na categoria Canéfora, e viu sua filha, Carolinna Bridi Gomes, subir ao lugar mais alto do pódio.
A cena, marcada por forte simbolismo para a cafeicultura capixaba, sintetiza o momento vivido pelo estado espiritossantense. Um alinhamento entre tradição, inovação, políticas públicas e cooperativismo, que culminou no lançamento da marca “Sustainable Coffee – Espírito Santo – Brazil”, também durante o evento da capital mineira. A nova identidade, apresentada durante a SIC, reconhece formalmente o trabalho de produtores que há anos vêm ajustando técnicas, investindo em manejo mais consciente e adotando estratégias que elevam a qualidade dos cafés sem descuidar dos impactos sociais e ambientais.
A nova marca foi desenvolvida em uma parceria entre a Secretaria da Agricultura (Seag), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES) e a Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes). O lançamento aconteceu em um ambiente de grande destaque para o Espírito Santo. O estado chegou à SIC com 49 finalistas no Coffee of the Year, sendo 40 amostras de arábica e nove de canéfora- na final, os capixabas foram 11 das 15 primeiras posições. A expressiva participação confirma a diversidade produtiva e a força dos diferentes terroirs capixabas, do conilon de altitude ao arábica do Caparaó e das Montanhas.

Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o desempenho reitera um compromisso que o governo vem reforçando, o de associar definitivamente a imagem do Espírito Santo à qualidade e à sustentabilidade. “Nós queremos colocar a imagem do Espírito Santo vinculada à qualidade como condição sine qua non para estar no mercado”, afirma.
Segundo Bergoli, as políticas públicas têm contribuído de forma decisiva para essa consolidação. Atualmente, quase 6.000 propriedades recebem assistência técnica dentro dos critérios de sustentabilidade, e a meta é alcançar 35 mil propriedades até 2032, um esforço de larga escala que envolve planejamento, capacitação e acompanhamento contínuo. Esse trabalho engloba ações integradas entre a Seag, o Incaper, o Sebrae e, de forma central, as cooperativas de café.
O secretário define o lançamento da marca sustentável como um “marco histórico” para o setor. Ele ressalta que a chancela expressa décadas de construção.
“Produzir café com qualidade, inovação e sustentabilidade é algo que o Estado faz há décadas. A marca é um símbolo do nosso compromisso com o futuro, com o meio ambiente e com os produtores capixabas, que são referência nacional e internacional em práticas responsáveis.”
*Confira entrevista de pai e filha para John Adão (Conexão Safra) durante a SIC 2025!
Transformação estruturada
Na base dessa transformação, um dos motores mais importantes é o Projeto Cafeicultura Sustentável, conduzido por instituições estaduais. A iniciativa mobiliza 120 extensionistas, que atuam em todos os municípios capixabas avaliando propriedades a partir de 39 indicadores de sustentabilidade, distribuídos igualmente entre os eixos ambiental, social e econômico.
“A meta até 2027 é inserir pelo menos 8.070 propriedades no processo de adequação”, explica o coordenador Fabiano Tristão (Incaper).
O método é criterioso. Primeiro, o técnico visita a propriedade, aplica a avaliação e identifica onde o produtor está e o que precisa evoluir. Depois, trabalha lado a lado com ele para planejar mudanças, recomendar boas práticas e acompanhar resultados.
As orientações não se limitam ao campo individual. O projeto também investe em eventos coletivos, como dias de campo, cursos, palestras e atividades de troca de experiências, fortalecendo o espírito de comunidade entre os produtores. Esse acompanhamento tem sido essencial para difundir práticas de manejo de solo, preservação de recursos hídricos, controle de matas ciliares, uso correto de defensivos, destinação adequada de resíduos e outras medidas alinhadas às exigências do mercado.

Com o lançamento da marca “Sustainable Coffee – Espírito Santo – Brazil”, o Estado reconhece oficialmente essa trajetória. E com a união entre produtores, cooperativas, instituições e políticas públicas, consolida-se uma missão compartilhada: fazer do café capixaba não apenas um produto de excelência, mas um exemplo internacional de produção responsável, rentável, digna e sustentável
Embora a assistência técnica seja fundamental, o cooperativismo ocupa um papel estratégico para que essas práticas se tornem permanentes e rentáveis. Segundo Vinícius Schiavo, analista do Sistema OCB/ES, o cooperativismo é um dos pilares da marca “Sustainable Coffee”, justamente porque ajuda a tornar viável a adoção de práticas responsáveis. As cooperativas promovem certificações, garantem acesso a mercados, valorizam o produto e ampliam a representatividade da cadeia.
“Elas são agentes multiplicadores de boas práticas”, reforça Schiavo. No eixo ambiental, promovem capacitações, incentivam a preservação e o uso racional dos recursos. No social, fortalecem governança comunitária, inclusão de jovens e mulheres, e educação cooperativista. No econômico, ampliam o poder de negociação, facilitam acesso a crédito e promovem a comercialização coletiva.
Para o Sistema OCB/ES, o alinhamento entre cooperativas, Sebrae e Seag forma um tripé capaz de sustentar a projeção internacional do Espírito Santo como referência mundial em cafés sustentáveis. A sinergia entre essas instituições fortalece o ecossistema produtivo e amplia o impacto positivo das ações para os produtores, suas famílias e seus territórios. “Essa união estratégica entre as instituições consolida o estado como referência global em sustentabilidade cafeeira, fortalecendo o ecossistema cooperativista, ampliando os impactos sociais, ambientais e econômicos positivos e posicionando a cafeicultura capixaba como modelo de responsabilidade e inovação para o mundo”, conclui Schiavo.

O café que cresceu com responsabilidade
Um exemplo concreto desse impacto aparece na história do produtor José Carlos Velten, de Marechal Floriano, na região serrana. Cultivando arábica entre 940 e 1.000 metros de altitude, ele mantém uma produção média de 150 sacas por ano, das quais 40% são cafés especiais. As mudanças que adotou na propriedade — todas orientadas por princípios de sustentabilidade — incluem análise de solo para adubação precisa, plantio em curva de nível, roçadas mecanizadas, caixas secas, manejo adensado, uso correto de EPI, rastreabilidade lote a lote, tratamento de água residuária e adequações ambientais contínuas. O resultado foi uma gestão mais consciente, que ele define como a verdadeira virada de chave. “Entendi que a propriedade é uma empresa e que eu preciso produzir respeitando o meio ambiente, vivendo bem e tendo lucro”.

Excelência que abre caminhos
Na região do Caparaó, o produtor Emílio Messias Horst, de Iúna, também sente os efeitos diretos do movimento estadual. Com 42 anos dedicados ao café, e hoje com produção de arábica e conilon, ele afirma que fazer parte da marca “Sustainable Coffee” traz reconhecimento e visibilidade que alcançam mercados antes inalcançáveis. Seu trabalho, baseado em adubação por análise de solo, colheita seletiva, secagem em estufa e armazenamento em sacos de alta barreira, demonstra como as boas práticas constroem reputação e abrem oportunidades. “O impacto é enorme. Traz valorização do nosso trabalho e novas possibilidades de mercado e aprendizado”, diz.
Protagonismo
Se Marechal Floriano e o Caparaó são fortes em arábica, é no universo do conilon que o Espírito Santo reafirma sua liderança. De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional. O valor de produção do conilon representa 38% do PIB agrícola capixaba. Atualmente, existem cerca de 286 mil hectares plantados de conilon no Estado.
E é nesse cenário que a jornada de Luís Carlos e da filha Carolinna Bridi Gomes ganha protagonismo. A propriedade familiar trabalha com manejo técnico detalhado, que envolve escolha criteriosa de variedades, adubação baseada em análises de solo e folhas, colheita no ponto ideal e um pós-colheita altamente experimental.
“A fermentação controlada que desenvolvemos na fazenda tem sido fundamental para alcançar resultados superiores”, explica Carolinna. O trabalho inclui ainda processos via úmida, cafés cereja descascados, lavados, fermentados e secagem cuidadosamente monitorada.
A divisão de tarefas fortalece a gestão. Enquanto Luís Carlos lidera o campo, Camilla coordena o desenvolvimento do negócio e da marca, além de conduzir o reflorestamento e toda a etapa sensorial, além da torra. Para ela, a Fazenda São Bento é um elo afetivo com sua infância, quando passava férias entre as lavouras conduzidas pelos avós. Há cerca de dez anos, passou a integrar a gestão e trouxe uma abordagem mais integrada entre produção, pós-colheita, meio ambiente e inovação. “A principal contribuição foi unir as lavouras ao reflorestamento, buscando uma produção mais sustentável e resiliente às mudanças climáticas.”
O pai reconhece o papel das filhas e da esposa na evolução da propriedade.
“Elas me deram coragem para sair das margens e atravessar a ponte. A forma de produzir café mudou muito. Você tem que olhar à sua volta e ir além”, destaca.
Para ele, estar ao lado de Carolinna no pódio do COY foi a confirmação de que toda a aposta no conilon especial, antes vista como arriscada e incerta, se mostrou acertada. “A satisfação é imensurável. Lá no início, fiz por minha conta e risco. Hoje vemos que aquilo era um sonho realizável. Portanto, realizamos.” (*Com informações do Incaper)
Essas histórias demonstram que a sustentabilidade não apenas garante o futuro da cafeicultura capixaba. Ela é, também, um motor de transformação econômica, humana e territorial. É a força que permite ao Espírito Santo crescer combinando preservação ambiental, qualidade de produto e valorização das famílias produtoras

Cooperativismo reduz riscos e acelera inovação
A Nater Coop, cooperativa da qual Luís Carlos é associado, desempenha um papel decisivo nesse contexto da cafeicultura sustentável. Para o gerente do Negócio Café e Especiarias, Egídio Mattedi, a força do cooperativismo está justamente em reduzir os riscos individuais do produtor, tornando mais acessível e menos ameaçadora a adoção de práticas inovadoras e sustentáveis.
Ele explica que mudar uma técnica, introduzir um manejo de solo diferente ou investir em irrigação mais eficiente costuma exigir recursos, informação e confiança. Esse processo pode ser custoso, e, muitas vezes, assustador, para quem produz sozinho. “No campo, adotar algo novo custa dinheiro e dá medo de errar. Sozinho, o produtor assume 100% do risco. Aí entra a Nater Coop, nós dividimos esse risco”, afirma Mattedi.
Segundo o especialista, a cooperativa entra em cada etapa do processo, desde a orientação técnica até a comercialização. Um técnico especializado vai até a propriedade, faz contas junto com o produtor, apresenta alternativas, acompanha o manejo, entrega insumos, orienta decisões e garante que o café produzido tenha destino comercial seguro, inclusive no mercado internacional. Essa estrutura transforma conhecimento técnico em resultado econômico. E transforma a confiança, antes individual, em segurança coletiva. “Ninguém muda só porque ouviu falar. Muda porque viu o vizinho, que também é cooperado, tentar, acertar e ter resultado. A Nater Coop cria essa rede de confiança. É o ‘ver para crer’ funcionando.”

O ambiente cooperativista, onde o aprendizado flui entre propriedades, se revela decisivo no caso de produtores que atingem níveis de excelência como Luis Carlos e Carolinna Gomes. A família desenvolveu o próprio protocolo de fermentação controlada, investiu em análises precisas de solo e folhas, aprimorou o pós-colheita e consolidou uma gestão compartilhada entre pai, filhas e avós, mas encontrou, na cooperativa, o suporte que permitiu transformar a dedicação em reconhecimento. “O talento é todo deles”, ressalta Egídio Mattedi. “A Nater Coop entra como parceira que fornece insumos e consultoria técnica. Depois, cuidamos da armazenagem e da comercialização desse café para o mundo, através de nossas exportações.”
Além desse suporte direto, a cooperativa desenvolve os próprios mecanismos de estímulo à qualidade. O Prêmio Pio Corteletti, que chegará à 15ª edição, em dezembro, premia os melhores cafés entre os cooperados, incentivando a busca permanente por inovação e excelência. Esse tipo de iniciativa cria um ambiente de competição saudável, onde cada produtor se sente motivado a dar mais um passo na qualidade, sempre dentro dos parâmetros de sustentabilidade que a Nater Coop ajuda a difundir.
Quando o Estado tornou pública a marca “Sustainable Coffee – Espírito Santo – Brazil”, a Nater Coop já estava preparada. Mattedi explica que a chancela apenas reforça oficialmente aquilo que, na prática, há anos vem sendo construído em cada propriedade associada.
“Para nós, este selo vem oficializar um trabalho que já acontece na prática. O produtor será o maior beneficiado. Ele sabe que precisa cuidar da água e da terra para ter colheitas ano após ano. O nosso papel é ajudar ele a provar isso, orientando as boas práticas.”

E durante a SIC 2025, a Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul) confirmou a fama de “pé quente”. Apenas 30 dias antes do evento, Luis Carlos Gomes passou a fazer parte do quadro de cooperados. Vale ressaltar que a cooperativa acumula premiações em vários concursos nacionais. Na própria Semana Internacional do Café, faturou a premiação no “Golden Cup“, da Certificação Fairtrade, com a produtora Neuza Maria de Souza. Já a cooperada Maria José Rodrigues conquistou o terceiro lugar no concurso Florada Premiada, da Três Corações, na categoria Canéfora
A percepção de que o cooperativismo reduz riscos e amplia a capacidade de resposta dos produtores frente às exigências do mercado e às pressões ambientais também é reforçada por outras lideranças do setor. Um desses nomes é Carlos Renato Theodoro, presidente da Cafesul, sediada em Muqui, que este ano cumpre um papel histórico: representar mais de 200 mil cafeicultores da América Latina e do Caribe na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), iniciada no último dia 10 em Belém.
Theodoro participa da conferência como representante da Rede de Café da Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos(as) Produtores(as) e Trabalhadores(as) de Comércio Justo (Clac), entidade que reúne organizações certificadas Fairtrade em toda a região. A presença do capixaba reforça uma mensagem que a transição para uma cafeicultura sustentável não é opcional, mas um caminho inevitável para garantir a sobrevivência produtiva e econômica das famílias rurais.
Segundo ele, a agricultura vive um momento de profunda vulnerabilidade. “Nos últimos anos, enfrentamos eventos cada vez mais críticos, ora pela seca, ora pela chuva excessiva, e isso atinge diretamente o agricultor”, afirma. As consequências também chegam ao mercado, que reage de forma brusca. “No ano passado, vimos grandes oscilações nos preços por causa da seca severa no Brasil e no Vietnã.” Diante desse cenário, diz, não há espaço para produtores que não estejam investindo em mitigação e adaptação climática.
Theodoro ressalta que, desde 2008, a Cafesul trabalha com a certificação internacional Fairtrade, que exige o cumprimento de um conjunto abrangente de práticas de sustentabilidade ambiental, social e econômica. Essas normas orientaram, por exemplo, um projeto decisivo executado em 2015, durante a grande seca que atingiu o Espírito Santo, de recuperação de nascentes e construção de estruturas de retenção de água. Naquele ano, foram cercadas 40 nascentes e instaladas mais de 400 caixas secas em propriedades de cooperados. Ações simples, porém fundamentais para a resiliência hídrica da região.

Ele destaca que os pequenos agricultores são os que mais têm dificuldade de realizar esses investimentos sozinhos. Por isso, o cooperativismo se torna essencial. “A Cafesul consegue captar recursos por meio de projetos, e isso faz toda a diferença para o pequeno produtor cooperado”, afirma. Um dos instrumentos mais importantes é o Fundo de Resiliência Climática da Clac, que financia iniciativas de mitigação, adaptação e capacitação técnica.
“Os treinamentos ajudam a criar no produtor uma mentalidade de conservação e preservação, mostrando que aquilo vai refletir diretamente na produção de café no futuro.”
A busca por parcerias também tem ampliado o alcance das ações. Theodoro cita como exemplo recente o programa “Café Produtor de Água”, desenvolvido em conjunto com outras duas cooperativas capixabas, Nater Coop e Cooabriel, além do Conselho Nacional do Café (CNC) e do Governo do Espírito Santo, este último por meio do programa Reflorestar. O projeto envolve intervenções em bacias hidrográficas, construção de barraginhas e caixas secas, beneficiando um grande número de cafeicultores no interior capixaba.
O presidente da cooperativa ressalta ainda que o Espírito Santo tem se destacado nacionalmente por investir de forma consistente em sustentabilidade e adaptação climática. “Vivemos um momento em que não é mais possível negar as mudanças climáticas. A natureza mostra, ano após ano, que estamos enfrentando eventos cada vez mais críticos, e isso atinge tanto o campo quanto as cidades.” Para Theodoro, a participação na COP30 é uma oportunidade de reforçar, em escala global, a urgência de políticas e parcerias que garantam resiliência às famílias que produzem café.





