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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia prevê a redução gradual e, em alguns casos, a eliminação total de tarifas e barreiras comerciais entre os dois blocos, formados por 27 países europeus e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Negociado há mais de 25 anos, o entendimento foi aguardado especialmente pelo setor exportador brasileiro e tende a gerar efeitos relevantes para a economia do Espírito Santo.
Para os países do Mercosul, a expectativa é de que as exportações para a Europa cresçam cerca de 9 bilhões de euros até 2040. O principal beneficiado deve ser o agronegócio, setor que apresenta elevada competitividade no mercado europeu e concentra parte expressiva da pauta exportadora da região.
No Espírito Santo, a análise de mercado da pauta de exportações de 2025 indica que uma parcela significativa dos produtos enviados à União Europeia poderá ser favorecida com a entrada em vigor do acordo. Atualmente, 13,5% das exportações capixabas, o equivalente a US$ 1,4 bilhão, têm como destino o bloco europeu. Desse total, aproximadamente 43% do valor exportado corresponde a produtos que terão redução ou extinção de tarifas ao ingressar no mercado europeu.
Entre os itens com maior impacto positivo estão o mamão e o gengibre, que passarão a integrar a categoria de tarifa zero já no primeiro ano do acordo. O café verde, principal produto da pauta capixaba, terá redução gradual de 20% até alcançar alíquota zero no quinto ano, mesma regra prevista para a pimenta-do-reino. O café solúvel seguirá um cronograma mais longo, com redução inicial de 11,1% e tarifa zerada apenas no oitavo ano.
A pauta de exportação do Espírito Santo para a União Europeia é concentrada em três grandes setores. A agroindústria responde por 43,3% do valor exportado, seguida pela indústria extrativa mineral, com 32,9%, e pela indústria de transformação, com 23,8%.
Em valores absolutos, o café liderou as exportações capixabas para o bloco europeu em 2025, somando US$ 496 milhões. Também figuram entre os principais itens minério de ferro, aço, petróleo, rochas naturais, café solúvel, gengibre, mamão e pimenta-do-reino.
No contexto nacional, a União Europeia representa 14,3% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 49,8 bilhões, participação ligeiramente superior à observada no Espírito Santo. Projeções de impacto econômico indicam que, ao longo dos próximos anos, o acordo pode gerar efeitos positivos no crescimento do país, com ganhos percentuais relevantes no Produto Interno Bruto quando comparados aos demais integrantes do acordo.
Para o Espírito Santo, o avanço do tratado abre espaço tanto para a ampliação dos negócios já existentes quanto para a diversificação da pauta exportadora, com potencial de inserção em novas cadeias produtivas e maior integração ao mercado europeu.





