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A colheita do café já começou em várias regiões produtoras do Brasil e deve se estender no próximo mês. De acordo com o Giro Agroclima, do Climatempo, o avanço costuma ocorrer primeiro nas áreas de conilon, como Espírito Santo, Rondônia e Bahia. Depois, a colheita do arábica se intensifica em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia.
O clima será decisivo nesta fase. O tempo mais seco ajuda no avanço das máquinas, no transporte e, principalmente, na secagem dos grãos. Essas condições reduzem o risco de fermentação indesejada e contribuem para preservar a qualidade do café.
Por outro lado, a chuva durante a colheita pode atrasar as operações, aumentar a umidade dos frutos, dificultar a secagem e favorecer perdas de qualidade. Segundo o Climatempo, a expectativa de um inverno mais úmido acende alerta para regiões produtoras como Alta Mogiana, interior paulista, sul de Minas e Zona da Mata Mineira, que podem ser impactadas pelo excesso de umidade.
Além da colheita atual, os produtores também precisam acompanhar os sinais para o próximo ciclo. A umidade do solo, as temperaturas e as primeiras chuvas terão influência direta sobre a próxima florada, etapa fundamental para a formação da safra seguinte.
Vale destacar a importância do manejo das plantas daninhas durante a safra. Elas competem com o cafezal por água, nutrientes e energia, justamente em momentos decisivos para a produtividade.
Outro ponto de atenção é o avanço do El Niño. Segundo o Climatempo, o fenômeno deve impactar o inverno no Brasil, principalmente no Centro-Sul, com aumento da umidade. A previsão indica temperaturas com oscilações, mas sem frio tão rigoroso neste ano, o que reduz parte do risco de geadas em áreas cafeeiras do Sudeste.
Nas áreas mais ao norte, no entanto, a tendência é de redução das chuvas, com precipitações mais espaçadas. Esse cenário aumenta o risco de estiagem e de ondas de calor, especialmente entre o fim do inverno e o início da primavera no Hemisfério Sul.
No Espírito Santo, a preocupação dos cafeicultores está ligada principalmente à irregularidade das chuvas e ao aumento das temperaturas. De acordo com o Climatempo, esses fatores podem impactar na florada. O produtor deve acompanhar a disponibilidade de água, a necessidade de irrigação, o manejo do solo e o estresse térmico das lavouras.
A primavera, período em que as chuvas costumam se intensificar gradualmente no estado, também exigirá monitoramento. Em anos de El Niño, esse retorno das chuvas pode ocorrer de forma mais irregular. O Climatempo ressalta que isso não significa uma repetição de 2023, quando houve forte irregularidade, mas reforça que o ponto central será a distribuição das primeiras precipitações.
Para o café, não basta chover uma única vez. Após a abertura das flores, a lavoura precisa de uma sequência de umidade. Quando chove, a florada ocorre e, em seguida, vem um veranico, aumenta o risco de abortamento floral e de pegamento irregular.
O alerta para a safra permanece focando na qualidade dos grãos nas áreas com mais chuva durante a colheita e nos impactos do El Niño sobre o comportamento das chuvas na primavera, especialmente no Espírito Santo.





