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Abril sempre teve cheiro de reencontro no agro capixaba. Era o mês em que as agendas se ajustavam, estradas se enchiam e o sul do Espírito Santo virava ponto de convergência de quem vive, pensa e constrói o campo. No início de cada abril, havia um compromisso quase sagrado: a Exposul Rural, em Cachoeiro de Itapemirim.
Mais do que uma feira, a Exposul Rural foi um fenômeno. Um daqueles eventos difíceis de rotular, e talvez aí estivesse parte do seu encanto. Era exposição, era festa, era vitrine de negócios, era palco de conhecimento. Um mosaico vibrante que reunia produtores, técnicos, empresas, famílias inteiras e curiosos vindos não só do Espírito Santo, mas também do norte do Rio de Janeiro e da Zona da Mata mineira. Todos em busca de algo que o evento sempre entregou com generosidade: inovação, troca e pertencimento.

















Havia desafios, muitos. Um espaço imenso, uma programação ambiciosa e aquela sensação constante de que tudo estava acontecendo ao mesmo tempo, e, às vezes, sendo finalizado ao mesmo tempo também. Do lado de fora, o trânsito travado denunciava o sucesso. Do lado de dentro, o “caos criativo” era quase uma assinatura. Era gente correndo, estrutura sendo ajustada, comunicação visual ganhando forma enquanto o público já ocupava os corredores. E, no meio disso tudo, uma engrenagem humana que fazia acontecer.
Nomes, rostos e histórias que hoje fazem parte da memória afetiva de quem viveu aquilo intensamente. A correria incansável de quem organizava, a ousadia de quem apostava, a entrega de quem acreditava que o agro também precisa de palco, de voz e de conexão. Foi nesse ambiente pulsante que muitos profissionais se reinventaram, inclusive quem sempre preferiu os bastidores e, de repente, se viu diante de um público gigante, conduzindo um evento do tamanho da Exposul Rural. E deu certo.
Porque ali, no improviso bem-intencionado, na energia coletiva, tudo acabava encontrando seu lugar.
A feira também foi berço de movimentos importantes. Foi ali que iniciativas ganharam corpo, como o protagonismo feminino no agro capixaba, com encontros marcantes que reuniram centenas de mulheres e ajudaram a consolidar uma agenda que hoje é permanente e crescente. Foi ali que o conhecimento técnico encontrou linguagem acessível, que negócios foram fechados, que ideias germinaram.
E quando o mundo parou, a Exposul Rural não deixou de existir, ela se transformou. Em plena pandemia, rompeu barreiras físicas e apostou no digital, promovendo uma maratona de conteúdo que conectou pessoas de diferentes países por mais de dez horas. Uma ousadia que traduziu bem o espírito do evento: inquieto, resiliente e inovador.
A Exposul Rural deixou saudade, e não é pouca. Deixou um vazio em abril, mas também um legado robusto. Mostrou que o agro capixaba tem força, tem público, tem sede de conhecimento e capacidade de mobilização. Mostrou que eventos desse porte não são apenas vitrines comerciais: são catalisadores de desenvolvimento regional, fortalecem cadeias produtivas, aproximam o campo da cidade e ajudam a construir identidade.
Hoje, quando abril se aproxima e o calendário já não traz mais aquele compromisso, fica a nostalgia, mas, sobretudo, o reconhecimento. A Exposul Rural foi um capítulo importante da história do agronegócio do Espírito Santo. E como todo capítulo marcante, continua ecoando.
Porque os eventos passam. Mas o que eles constroem, em pessoas, em ideias e em caminhos, permanece.




