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Em mais um ano, os produtores capixabas demonstraram resiliência diante do cenário enfrentado pelo setor agropecuário. Entre os principais fatores que influenciaram o desempenho do agro nos últimos meses estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos, a discussão sobre a cobrança pelo uso da água, o crédito rural e a necessidade de avanços nas políticas públicas voltadas ao campo.
Mesmo com a suspensão das tarifas anunciadas pelo governo norte-americano, o setor segue impactado pela instabilidade da política comercial dos Estados Unidos, o que exige cautela por parte dos produtores e da indústria. No caso do café, os efeitos são particularmente significativos.
O café solúvel brasileiro permanece sujeito a uma taxa de 50% no mercado norte-americano, reduzindo a competitividade da indústria nacional. Esse cenário afeta diretamente o Espírito Santo, uma vez que o café conilon, base da produção de café solúvel, está entre os principais produtos do agro capixaba, tornando o estado especialmente sensível às mudanças nas regras do comércio internacional. Diante disso, o acompanhamento permanente do cenário externo e a adoção de estratégias de diversificação de mercados tornam-se essenciais para mitigar riscos.
No âmbito estadual, a discussão sobre a cobrança pelo uso da água ganhou centralidade ao longo de 2025 e gerou insegurança regulatória para produtores que dependem da irrigação para manter suas atividades. Preocupados com o possível aumento de custos e com a insegurança jurídica no campo, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo, os Sindicatos Rurais, a Assembleia Legislativa e entidades parceiras atuaram de forma articulada na construção de uma solução legislativa.
O pleito do setor agropecuário se fundamenta no entendimento de que o produtor rural já financia integralmente a infraestrutura de conservação ambiental e exerce, simultaneamente, o papel de produtor de água, ao preservar nascentes, áreas de mata e solos produtivos. Esse esforço coletivo resultou na aprovação do Projeto de Lei nº 759/2025, de autoria do deputado estadual Marcelo Santos, com relatoria do deputado Mazinho dos Anjos, aprovado em regime de urgência pela Assembleia Legislativa. A matéria deu origem à Lei nº 12.639/2025, que prevê a isenção da cobrança pelo uso da água para produtores rurais, representando uma conquista importante para o setor e para a segurança hídrica do estado.
Olhando para 2026, o agro capixaba segue diante de um cenário desafiador, marcado por instabilidades climáticas, entraves logísticos e oscilações de mercado. Ainda assim, produtores, entidades representativas e lideranças do setor mantêm uma visão otimista, sustentada pela modernização das linhas de crédito, especialmente aquelas voltadas à recuperação de lavouras atingidas por eventos climáticos recorrentes. A ampliação do acesso ao financiamento também é vista como estratégica para viabilizar investimentos em tecnologia, infraestrutura e expansão da produção.
As perspectivas para o próximo período também incluem o aprimoramento das políticas de suporte ao produtor rural, com atenção especial à regularização ambiental, à gestão hídrica e à capacitação profissional. Nesse contexto, a pecuária leiteira se destaca como um tema emblemático, e a crise enfrentada pelo setor pode ser analisada de forma mais estratégica.
A elaboração da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras pela Conabio, hoje suspensa, também gera grande preocupação para o setor, uma vez que inclui espécies amplamente utilizadas por cadeias produtivas consolidadas, como a tilápia. Essa medida poderia desencadear um significativo problema social em importantes municípios capixabas, além de ampliar a burocracia e elevar os custos para a regularização.
A conjuntura atual evidencia a necessidade de políticas públicas que fortaleçam as atividades e garantam maior sustentabilidade às cadeias produtivas.



