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Agro: inovação, sustentabilidade e inclusão produtiva

O agronegócio brasileiro é mais do que um setor econômico — é um motor que impulsiona o país rumo ao futuro. Responsável por milhões de empregos, pela segurança alimentar e pelo desenvolvimento regional, o agro se reinventa diante dos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, os avanços tecnológicos e as persistentes desigualdades sociais. Nesse cenário, […]

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O agronegócio brasileiro é mais do que um setor econômico — é um motor que impulsiona o país rumo ao futuro. Responsável por milhões de empregos, pela segurança alimentar e pelo desenvolvimento regional, o agro se reinventa diante dos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, os avanços tecnológicos e as persistentes desigualdades sociais. Nesse cenário, as políticas públicas assumem papel estratégico, promovendo uma transformação rural que alia produtividade, justiça social e respeito ao meio ambiente.

O Brasil ocupa posição de destaque no cenário internacional, sendo referência na produção e exportação de soja, milho, carnes, café e frutas. No entanto, é na agricultura familiar que reside grande parte dos alimentos consumidos internamente, revelando a força dos pequenos produtores na construção da soberania alimentar. A bioeconomia e a agricultura digital avançam com velocidade, conectando ciência e campo, e abrindo novas fronteiras para um agro mais inteligente, sustentável e inclusivo.

Diversas iniciativas públicas têm gerado impacto real no campo. O Plano Safra e o crédito rural subsidiado oferecem suporte financeiro aos produtores. Programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) garantem acesso a mercados institucionais, fortalecendo a produção local. A assistência técnica e a extensão rural ampliam o conhecimento e promovem práticas sustentáveis, enquanto o apoio à transição agroecológica estimula uma nova relação com a terra e com o meio ambiente.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. Reduzir as desigualdades no campo, incluir jovens, mulheres e comunidades tradicionais, adaptar-se às mudanças climáticas e fortalecer políticas públicas locais são passos essenciais para construir um agro mais justo. A inclusão produtiva não é apenas uma meta — é uma estratégia que transforma vidas, territórios e gerações.

Nesse contexto, o Espírito Santo se destaca como uma referência nacional em inovação agropecuária. Pequeno em território, mas gigante em soluções, o estado alia ciência, tradição e inclusão produtiva em políticas públicas pioneiras que inspiram outras regiões do país. Casos de sucesso reconhecidos em fóruns e congressos mostram que é possível produzir com propósito, impacto e justiça.

O agro capixaba brilha pela diversidade e qualidade de sua produção. O café conilon, a pimenta-do-reino, o mamão e os hortifrutigranjeiros são exemplos de culturas que se desenvolvem com forte presença da agricultura familiar e com respeito ao meio ambiente. O uso consciente do solo e a preservação ambiental refletem o compromisso com a sustentabilidade.

A inovação é um dos pilares dessa transformação. Parcerias entre instituições como Incaper, IFES, UFES, Embrapa, instituições particulares de ensino e pesquisa e o setor produtivo geram tecnologias adaptadas à realidade local.

Projetos de pesquisa e difusão de práticas sustentáveis tornam a ciência acessível e transformadora, fortalecendo a identidade capixaba no campo.

A sustentabilidade também se manifesta em programas como o Reflorestar, no uso de bioinsumos, nos sistemas agroflorestais e no manejo consciente dos recursos naturais. A educação ambiental rural valoriza os saberes locais e fortalece a consciência ecológica entre produtores e comunidades.

A inclusão produtiva é uma marca do agro capixaba. Mulheres lideram produções rurais, jovens participam de programas de capacitação e sucessão familiar, e projetos de empreendedorismo e cooperativismo geram renda, autonomia e esperança. A gestão pública, alinhada às necessidades do campo, oferece apoio técnico, crédito rural, compras públicas e assistência constante, integrando secretarias e promovendo uma produção com propósito.

Histórias reais mostram o impacto dessa transformação: uma produtora de pimenta que se tornou referência nacional, um jovem do interior que criou uma startup rural com apoio do IFES, e uma comunidade que aumentou sua renda com agroecologia e capacitação. Esses exemplos revelam que o agro é feito de pessoas, sonhos e conquistas.

No entanto, o setor enfrenta ameaças externas. A recente imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump afeta diretamente itens como café, carne bovina e pescados — pilares das exportações brasileiras e capixabas. Estima-se que o Brasil possa perder até US$ 5,8 bilhões em vendas para os EUA, terceiro maior parceiro comercial do agro nacional. Para proteger os exportadores, é urgente diversificar mercados, fortalecer acordos comerciais com outros países e ampliar incentivos à inovação e à agregação de valor nos produtos brasileiros.

Além disso, é fundamental reafirmar que o agronegócio não pode ser construído sobre desmatamentos ilegais nem sobre a exclusão das pessoas que vivem e trabalham no campo. A produção deve respeitar os limites do planeta, os direitos das comunidades e os princípios da justiça social.

A união entre governo, pesquisa, sociedade e produtores cria soluções com impacto regional e potencial de escalabilidade nacional. O futuro do agro capixaba aponta para a digitalização, a agricultura 4.0 acessível, o incentivo à bioeconomia e às cadeias de valor sustentáveis, além da formação contínua de novos líderes rurais.

Há uma certeza  na atualidade, de que o agro brasileiro — e especialmente o capixaba — está pronto para os desafios do século XXI. No qual, a inclusão social e produtiva, a sustentabilidade e a inovação são: as ferramentas, a linguagem e a esperança na construção de um futuro cada vez mais importante e promissor do Agronegócio e do Brasil.

A produtividade no agronegócio é o resultado da união entre tradição e inovação, responsabilidade social, proteção ambiental e inovação tecnológica. Investir no agronegócio é acreditar na prosperidade das futuras gerações e de um país melhor, mais justo, fraterno e sustentável. Que cada semente plantada seja também uma ideia cultivada com amor, respeito e união.

Luiz Fernando Schettino
Engenheiro Florestal, Mestre e Doutor em Ciência Florestal, Advogado, Escritor e ex-Secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos

Luiz Fernando Schettino. Foto: divulgação