Mais lidas 🔥

Frio intenso no Hemisfério Norte pode indicar um inverno mais rigoroso no Brasil em 2026?

Demanda pelo "ejiao"
Cientistas contestam decisão judicial que libera abate de jumentos; peles vão para a China

Previsão do tempo
Molion prevê década de frio até 2035; primeira onda polar deve chegar ao Brasil em maio

Previsão do tempo
Quinta ZCAS de 2026 provoca chuva intensa em oito estados até março

Anuário do Agronegócio Capixaba 2025
Turismo rural no Espírito Santo: as histórias de quem está construindo a história

Uma volta pelos supermercados é o suficiente para os consumidores perceberem que a compra do mês está cada vez mais cara. A escalada dos preços dos combustíveis – 27,51% de alta de janeiro a julho deste ano, segundo o IPCA – e da energia elétrica – 7% de reajuste mais 12% de alta, em média, por conta da bandeira vermelha 2 -, respinga fortemente nos carrinhos que passam pelos caixas dos supermercados.
Para dar uma ideia, o custo da cesta básica medido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apontou alta de 21,5% em 12 meses, encerrados em agosto, em Vitória. Apesar de os dados apresentados pelo órgão se limitarem às capitais, ainda é um bom retrato teórico daquilo que todos os consumidores veem, diariamente, na prática em todo Espírito Santo e no país.
E a carne bovina mostra-se como a grande vilã da vez. Depois da inflação do arroz no final do ano passado, quando a sacola de cinco quilos chegou aos R$ 25, hoje o churrasco do final de semana está ameaçado. A carne teve uma alta, no país, de 30,8% em 12 meses, de julho do ano passado a agosto deste ano.
E a tendência, segundo especialistas, é de que o cenário não melhore nos próximos meses e a inflação das proteínas supere a marca de 10% em 2021, depois de um 2020 de escalada de preços. O aumento previsto para 2021 está bem acima da estimativa para a inflação oficial (IPCA), de 5,9%.
De acordo com informações da consultoria LCA ao Estadão, a maior alta neste ano continuará sendo no preço da carne de boi (17,6%), seguida da de porco (15,1%) e de frango (11,8%). Alternativa às carnes, o valor do ovo de galinha também deve subir (7,6%).
Segundo o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider, alguns produtos realmente ficaram fora da curva. A carne, por ser uma commodity, sofreu mais com a alta do dólar e a sazonalidade. “O Brasil é um grande produtor de carne bovina, mas também um grande exportador. E a diferença cambial é muito grande. O dólar e o euro estão muito valorizados frente ao real. Então, o mercado interno prefere exportar e, quando há escassez de produto, a tendência é de alta nos preços”, explica.
Mas não é apenas o dólar alto que alavanca o preço da carne. “Tivemos a entressafra. E o clima foi atípico, o frio castigou as pastagens. Mesmo os pecuaristas que engordam no confinado sofreram com a alta da soja e do milho, que foram afetados pelos problemas climáticos”, avalia, explicando que os próximos meses até março do ano que vem, é época do boi gordo, o que pode ajudar a frear os preços.
Alternativa no prato
Se a chamada “carne vermelha” encarece, normalmente o consumidor busca alternativas. Mas parece que são poucas nas gôndolas. Carnes suína e de aves tiveram aumentos expressivos nos últimos meses, principalmente pela alta do milho e da soja, itens que compõem os alimentos dos animais.
Os custos de produção, segundo a Embrapa, subiram 52,30%, para o frango, e 47,53%, para os suínos, nos últimos 12 meses finalizados em agosto. O milho teve alta de preços de 68,8% em 2020, enquanto a soja ficou 79,4% mais cara no atacado. E, para 2021, as projeções apontam aumento de 39,8%, para o milho, e de 7,2%, para a soja.
Mas os suínos e aves têm o tempo como vantagem: entre 45 e 70 dias já se produz uma ave para o abate, enquanto o bovino demora mais de dois anos e meio.
E o Natal?
Fica a incógnita sobre se o Natal do capixaba e do brasileiro será com mesa farta ou com escolhas econômicas. “Temos de ser realistas: estamos pagando uma conta muito expressiva por conta da pandemia também. No início, tudo parou. Foi uma experiência mundial e com um impacto econômico assustador. A conta chegou com alta da inflação, que é, simplesmente, a falta de produto no mercado. Se há oferta, o preço cai. Foi uma infeliz experiência e que está muito cara para todo o mundo. Foram muitas vidas perdidas e prejuízos econômicos incalculáveis”, avalia Schneider.





