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Todos os anos, na época da florada, as flores de café pintam de branco o chão das lavouras e acabam desperdiçadas. Essa realidade pode mudar. Pesquisa pioneira no mundo, que saiu recentemente na revista científica Foods, importante publicação internacional na área de alimentos agrícola, aponta o potencial das flores do café conilon para produção de chás.
O estudo, desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade do Porto, em Portugal, foi realizado com seis genótipos de canephora produzidos em Nova Venécia, no Norte do Espírito Santo. São eles: Verdim R, B01, Bicudo, Alecrim, 700, CH1.
A ideia do estudo surgiu graças a uma inquietação do pesquisador e professor da Ufes, Campus São Mateus, Fábio Partelli. “Quando falamos de café, a gente só pensa no grão. Mas todo mundo admira a flor do café, o seu cheiro. Comecei me indagar se não seria possível fazer chá com essas flores e assim surgiu a proposta de desenvolver essa análise”, conta Partelli.
O objetivo do estudo foi investigar e caracterizar os principais compostos bioativos e os perfis sensoriais das flores de conilon e as suas infusões. As flores apresentaram teores variáveis e substâncias oxidantes, cafeína e trigonelina, presente também no grão do café, que foram, em sua maioria, extraídos quando entraram em contato com a água quente.
“Esses dados sugerem grande potencial para fazer produtos de valor agregado com prováveis benefícios à saúde, como o chá”, explica o pesquisador.

O estudo apontou também atributos sensoriais floral, jasmim e flor de laranjeira, herbal, café verde, amadeirado e doce para fragrância, aroma e sabor. Partelli explica que os estudos continuam.
“Essa foi uma primeira pesquisa, um trabalho pioneiro, que não por acaso foi publicado em uma excelente revista científica, e apontou o potencial da flor do café para fazer chá. Sabemos que daqui para a produção é um longo e demorado caminho, mas é um nicho de mercado, mais um subproduto proveniente do café, com potencial de se tornar mais uma renda para o cafeicultor”, salienta.
O trabalho teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e da Fundação de Amparo à Investigação do Rio de Janeiro (Faperj).
Mercado promissor
O chá é a segunda bebida mais consumida no mundo, perde apenas para o café. Pesquisa da Euromonitor International, empresa que analisa os hábitos dos consumidores, divulgada em 2024, mostra que o consumo de chá e infusões no Brasil cresceu 25% entre 2013 e 2020, quase o dobro da média mundial de 13%, comprovando o vasto interesse dos brasileiros pela bebida e um mercado promissor.





