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As tarifas anunciadas pelos Estados Unidos ao longo de 2025 ocasionaram um movimento brusco e escalonado no comércio internacional, que exigiu reação rápida do poder público e do setor privado. Esse fato trouxe incerteza e retração, mas também muitas lições e aprendizados. Para entender melhor essa dinâmica, deve-se separar em três fases as ocorrências que caracterizaram o chamado “tarifaço”.
A primeira foi a tarifa recíproca de 10% sobre importações de todos os países, anunciada em 2 de abril, que incidiu sobre importações norte-americanas sob o argumento de reequilibrar as relações comerciais. Esse foi o marco inicial que causou preocupação nas cadeias globais de comércio externo, deixando frágeis e instáveis as relações comerciais e diplomáticas com o governo norte-americano.
Contudo, foi a segunda fase que atingiu diretamente o Espírito Santo, anunciada em 30 de julho: a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre uma cesta de produtos brasileiros, elevando para 50% a taxa de importação de diversos itens. No agronegócio, a exceção entre os setores-chave foi apenas a celulose. Nesse momento crítico, o governador Renato Casagrande agiu rápido e designou o vice-governador, Ricardo Ferraço, para liderar o Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação.
A Secretaria de Estado da Agricultura assumiu a responsabilidade de dialogar diariamente com os segmentos afetados, entendendo de perto as angústias dos exportadores e produtores, ouvindo as vozes de quem produz e comercializa e transformando essas vozes em dados e relatórios. Com informações reais e concretas, subsidiamos o Governo Federal para avançar nas negociações. O Governo do Estado também fez o dever de casa, liberando créditos acumulados de ICMS para os setores afetados, além de articular linhas de financiamento específicas, com taxas de juros abaixo da Selic. Também incentivou a diversificação de mercados ao viabilizar espaço de uso coletivo para participação em feiras internacionais, como a Anuga, na Alemanha.
As tarifas adicionais começaram a vigorar a partir de agosto, e os dados confirmam o impacto negativo nas exportações do agro capixaba. A partir daquele mês, a queda nas relações comerciais com os Estados Unidos foi contínua até outubro. Importante lembrar que o mercado norte-americano é o principal destino das exportações do agronegócio do Espírito Santo, com cerca de 23% do total.
Entre agosto e outubro, a queda nas exportações para os norte-americanos foi relevante no volume de vários produtos, em relação ao mesmo período de 2024: pimenta-do-reino (-94%), café verde (-54%), pescados (-33%), café solúvel (-24%) e gengibre (-23%). O mercado de ovos, que era altamente promissor até julho, praticamente parou a partir de agosto. Em apenas três meses, o volume exportado dos principais produtos do agro caiu de 15 mil toneladas para 8,6 mil toneladas, e a redução das divisas geradas foi de 25 milhões de dólares.
A terceira fase ocorreu em dois momentos, com duas ordens executivas do presidente Trump. A partir de 13 de novembro, os EUA retiraram a tarifa recíproca de 10% de alguns produtos agrícolas, entre eles café, gengibre, frutas e carnes. Logo após, em 20 de novembro, houve nova modificação, retroativa a 13 de novembro, removendo parte dos produtos brasileiros da tarifa adicional de 40%, trazendo alívio para o agronegócio. Apesar dos avanços, setores estratégicos como café solúvel, pescados e ovos permaneceram taxados, evidenciando a necessidade de continuidade das negociações diplomáticas.
O tarifaço foi um teste de resistência e resiliência, no qual o Espírito Santo respondeu com técnica, união e estratégia. Com os pés no chão, a cabeça no planejamento e voz ativa, seguimos estruturando ações de fortalecimento e apoiando quem produz. Proteger nosso agronegócio é defender a economia capixaba, o emprego no campo e a dignidade de milhares de famílias. No agro capixaba, enfrentamos crises sem perder o rumo, porque quem cultiva esperança não recua diante de barreiras.




