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Capixaba cultiva pimenta mais ardida do mundo em Cariacica (ES)

A Carolina Reaper entrou no Livro dos Recordes, em 2017, como a mais forte do mundo

pimenta Cariacica
Foto: divulgação

*Matéria publicada originalmente em 06/08/2021

A pimenta norte-americana Carolina Reaper entrou no Livro dos Recordes, em 2017, como a mais forte do mundo. Originária da Carolina do Sul, é 300 vezes mais picante do que a jalapeño, com mil unidades na escala de ardência. Só para se ter ideia, a Carolina Reaper tem 1,5 milhão. No spray de pimenta só dá ela!

O produtor rural Rodrigo Batista (42), de Vila Cajueiro, zona rural de Cariacica, na Grande Vitória, conheceu a pimenta em 2019 em uma viagem de visita à filha, nos Estados Unidos. Hoje, é o único capixaba a utilizar a Carolina Reaper como matéria-prima na produção artesanal de molhos e geleias. E ele vai aumentar a área de produção até 2022.

“Ganhei cinco sementes de um amigo. Até que, um mês depois, plantei as sementes no sítio”, conta Rodrigo, proprietário do Haras Mirante da Ilha, a 10 km de Campo Grande, onde cria cavalo, vacas, carneiro e tilápias, essas fornecidas para a merenda escolar do município.

As sementes vingaram rápido e, transformadas em mudas, resultaram em 20 pés de Carolina Reaper. Animado com a novidade, o produtor acabou com uma área de capim para alimentar os animais e plantou mais pimenta. Atualmente, são 400 plantas em produção.

Então, sem muita prática, os primeiros testes foram marcados por surpresas. “Não conseguia acertar a mão. Colocava no azeite e os vidros estouravam, de tão forte que a pimenta é. Quando comecei a fazer geleia, usava três pimentas para fazer nove potes, mas ninguém conseguia comer”, comenta Rodrigo.

Pimenta em curso

O produtor se inscreveu, então, num curso na internet com um especialista. E assim conheceu alguns segredos e cuidados para manipular a Carolina Reaper. Um deles é o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual), indispensável para evitar contato da pimenta com a pele e permitir respirar normalmente.

Outro aprendizado importante foi a necessidade de deixar a pimenta repousar dez dias antes de ser processada. “Depois do curso, a receita com três pimentas agora rende trinta e três potes de geleia, prontos para o consumo”.

Rodrigo produz artesanalmente geleia tradicional que leva cebola, maçã, laranja e limão e outra com abacaxi no lugar da cebola, além da pimenta em conserva no vinagre e no azeite. Os produtos com a marca “Mirante da Ilha” são vendidos em pequenos comércios de Cariacica e numa pedra da Ceasa.

E a pimenta mais ardida do mundo desperta curiosidade na cidade. Portanto, Rodrigo sempre leva um pote com amostras para os interessados em experimentá-la. “Quase ninguém conhece e quando come chega a sair lágrima do olho. Mas depois que a pessoa acostuma, fica viciada. Toda hora quer comê-la, porque abre o apetite”, garante.

O irmão Flávio Batista (41) foi um desses corajosos. “O sabor dela é muito bom, mas a ardência é muito forte e diferente da pimenta malagueta. Ela abre o apetite, deixa o alimento legal, mas não usada em excesso”, diz o tatuador.

Flávio diz que foi o “termômetro” para o irmão ajustar o sabor da geleia nos primeiros testes. “Quando ele fazia, me chamava para experimentar. No primeiro contato na língua, a impressão é de que vai arder muito. Arde ao se espalhar na boca, mas o sabor doce da geleia sobressai depois”.

Projetos

A aceitação dos consumidores com os produtos caseiros animou Rodrigo Batista a investir em uma agroindústria. Dessa forma, o produtor está montando uma minifábrica e só falta a vistoria para obter o selo da Vigilância Sanitária autorizando a venda das geleias e molhos nos supermercados locais.

“A Prefeitura de Cariacica está ajudando muito com o processo. Já tive encomenda de mil vidros, mas preciso legalizar a minifábrica”, diz.

Rodrigo contratou um funcionário para ajudar na produção e ainda conta com apoio do filho de 16 anos. A ideia é produzir mostarda, molho barbecue, ketchup e pasta básica à base da pimenta Carolina Reaper. Para isso, o produtor está expandindo o pimental. Ele tem 1.000 mudas em produção, e a meta é chegar a 5.000 pés, ocupando mais uma área, de 20 mil m², da propriedade.

Sobre o autor Leandro Fidelis Formado em Comunicação Social desde 2004, Leandro Fidelis é um jornalista com forte especialização no agronegócio, no cooperativismo e na cobertura aprofundada do interior capixaba. Sua trajetória é marcada pela excelência e reconhecimento, acumulando mais de 25 prêmios de jornalismo, incluindo a conquista inédita do IFAJ Star Prize 2025 para um jornalista agro brasileiro. Com experiência versátil, ele construiu sua carreira atuando em diferentes plataformas, como redações tradicionais, rádio, além de desempenhar funções estratégicas em assessoria de imprensa e projetos de comunicação pública e institucional. Ver mais conteúdos