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Enio Bergoli
Engenheiro Agrônomo, especialista em Adm. Rural, Secretário de Estado da Agricultura do Espírito Santo de 2009 a 2014 e a partir de 2023
Texto publicado originalmente em A Gazeta, no dia 19/12/22
O Espírito Santo é uma das melhores sínteses do agro nacional e seus negócios associados. Temos por aqui todos os elos das cadeias produtivas agropecuárias com relevância: insumos, produção agrícola, agroindústrias e distribuição/logística. É claro que existem muitos desafios a superar em todos os arranjos, mas a força e a importância do agro capixaba no processo histórico do desenvolvimento estadual é inegável e inquestionável.
Os produtos capixabas são comercializados em outros Estados e mais de 100 países, com destaque para cafés, celulose, pimenta, mamão, raízes, dentre outros. Nesse sentido, as dificuldades e entraves são igualmente importantes tanto no contexto do ambiente interno das propriedades rurais quanto no externo.
Para 2023, os custos de produção agropecuária continuarão altos, fato que aumenta os riscos das atividades por conta dos preços de insumos, máquinas, equipamentos e também da mão-de-obra. Assim, a gestão interna dos estabelecimentos será determinante nas margens cada vez mais curtas de rentabilidade.
Ressalta-se que, não somente para o próximo ano, mas para essa geração, a permanência ou não no mercado dependerá da superação de grandes obstáculos nacionais, com rebatimento no agro regional. A superação de gargalos na logística, infraestrutura e crédito dependem muito do Governo Federal.
Por outro lado, estados equilibrados como o Espírito Santo devem construir uma agenda estratégica em sintonia com as novas tendências do setor, frente às especificidades regionais.
Temas como inovação, automação, inteligência artificial, big data, internet das coisas, agricultura de precisão, descarbonização e produção sustentável estarão cada vez mais presentes no dia-a-dia do agro. Os fatores críticos de sucesso do segmento passam necessariamente por esse contexto.
Por fim, as práticas do ESG (Ambiental, Social e Governança, em português) vem ocupando espaço de destaque. A longevidade e permanência no agro do futuro somente é certa para quem desenvolver ações focadas na proteção dos recursos naturais, na redução das desigualdades e no estabelecimento de políticas públicas voltadas para diversidade, além da mitigação de atos comportamentais inadequados nos modelos de negócios.
É o futuro do Agro!





