Sustentabilidade no campo

Nova regulamentação fortalece projeto ''Café Produtor de Água''

Nova regulamentação federal de Pagamento por Serviços Ambientais fortalece iniciativas que reconhecem produtores rurais pela preservação da água, do solo e das nascentes

Foto: divulgação

O projeto “Café Produtor de Água” foi um dos destaques do II Encontro do Programa Produtor de Água, realizado em Brasília entre os dias 9 e 11 de junho, em celebração aos 25 anos da iniciativa da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O evento, que reuniu especialistas para debater resiliência climática, foi palco para o Conselho Nacional do Café (CNC) discutir avanços e planos de expansão dessa iniciativa, que une a preservação de recursos hídricos à produtividade cafeeira.

A pauta ganhou ainda mais relevância com a publicação do Decreto nº 13.018, de 11 de junho de 2026, que regulamenta a Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais e institui o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais (PFPSA).

Para o CNC, que junto às cooperativas e parceiros, há cinco anos lidera o projeto “Café Produtor de Água”, focado em conservação de solo, revitalização de matas ciliares e estradas ecológicas, o decreto é um marco decisivo. Segundo o consultor do CNC, Devanir Garcia dos Santos, a medida traz a segurança necessária para escalar ações que hoje dependem majoritariamente de recursos privados. “A execução do PFPSA permitirá o fortalecimento de programas de PSA já existentes, criando parcerias sinérgicas capazes de acelerar a recuperação ambiental das propriedades cafeeiras e consolidar a produção sustentável como um pilar de renda e proteção”, avalia ele.

Durante o evento, a engenheira agrônoma e assessora técnica do CNC, Luiza Kreimeier, reforçou que o sucesso da conservação hídrica depende diretamente do engajamento do produtor rural. “O futuro da segurança hídrica será construído dentro das propriedades rurais. Precisamos falar a linguagem do produtor, de forma que a conservação responda aos desafios que ele enfrenta: seca, erosão e produtividade”, pontuou. Sobre o novo decreto, a assessora destaca que a regulamentação é fundamental para que boas práticas, já testadas com sucesso no campo, ganhem alcance nacional com o devido reconhecimento financeiro ao produtor pelo serviço ambiental prestado.

O “Programa Café Produtor de Água” teve seu piloto em 2021, em Alpinópolis (MG), via Cooxupé, e hoje já está presente em Monte Carmelo e Varginha (MG), além de iniciar uma expansão estratégica no Espírito Santo, em parceria com o Programa “Reflorestar” e cooperativas locais. O CNC parabenizou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática pela iniciativa e reforçou que a entidade segue à disposição para contribuir para o sucesso do programa federal, consolidando a cafeicultura brasileira como protagonista na preservação hídrica.