Anuário do Agronegócio Capixaba 2025

Entre moquecas e balões: o Espírito Santo que inspira

Do litoral às montanhas, experiências gastronômicas, culturais e naturais revelam um Espírito Santo que encanta visitantes e valoriza suas tradições

Foto: Ruan Klen

No Espírito Santo, cada amanhecer traz um novo convite ao encontro entre a tradição e a descoberta. É terra de sabores únicos, da moqueca capixaba ao tombo da polenta que emociona em Venda Nova do Imigrante, e de símbolos de contemplação, como o Buda de Ibiraçu, que recebe visitantes às margens da BR-101 em busca de pausa e reflexão.

Mas é também entre montanhas, lavouras, cafés e vales que se constrói um turismo cada vez mais conectado ao cotidiano do campo. Um turismo que nasce do trabalho, da hospitalidade e da capacidade das famílias rurais de transformar sua própria história em experiência compartilhada.

O Espírito Santo escolhe o turismo e o turismo responde

O Espírito Santo tem ampliado seu olhar para o turismo como estratégia de desenvolvimento. Além do tradicional turismo de praia e montanha, ganham espaço o agroturismo e o turismo rural, que convidam o visitante a vivenciar a rotina no campo, conhecer modos de produção, saborear alimentos locais e compreender a relação direta entre território, cultura e trabalho.

Moradores desfilam seus trajes típicos nas festas culturais pelo Espírito Santo. Registro da 7ª Pommer Broodfest 2025, em Laranja da Terra. Foto: divulgação

Esse movimento é sustentado, sobretudo, pelas famílias empreendedoras rurais, que investem em propriedades, abrem suas casas, organizam roteiros e diversificam suas atividades, mantendo viva a economia local e fortalecendo comunidades inteiras.

Pancas: o balão que revela novos horizontes

No noroeste capixaba, Pancas se consolida como exemplo de como a iniciativa local pode impulsionar novas dinâmicas econômicas. De base agrícola e forte tradição na cafeicultura, o município passa a integrar o turismo de aventura e de experiência ao seu cotidiano rural. Tanto que, atualmente, Pancas é oficialmente reconhecida como a Capital Estadual do esporte radical e do Balonismo no Espírito Santo e também como a “Capadócia Capixaba”.

Em Pancas, enquanto os balões colorem o céu, o centro do distrito de Laginha recebe as edições da Pomerfest, evento dedicado à cultura pomerana. A programação reúne shows, encontro de carros antigos, competição de chopp, fritada de linguiça, desfiles, danças típicas de grupos locais, moda de viola e uma variedade de comidas tradicionais. Foto: divulgação/Prefeitura de Pancas

Os balões de ar quente, que hoje marcam festivais e eventos, atraem visitantes e ampliam a visibilidade da região. Ainda em processo de regulamentação, essa atividade se soma a outras iniciativas conduzidas por moradores e empreendedores locais.

No solo, o turismo se fortalece com tirolesas, trilhas como a da Pedra do Camelo, cachoeiras e áreas naturais que passam a ser valorizadas também como fonte de renda e permanência das famílias no campo.

Turismo rural e novas rotas capixabas

Sim, os municípios estão se movimentando! Assim como Pancas, outros municípios capixabas estão projetando roteiros que conectam produção rural, paisagem e memória. Seja em São Gabriel da Palha, São Mateus, Colatina, Serra, Nova Venécia, Laranja da Terra ou Cariacica, experiências voltadas ao turismo sustentável integram conservação ambiental e cultura local, com protagonismo das comunidades rurais. Em diferentes regiões do estado, o turismo nasce da iniciativa de quem conhece a terra, cultiva o solo e decide empreender sem abandonar suas raízes.

No interior do Espírito Santo, a paisagem se impõe como parte da identidade cultural. A pedra dos três pontões em Afonso Cláudio, é uma referencia nacional que dialoga com o cotidiano da comunidade. Cenários como esse não apenas atraem visitantes, mas também se integram às festas, festivais e eventos que movimentam os municípios e fortalecem a vida cultural fora dos grandes centros. Foto: divulgação

Afonso Cláudio, nas Montanhas Capixabas, é reconhecida como a Capital Estadual da Biodiversidade por reunir áreas preservadas, diversidade de fauna e relevo montanhoso. O município abriga mais de 300 espécies de aves, o que o coloca como referência nacional e internacional na observação de aves. Áreas de Mata Atlântica, cachoeiras, mirantes, trilhas e atividades de turismo de aventura integram o território, junto à produção de cafés especiais e ao agroturismo. O principal cartão postal do município é a Pedra dos Três Pontões, formação rochosa associada a atividades como escalada, voo livre e rapel.

Sobre o autor Kátia Quedevez Kátia Quedevez é jornalista desde 1992 e diretora de comunicação com forte atuação no Espírito Santo. Com formação em Jornalismo e Mestrado em Administração de Empresas com foco em Inovação, ela dirige a editora Conexão Safra, uma referência na produção de conteúdo sobre o agronegócio capixaba em diversas mídias. Sua experiência profissional é versátil, abrangendo liderança comercial, produção e assessoria de comunicação nos setores público e privado, e atuação como professora universitária. Ver mais conteúdos