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A criação de uma Unidade Mista de Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Espírito Santo marca uma nova etapa da atuação da instituição no Estado. A iniciativa foi destacada pela presidente da Embrapa, Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, durante entrevista concedida à Conexão Safra, na Agrishow, em Ribeirão Preto, São Paulo.
Segundo Silvia, a Embrapa já mantinha uma relação histórica com o Espírito Santo, especialmente na área da cafeicultura, por meio de parcerias com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), universidades e instituições de ensino. A diferença, agora, é a formalização da presença da empresa no território capixaba.
A presidente explicou que a Embrapa possui 43 centros distribuídos pelo Brasil, mas ainda não tinha uma estrutura formal no Espírito Santo. Para mudar esse cenário, foi adotado um modelo inspirado em experiências internacionais da própria instituição, especialmente na França, onde a empresa mantém laboratórios em Montpellier.
De acordo com Silvia, o formato segue a lógica de uma unidade mista, baseada em consórcio entre instituições parceiras e com foco em temas estratégicos para o território.
“Lá na França, eles têm um modelo que chamam de Unidade Mista de Pesquisa, onde você faz um consórcio com as instituições que quer trabalhar, com foco em um tema de atuação”, explicou.
No caso capixaba, os temas centrais são agricultura de montanha, cafeicultura e bioinsumos. A escolha dialoga diretamente com a realidade produtiva do Espírito Santo, onde o café tem forte peso econômico e social, especialmente em áreas de relevo acidentado e pequenas propriedades.
Para Silvia, a instalação da unidade tem significado estratégico e simbólico. A proposta é aproximar a pesquisa agropecuária das demandas locais e fortalecer a capacidade de inovação no campo.
Além da presença no Estado, a presidente da Embrapa destacou os desafios da pesquisa agropecuária no Brasil. Segundo ela, os resultados alcançados pelo país nas últimas décadas são fruto de uma visão de Estado construída a partir da criação da empresa, há 53 anos. “Colhemos muitos frutos do investimento que foi feito quando a Embrapa foi criada”, afirmou.
Silvia lembrou que o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um dos grandes produtores e exportadores agropecuários do mundo. Esse avanço, no entanto, traz novas responsabilidades, especialmente em um cenário de maior cobrança por sustentabilidade, rastreabilidade e adaptação às mudanças climáticas.
“Cada vez mais, a gente tem que mostrar que produz de maneira sustentável. Isso é exigido tanto pelo mercado internacional como também pelo novo consumidor, muito mais preocupado com nutrição, saúde e origem dos alimentos”, afirmou.
A presidente também chamou atenção para a necessidade de ampliar o acesso à tecnologia entre pequenos e médios produtores. Embora o Brasil seja reconhecido pelo agro exportador, ela destacou que a agricultura familiar segue tendo papel central na produção nacional.
“A gente fala muito desse agro que exporta, mas 77% dos produtores do Brasil ainda são da agricultura familiar. Então, as tecnologias precisam chegar até o pequeno e médio produtor”, disse.
De acordo com Silvia, a Embrapa tem trabalhado para acelerar a transferência de conhecimento e inovação ao campo, com foco em geração de renda, melhoria dos modelos de negócio e inclusão socioprodutiva.
“Estamos com um trabalho muito forte de como as tecnologias que a Embrapa gera chegam mais rapidamente ao pequeno e médio, para gerar renda e melhorar o modelo de negócio do pequeno produtor”, destacou.
Para manter o protagonismo brasileiro na agricultura tropical, a presidente defendeu mais investimento em ciência, tecnologia e pesquisa, inclusive com maior participação do setor privado.
“Precisamos investir mais. Hoje, a gente fala muito que o setor privado precisa investir mais nessa questão de ciência e tecnologia. Esse é o caminho para a gente poder manter o protagonismo do Brasil em agricultura tropical”, afirmou.




