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O Brasil pode entrar em um ciclo de resfriamento nos próximos dez anos, com invernos potencialmente mais rigorosos, especialmente nas regiões Sul e parte do Sudeste. A projeção é do meteorologista Luiz Carlos Molion, que concedeu entrevista no fim de fevereiro ao podcast Tempo e Dinheiro.
“Infelizmente nós estamos entrando num período em que, nesses próximos 10 anos, até 2034, 2035, vai haver um resfriamento”, afirmou.
Segundo ele, a tendência é de maior repetição de anos com inverno rigoroso no Hemisfério Norte, com reflexos no Brasil. “Toda vez que o inverno é rigoroso lá, também é para nós aqui”, explicou.
Sobre o inverno de 2026, Molion disse que produtores do Sul e do Sul de Minas devem se preparar para a entrada de massas de ar polar mais intensas já a partir de maio. “Possivelmente no início de maio, no máximo na terceira semana, logo após o dia 20, já podemos ter uma massa de ar polar bastante intensa”, declarou, associando o cenário ao acúmulo de ar frio na Antártica.
Ele citou registros de temperaturas muito baixas na Estação Vostok, onde, segundo relatou, outubro do ano passado teve a menor temperatura para o mês em mais de 40 anos de medições.
Comparação com a década de 1970
Na entrevista, o meteorologista comparou o cenário projetado ao período entre 1965 e 1975, marcado por invernos severos no Brasil. Ele relembrou a chamada geada negra de julho de 1975, que atingiu fortemente o Norte do Paraná e áreas produtoras de café.
“A famosa geada negra de julho de 1975 erradicou o café do Norte do Paraná”, afirmou, salientando que municípios como Londrina e Guarapuava registraram perdas expressivas. Segundo ele, em Guarapuava os termômetros chegaram a cerca de 10 graus negativos.
O episódio contribuiu para mudanças no perfil agrícola do Paraná e de partes de São Paulo, com avanço da cana-de-açúcar e da citricultura. Molion também avaliou que o período frio influenciou a expansão agrícola no Centro-Oeste.
Risco concentrado e impacto elevado
Para o meteorologista, não é necessário que todo o inverno registre temperaturas abaixo da média para que haja prejuízos. “Basta uma massa de ar polar bastante intensa para causar um sério problema na agricultura”, afirmou, citando riscos tanto para cultivos de inverno quanto para plantas permanentes, como café e citros.
Em meio às diferentes interpretações sobre a dinâmica climática global, a projeção apresentada por Molion reforça a importância de acompanhar os próximos invernos com base em dados observacionais e indicadores atmosféricos. A evolução das temperaturas e a frequência de massas de ar polar nos próximos anos serão determinantes para avaliar a consolidação do cenário de resfriamento até 2035 apontado pelo meteorologista.





