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A escolha da cultivar é o primeiro grande passo para o sucesso da lavoura. Conheça os critérios, os desafios e os acertos que fazem a diferença entre o risco e a produtividade na cafeicultura moderna.
“Eu sou um homem de estrada.” Assim começa minha história. Já percorri milhares de quilômetros entre as regiões cafeeiras do Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Rondônia. E se tem algo que aprendi nesse caminho, é que uma lavoura de sucesso começa com uma escolha certa — a escolha da cultivar.
Cultivar é direção. Quem planta o que tem, colhe o que vier. Mas quem escolhe com critério, acerta o alvo: produtividade, resistência, qualidade e mercado.
Plantar com propósito: por que a escolha da cultivar é estratégica
Na prática, a cultivar define o potencial da lavoura diante das condições de solo, clima, manejo e objetivos comerciais. Uma escolha bem feita significa mais do que produtividade: representa longevidade da lavoura, redução de perdas com pragas e doenças, e melhor aproveitamento da irrigação e da mão de obra.
Por outro lado, um erro custa caro. É o custo invisível de quem planta sem critério. A lavoura não prospera, os tratos culturais aumentam, o desânimo chega — e o prejuízo também.
Quais são os “alvos” que o produtor precisa acertar?
Escolher uma cultivar exige visão técnica e estratégica. Os principais pontos a considerar são:
– Solo e clima: altitude, temperatura média, fotoperíodo, tipo de solo e histórico da área.
– Manejo disponível: irrigação, adubação, mão de obra e capacidade de investimento.
– Mercado: café especial, commodity, produção para indústria ou exportação.
– Sustentabilidade: longevidade da lavoura e adequação a sistemas regenerativos ou orgânicos.
– Mecanização: cultivares adaptadas à colheita mecanizada, com arquitetura favorável, reduzem custos e aumentam a eficiência.
Casos que inspiram: o Arara nas Montanhas e o Recorde no Conilon.
No Viveiro Terra Viva, os aprendizados vêm do campo. Um exemplo é o sucesso da cultivar Arara nas Montanhas Capixabas, em altitudes acima de 900 metros.
O produtor Waiank Delpupo, por exemplo, começou testando algumas plantas da cultivar. Após ver os ótimos resultados, decidiu expandir. Este ano, ele e sua família estão colhendo uma safra que os enche de orgulho.
Outro destaque é o produtor Marcelo Fraisleben Jr., que escolheu cuidadosamente seus clones de Conilon. Com apoio técnico e uso de tecnologia em campo, alcançou resultados expressivos — próximos a 200 sacas por hectare. Marcelo e Waiank compraram nossas mudas que oferecem origem certificada de sementes e estacas clonais oriundas de jardins clonais sadios. Essa decisão foi um divisor de águas para a produtividade de suas lavouras.
Como fazer uma boa escolha?
Costumo resumir em quatro passos:
Avalie o banco genético regional. Priorize materiais validados por instituições como Procafé, Incaper, Embrapa e universidades.
Comece pequeno. Faça testes em áreas controladas antes de ampliar.
Escolha viveiros certificados. Exija rastreabilidade, sanidade e orientação técnica.
Converse com quem já plantou. Mas analise com senso crítico e adapte à sua realidade.
Encerramento: mirar o futuro com segurança
Escolher a cultivar é decidir o futuro da lavoura pelos próximos 10, 15 anos. Não dá pra escolher no chute. Estude, ouça quem sabe, experimente — e mire no alvo. Porque na cafeicultura, quem escolhe bem, colhe com direção.



