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A tecnologia dos drones agrícolas deixou de ser apenas uma tendência e passou a fazer parte da rotina de produtores rurais que buscam mais eficiência, segurança e precisão no manejo das lavouras. Em Santa Catarina, no litoral do estado, a produtora Flávia Steckert, de 30 anos, utiliza um drone DJI em áreas de arroz irrigado e soja, com resultados positivos especialmente nas lavouras alagadas.
Produtora de arroz, Flávia esteve na Agrishow para compartilhar sua experiência como pilota de drone agrícola dentro da propriedade da família. Segundo ela, a adoção da tecnologia mudou a forma de realizar aplicações e reduziu dificuldades comuns no cultivo do arroz, marcado pela presença constante de água na lavoura.
“O arroz é uma cultura alagada. A cada nova entrada na lavoura, o trabalho vai ficando mais difícil. O trator começa a atolar, a operação se complica e ainda há o amassamento da cultura”, afirmou.






Antes da adoção do drone, a propriedade utilizava trator, autopropelido específico para o arroz e avião agrícola para realizar os manejos. Com o tempo, porém, a família passou a buscar alternativas diante da baixa eficiência percebida no uso dos produtos aplicados na lavoura, que representam parte importante dos custos de produção.
“Com o passar do tempo, percebemos que os resultados já não eram satisfatórios. Faltava eficiência no uso dos produtos, que representam um custo muito alto na lavoura e impactam diretamente a produção”, relatou Flávia.
A aproximação com a tecnologia ocorreu em 2023, quando a família conheceu o modelo T40, da DJI. A partir da avaliação do equipamento, os produtores perceberam que o drone poderia ser usado em diferentes momentos do ciclo da cultura e se adaptar à realidade das áreas de arroz irrigado.
A decisão de compra também envolveu uma mudança geracional dentro da propriedade. Segundo Flávia, o pai tinha interesse na tecnologia, mas não queria assumir a operação do equipamento. Foi nesse momento que ela e a irmã passaram a atuar como pilotas de drone agrícola.
“Meu pai sempre dizia que tinha vontade de investir na tecnologia, mas perguntava: ‘Quem vai operar isso?’. Ele não queria mais aprender a lidar com um equipamento novo. Foi aí que eu e minha irmã entramos. Hoje, nós somos as pilotas de drone agrícola da propriedade”, contou.
O uso do drone não eliminou totalmente o trator da rotina da fazenda, mas passou a complementar o manejo em situações em que a entrada de máquinas pesadas poderia gerar perdas. No arroz irrigado, uma das principais vantagens apontadas pela produtora é a redução do amassamento da cultura.
“Continuamos usando o trator em alguns manejos, mas o drone passou a ser uma ferramenta complementar muito importante. No arroz, ele se tornou realmente necessário. Mudou completamente o manejo, contribuiu para melhorar a produção e ajudou a reduzir perdas causadas pelo amassamento da lavoura”, disse.
Outro ponto destacado por Flávia é a segurança. Em áreas alagadas, a operação com máquinas pode oferecer riscos ao operador. Com o drone, parte do trabalho passa a ser feita a partir do solo, reduzindo a exposição direta a situações de risco e ao contato com produtos utilizados no manejo agrícola.
“Com o drone, a operação se torna mais segura, não apenas porque é feita em solo, mas também porque reduz o contato direto com os produtos. Conseguimos trabalhar de forma mais segura e eficiente para a lavoura”, afirmou.
A produtora ressalta que o equipamento é usado apenas na propriedade da família, já que a demanda interna é suficiente para ocupar a rotina de trabalho. Para ela, a tecnologia ganhou espaço porque oferece ganhos práticos em uma cultura que exige precisão e enfrenta limitações operacionais impostas pelo solo alagado.
Flávia também aponta que o drone contribui para melhorar a eficiência das aplicações. Segundo ela, o uso mais preciso da tecnologia pode evitar novas entradas na lavoura em determinadas situações, o que reduz custos operacionais e impactos sobre a cultura.
“Não se trata apenas de reduzir o uso de produtos. A principal mudança é fazer o manejo com mais eficiência. Em alguns casos, uma aplicação bem feita evita uma nova entrada na lavoura, e isso tem impacto direto no resultado”, explicou.
Para a produtora, a experiência mostra que a adoção de drones agrícolas pode representar um avanço importante para culturas como o arroz irrigado, especialmente em propriedades que enfrentam dificuldades com tráfego de máquinas, perdas por amassamento e necessidade de maior eficiência nas operações.
“Hoje, o drone não é mais apenas uma tendência de mercado. Ele já se tornou uma necessidade”, afirmou Flávia.




