Mulheres são 14% dos produtores rurais ocupados no ES

O Incaper conta com 158 mulheres no quadro de servidores, o que corresponde a 28% do total. No Instituto, 25 mulheres ocupam cargos de chefia, o que equivale a 20% dos cargos disponíveis no Instituto.(Fotos: *Divulgação Incaper)


As mulheres do agro são 13,6% dos 357.258 produtores ocupados no Espírito Santo. Os resultados definitivos do Censo Agropecuário 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam ainda que 86,3% dos produtores que dirigem o estabelecimento de agricultura familiar são do sexo masculino e 13,7%, do sexo feminino.

Apesar dos dados, autarquias ligadas à agropecuária do Estado não contam com informações mais detalhadas relativas à questão de gênero no campo. Por isso, vamos destacar dois programas em vigor focados no estímulo ao empreendedorismo, à autonomia e à liderança junto às mulheres do agro: o especial “Mulheres em Campo ”, realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-ES), e o projeto novato “Elas no Campo e na Pesca ”, lançado em agosto pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag).

O programa “Mulheres em Campo ” reconhece que as mulheres superam desafios e aproveitam as oportunidades de crescimento pessoal e profissional, com a diferença que, no meio rural, elas ainda precisam de acesso ao conhecimento para contribuir mais com o sucesso das propriedades.

O Senar-ES criou o programa em 2014 (“Com Licença Vou à Luta ” foi o nome até 2016) para despertar o interesse pela gestão e, assim, ampliar o protagonismo feminino na administração das empresas rurais. O “Mulheres em Campo ” desenvolve competências de empreendedorismo e gestão, orienta na descoberta do potencial de cada participante e da propriedade, ensina a planejar e a transformar uma atividade em negócio.

Com carga horária total de 40 horas, divididas em cinco encontros de 8h e intervalo de uma semana entre eles, o programa propôs ampliar os conhecimentos das participantes sobre empreendedorismo, planejamento, custos de produção, indicadores de viabilidade e comercialização e desenvolvimento pessoal. Só este ano, já foram formadas seis turmas, num total de 90 mulheres.

Um dos resultados do programa foi a realização do 1º Encontro Elas no Agro Capixaba, no dia 13 de abril, durante a ExpoSul Rural em Cachoeiro de Itapemirim. Mais de 600 mulheres sindicalizadas, de norte a sul do Estado, participaram de palestra, roda de conversa e outros eventos, trocando informações e mostrando a força feminina no agronegócio.

Elas no Campo e na Pesca

O objetivo do projeto é a estruturação de ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida das mulheres que vivem no campo e que atuam em atividades pesqueiras. A expectativa é de que pelo menos 300 mulheres sejam beneficiadas com essas ações, cujo Grupo de Trabalho é formado por mulheres representantes de diversas instituições, além da Seag.

Uma das ideias é o Plano Estadual de Políticas para Mulheres do Espírito Santo (PEPMES), com o eixo central de enfrentamento à feminização da pobreza e a garantia da autonomia econômica das mulheres.

O programa “Elas no Campo e na Pesca ” pretende executar ações integradas até 2022, com a divulgação dos resultados, fomento a projetos, sensibilização da sociedade, produção de materiais audiovisuais e conteúdos midiáticos, construção de um banco de dados com as necessidades encontradas, capacitação de técnicos, realização de seminários e publicação de um livro mostrando os resultados do projeto.

Empreendedorismo com pó de café e biscoitos

A mulherada protagoniza duas iniciativas empreendedoras no agro capixaba. Em Muqui, o Núcleo Feminino da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Espírito Santo (Cafesul) está à frente do “Póde Mulheres ”, primeiro blend de café 100% conilon especial feito por mulheres cooperativistas no Brasil.

O produto foi desenvolvido para valorizar o café e gerar renda para 20 mulheres. Além de gerar renda para o grupo, o “Póde Mulheres ” promove uma vida mais digna e feliz no campo. O sabor do café traz consigo reencontro com as raízes e resgate da autoestima de mulheres, dentre irmãs e filhas de cooperados e associadas. Na terra conhecida pelos barões do café e pelo casario majestoso do século passado, são as mulheres a escreverem a nova história da cafeicultura.

O grupo feminino foi formado em 2012. Dois anos depois, o foco escolhido foram os cafés especiais devido à identificação das participantes com a atividade. “Na roça, a mulher não tem oportunidade de fazer coisas diferentes. Por meio dos cursos, nossas mulheres passaram a frequentar mais a cooperativa. Isso trouxe mais união e foi animando iniciar a produção do café conilon feminino ”, destaca Natércia Bueno Vencioneck.

As donas do pedaço

Em Alfredo Chaves, a agroindústria “Hora do Recreio ” é outro negócio lucrativo com a participação delas. Um grupo de seis mulheres que já produzia pães, bolos e biscoitos para suas famílias resolveu tirar a produção de dentro de casa para comercializá-la em supermercados e padarias do município, Iconha, Vargem Alta, Rio Novo do Sul e Vitória.

O nome, em homenagem à comunidade, ficou bastante sugestivo, já que o grupo ocupa justamente o espaço físico da antiga escola e fornece produtos para a merenda escolar por meio das políticas públicas de comercialização, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Todo esse trabalho melhorou, inclusive, a autoestima das mulheres de Recreio. “Antes a gente dependia do dinheiro dos maridos. Hoje, compra uma roupa melhor, compra batom, perfume… Eles ficaram um pouquinho enciumados porque estavam acostumados a ter a gente sempre em casa. Mas incentivam bastante a gente. É uma terapia, uma dá força pra outra”, diz Cecilia Tomazini Bergami, a “Cila ”, idealizadora e coordenadora do grupo.

Atualmente, as mulheres produzem biscoitos variados, como de polvilho, amido de milho, casadinho, de nata e fubá com coco, entre outros. Parte dos ingredientes como coco, limão, leite e maracujá são adquiridos nas propriedades do entorno. A produção da Hora do Recreio chega a 1.200 kg por mês.

“Nosso principal diferencial é que nossos biscoitos são assados no fogão a lenha. Mas o fato de ser um empreendimento tocado por mulheres e o fato de buscarmos matéria prima nas propriedades da região também atrai a atenção das pessoas. Antes a gente pedia doação de leite aos vizinhos. Hoje já conseguimos pagar ”, comemora a professora Maria Margaret Pessin.

Produtoras na Ceasa/ES

Na Ceasa/ES, em Cariacica, 2.700 produtores cadastrados são responsáveis pela comercialização e distribuição de alimentos diariamente. Desse total, 350 são mulheres, número que tende a aumentar.

Uma delas é Elizia Foesch Krause, produtora de Santa Maria de Jetibá, assim como a mãe, primas, tias e avós. Ela começou na agricultura trabalhando na lavoura, mas hoje comercializa os produtos da família na Central de Abastecimento.

Para ela, o segredo para ser bem-sucedida é amar o que faz. “Eu tenho orgulho de ser produtora rural e ajudar no sustento da minha família. Venho para cá, tenho o respeito dos meus colegas de trabalho, vendo os meus produtos e ganho o meu dinheiro ”, comentou.

Esta matéria faz parte do Anuário do Agronegócio Capixaba,
disponível AQUI
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Sobre o autor Leandro Fidelis Formado em Comunicação Social desde 2004, Leandro Fidelis é um jornalista com forte especialização no agronegócio, no cooperativismo e na cobertura aprofundada do interior capixaba. Sua trajetória é marcada pela excelência e reconhecimento, acumulando mais de 25 prêmios de jornalismo, incluindo a conquista inédita do IFAJ Star Prize 2025 para um jornalista agro brasileiro. Com experiência versátil, ele construiu sua carreira atuando em diferentes plataformas, como redações tradicionais, rádio, além de desempenhar funções estratégicas em assessoria de imprensa e projetos de comunicação pública e institucional. Ver mais conteúdos