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Agricultura

Espírito Santo teve 38 casos de raiva em ruminantes em 2021; último caso de raiva humana foi em 2003

por Fernanda Zandonadi

em 13/07/2022 às 9h46

3 min de leitura

Espírito Santo teve 38 casos de raiva em ruminantes em 2021; último caso de raiva humana foi em 2003

Foto: reprodução/Mapa

No início do mês, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou um caso de raiva humana, o que acendeu o sinal de alerta. É um jovem entre 15 e 19 anos que foi arranhado por um gato, no final de maio. Os sintomas apareceram cerca de duas semanas depois. O jovem está internado desde o dia 20 de junho, em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O Espírito Santo não registra casos de raiva humana deste 2003.  Em 2021, ocorreram 38 casos de raiva em ruminantes, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A doença, em herbívoros, tem sido notificada em todos os Estados e já registra 50.944 casos de 1999 até julho de 2022. No ano de 2021, foram registrados no Brasil 661 casos de raiva, destes 642 em ruminantes.

Dentre os maiores riscos para a pecuária nacional incluem-se a perda direta de animais por se tratar de uma doença fatal, redução do ganho de peso dos animais devido às espoliações constantes por parte dos morcegos hematófagos, contato ou exposição dos trabalhadores com animais doentes, o que gera a busca por tratamento, acarretando afastamento do trabalho, assim como fatores psicossociais devido ao tratamento e aos óbitos de humanos.Segundo o Ministério da Saúde, a raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave. Acomete mamíferos – inclusive o homem – e tem letalidade próxima a 100%. 

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Ao contrário de animais de pequeno porte, como cães, a raiva em herbívoros se manifesta com sintomas de paralisia, queda, tremores, movimentos de pedalagem e  dilatação da pupila.  O Mapa trabalha com estratégias de vacinação dos herbívoros domésticos (bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e equinos)  e o controle da população de morcegos hematófagos.

Cuidados redobrados em casos suspeitos

Segundo a chefe do Centro do Centro Estadual de Pesquisa em Sanidade Animal Geraldo Manhães Carneiro da Pesagro-Rio, Leda Kimura, em entrevista para o Anuário do Agronegócio do Rio de Janeiro em abril deste ano, a gravidade da doença exige cuidados redobrados com animais que não parecem sadios. Quem manipula carne que está infectada pode ter problemas, especialmente se a parte tocada for o cérebro, local onde o vírus se aloja. E, se o animal morreu de forma suspeita, é preciso fazer os exames e a carne e o leite devem ser descartados. “Não pode comer a carne. Especialmente se ela for mal passada, pode sim gerar problemas. O leite não pode consumir de jeito algum”. 

E o que fazer quando encontrar um animal morto? “Tem que ir para o exame. Já encontramos um morcego caído e, depois dos exames, deu positivo. Era insetívoro. Todos os morcegos podem ter o vírus, não apenas os hematófagos, já que eles habitam os mesmos lugares, as mesmas grutas”.

Ao mesmo tempo em que os morcegos podem ser vetores da doença, a pesquisadora alerta para que não haja discriminação com os animais, que são importantes para a cadeia ecológica. “Os morcegos fazem florestas. São disseminadores de sementes, comem insetos. São controladores muito bons. Alguns, inclusive, são polinizadores. Então, são animais importantíssimos para o meio ambiente e até para a agricultura”.

Com informações de agências

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