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Em Santa Leopoldina, município capixaba que lidera a produção nacional de gengibre, pequenos empreendedores estão transformando tradição em negócio e inovação em oportunidade. A região vive um movimento de verticalização e diversificação da cadeia produtiva, com o rizoma ganhando espaço como ingrediente em bebidas, biscoitos e outros alimentos de maior valor agregado.
Líder absoluto no cultivo e exportação do rizoma, o Espírito Santo é responsável por 75% da produção brasileira e por 57% das exportações nacionais de gengibre. O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) tem desempenhado papel central nesse processo, oferecendo orientação técnica e apoio em todas as etapas de regularização das agroindústrias. A atuação vai desde o planejamento das estruturas produtivas até a adequação sanitária e o licenciamento junto aos órgãos de inspeção, assegurando que os produtos cheguem ao mercado com qualidade e segurança.
Primeira agroindústria registrada
O primeiro resultado desse trabalho é o registro da agroindústria Gengibre.Bom no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o que autoriza a produção de uma bebida alcoólica mista com gengibre entre os ingredientes. O empreendimento é o primeiro do gênero na região a conquistar o registro federal, e outros dois projetos semelhantes estão em fase de adequação, também com acompanhamento técnico do Incaper.

A receita que deu origem à Gengibre.Bom nasceu nas confraternizações familiares de Genedir Inês Rasselli Novelli, ainda nos anos 1990. Durante a pandemia, ela e o filho Jeferson Novelli, ao lado da nora Jaqueline, decidiram transformar a tradição em negócio, produzindo e comercializando a bebida artesanal na Grande Vitória.
“Obter esse registro no Mapa é o resultado de muita luta e persistência ao lado da minha mãe e da minha esposa. O registro vai muito além de um número: é fruto de dedicação e um marco para expandir os negócios”, contou Jeferson.
Ele destacou ainda o papel do Incaper: “O Instituto foi fundamental para o nosso registro. Nos acompanhou desde o início, no projeto da construção e em cada etapa do processo. Em dezembro de 2024 fomos certificados e, em agosto de 2025, passamos pela primeira inspeção do Mapa com sucesso.”
Segundo Galderes Magalhães de Oliveira, extensionista e coordenador do Centro Regional de Desenvolvimento Rural Central Serrano do Incaper, o trabalho envolveu desde o planejamento das estruturas até a adequação sanitária. “Foi um processo conduzido de forma a aproveitar a estrutura já existente na propriedade, dentro das normas sanitárias e ambientais, garantindo qualidade e segurança ao consumidor”, explicou.
Biscoitos com sabor de tradição
Outra empreendedora que aposta no potencial do gengibre é Roziene Luzia Nagel, que está em processo de regularização de sua agroindústria junto ao Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Ela começou a produzir biscoitos há pouco mais de dois anos, inspirada em receitas da infância e em um curso sobre derivados de gengibre.

“Eu sempre gostei de fazer biscoitos, uma tradição que vem dos meus pais e avós. Fiz um curso sobre biscoitos à base de gengibre e guardei a receita por muito tempo, até que decidi testar — e o resultado foi um sucesso”, relembra.
Hoje, Roziene vende seus produtos em feiras e eventos na Grande Vitória, com ótima aceitação. “Com o apoio do Incaper, estou realizando o sonho de ter uma agroindústria licenciada. Quero ampliar a produção e continuar inovando com produtos derivados do gengibre”, afirmou.
Força econômica e identidade cultural
O Espírito Santo responde por cerca de 75% da produção nacional de gengibre, com 77,7 mil toneladas colhidas em 2024. O valor gerado ultrapassou R$ 317 milhões, e as exportações somaram mais de US$ 45 milhões, consolidando o Estado como líder nacional em produção e exportação.
Para o Incaper, transformar o gengibre em ingrediente de novos produtos é um passo estratégico para fortalecer a economia local e reduzir a dependência das exportações in natura. “Essas iniciativas mostram que o gengibre pode ir além da exportação, conquistando novos consumidores no mercado interno com produtos diferenciados”, destacou Galderes Magalhães.
Além das bebidas e biscoitos, o gengibre tem potencial para ser explorado em segmentos como doces, geleias, chás e cosméticos, ampliando o alcance da cadeia produtiva e fomentando um modelo mais sustentável e inovador.
Esse movimento também impulsiona o turismo de experiência, com visitas às agroindústrias, degustações e a criação de rotas gastronômicas temáticas, transformando o gengibre em símbolo cultural e econômico de Santa Leopoldina.
“Mais do que uma cultura importante para a economia local, o gengibre valoriza o território, aproxima o consumidor do campo e inspira novos empreendimentos. Nosso papel é apoiar o produtor para que conquiste autonomia e se torne referência para outras agroindústrias”, concluiu Galderes.





