Tecnologia a serviço do agro

Drone reduz de 30 horas para até duas horas pulverização em lavouras de café

CEO da Agridrones, Valdicimar de Assis Mattusoch afirma que drones DJI aceleram operações, reduzem uso de água e ganham espaço entre pequenos e médios produtores

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Foto: Kátia Quedevez/Conexão Safra

Os drones agrícolas deixaram de ser uma tecnologia distante da realidade do campo e passaram a ocupar espaço crescente em pequenas, médias e grandes propriedades rurais no Brasil. A avaliação é de Valdicimar de Assis Mattusoch, CEO e presidente da Agridrones, distribuidora oficial da DJI Agriculture no Brasil, com atuação focada em tecnologia para agricultura de precisão.

Segundo Mattusoch, a evolução dos drones de pulverização é recente, mas já transformou a forma como diferentes cultivos são manejados. Para dar uma ideia, o primeiro drone agrícola da DJI foi lançado em 2017. Menos de dez anos depois, o Brasil já aparece como o segundo maior mercado mundial da tecnologia, atrás apenas da China.

“Os drones agrícolas de pulverização revolucionaram a agricultura, primeiro na China, que é o maior mercado do mundo, e depois no restante do mundo. O Brasil já é o segundo maior mercado global”, afirmou.

No país, milho e soja lideraram a demanda até 2023, respondendo por cerca de 70% das vendas de drones agrícolas, segundo o executivo. A tecnologia também avança em pastagens, arroz, fruticultura e outras culturas. No Espírito Santo, o uso é puxado principalmente pelo café conilon, seguido pelo café arábica, além de pastagens, eucalipto em áreas de preparo do solo e cana-de-açúcar.

De acordo com Mattusoch, a expansão não está restrita aos grandes produtores. Pelo contrário, pequenos e médios agricultores estão entre os principais usuários da tecnologia, especialmente em propriedades cafeeiras.

“Todos estão utilizando. Mas o maior número ainda é do pequeno e médio produtor. Hoje, principalmente nas propriedades de café, há condição de adquirir um drone para fazer os trabalhos. O grande foco nosso são os pequenos produtores”, destacou.

Os equipamentos têm diferentes capacidades e faixas de investimento. Segundo o CEO da Agridrones, há kits a partir de cerca de R$ 100 mil, com modelos de 20, 40, 70 e até 100 litros. A variação permite que a tecnologia seja adaptada a diferentes tamanhos de propriedade e necessidades de manejo.

Um dos principais ganhos apontados por Mattusoch está na redução do tempo de operação. Em uma área de café de 30 hectares, por exemplo, uma pulverização com trator pode demandar cerca de 30 horas de trabalho. “Com um drone de 100 litros, o produtor faz esse trabalho em duas ou três horas. Mesmo com um drone menor, ele consegue fazer em cerca de cinco horas”, explicou.

A tecnologia também responde a um dos maiores desafios atuais do campo: a escassez de mão de obra. Como os voos são programados e realizados de forma autônoma, a operação do equipamento é considerada simples. Ainda assim, Mattusoch ressalta que o uso correto depende de conhecimento técnico e agronômico.

“A operação do drone é muito simples. Em uma hora de treinamento, muitas pessoas já conseguem voar um drone agrícola, porque o voo é automático. O cuidado maior está no conhecimento agronômico: saber sobre a cultura, o produto aplicado, clima, temperatura, vento, umidade e mistura”, disse.

Na avaliação do executivo, esse ponto é essencial para garantir eficiência e segurança. A aplicação com drones exige capacitação para evitar perdas, reduzir riscos ambientais e assegurar que o produtor utilize a tecnologia de forma adequada.

O uso dos drones também tem relação direta com a sustentabilidade no campo. Quando operados corretamente, os equipamentos podem reduzir em até 90% o uso de água nas pulverizações. “Além disso, o uso de drone diminui o contato de pessoas com o produto e permite pulverizações localizadas. Dependendo da infestação de praga ou doença, é possível reduzir a utilização de defensivos”, afirmou Mattusoch.

Outro avanço citado pelo executivo é o impulso ao uso de produtos biológicos. “Como o biológico exige mais pulverizações e aplicação no momento oportuno, o drone permite fazer isso com mais facilidade”, ressaltou.

A Agridrones é uma das importadoras mais antigas da DJI Agriculture no Brasil e atua como representante oficial da marca em uma área que inclui Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e o Sul da Bahia. A empresa trabalha exclusivamente com drones DJI, marca chinesa reconhecida mundialmente pela produção de veículos aéreos não tripulados de alta tecnologia, utilizados em fotografia, videografia, automação, segurança, lazer e aplicações comerciais e agrícolas.

Com o crescimento do mercado, a atuação da Agridrones passou a ser mais regionalizada, segundo Valdicimar, para permitir atendimento mais focado aos produtores e às revendas. A empresa também participa da capacitação das equipes que treinam os agricultores na ponta.

Para o executivo, a tendência é que os drones agrícolas sigam ampliando presença no campo brasileiro, especialmente em culturas que exigem agilidade, precisão e redução de custos operacionais. “É uma tecnologia que atende pequenos, médios e grandes produtores. Mas, hoje, o pequeno e o médio produtor têm papel muito importante nessa expansão”, concluiu.