Clima

La Niña enfraquece e clima deve entrar em fase neutra no início de 2026

La Niña ainda atua no Pacífico, mas há 75% de chance de transição para neutralidade entre janeiro e março de 2026, segundo a NOAA

La Niña
Imagem: Conexão Safra/IA

A La Niña ainda está presente no Oceano Pacífico, mas já dá sinais claros de enfraquecimento. Segundo o mais recente boletim do Climate Prediction Center, da NOAA, há 75% de chance de o fenômeno perder força e o clima global entrar em uma fase chamada de neutralidade entre janeiro e março de 2026. A previsão é de que a neutralidade preceda o El Niño, que deve ser formar ainda no inverno deste ano.

Na prática, a La Niña ocorre quando as águas da superfície do mar no Pacífico Equatorial ficam mais frias do que o normal. Esse resfriamento interfere na circulação dos ventos e altera padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo. Atualmente, essas águas ainda estão abaixo da média, principalmente no Pacífico central e leste, o que mantém o fenômeno ativo.

Os dados mais recentes, porém, mostram que esse resfriamento está perdendo intensidade. Nas últimas semanas, as áreas de água fria diminuíram, enquanto regiões com temperaturas mais elevadas começaram a se expandir, inclusive abaixo da superfície do mar. Esse aquecimento em profundidade costuma anteceder o fim da La Niña.

Um dos principais indicadores usados para acompanhar o fenômeno é o Índice Oceânico Niño (ONI). No trimestre de outubro a dezembro de 2025, o índice ficou em −0,5 °C, exatamente no limite mínimo que caracteriza uma La Niña. As projeções indicam que esse valor deve mudar gradualmente nos próximos meses, sinalizando a transição para condições neutras.

Se essa tendência se confirmar, o Pacífico deve permanecer em neutralidade climática ao menos até o fim da primavera do Hemisfério Norte, entre maio e julho de 2026. Nessa fase, não há predominância nem de La Niña nem de El Niño, e o clima passa a ser influenciado por outros fatores, como sistemas regionais e variações atmosféricas de curto prazo.

O acompanhamento mensal do ENSO é fundamental porque mudanças no Pacífico costumam impactar o regime de chuvas, a ocorrência de secas e episódios de frio ou calor em diversas regiões do planeta, inclusive no Brasil.