Notoriedade

IG do café do Caparaó está perto de reconhecimento oficial

A área geográfica da Denominação de Origem do Café do Caparaó envolve dez municípios capixaba e seis mineiros

Anselmo Buss Júnior (Inovates) e Afonso Lacerda (Apec) assinam documentos a serem protocolados na INPI. (*Fotos: Divulgação)

O processo de estruturação da Indicação Geográfica (IG) de Denominação de Origem do Café do Caparaó se aproxima da etapa mais importante: o protocolo do pedido de reconhecimento oficial junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Os trabalhos técnicos já estão prontos, e o grupo de produtores aguarda o Instrumento Oficial que delimita a área geográfica do Caparaó, a ser emitido pelo Ministério da Agricultura (Mapa). A informação é do Instituto Inovates, que presta consultoria ao projeto.

Segundo o consultor Anselmo Buss Júnior, a expectativa da liberação da IG pelo INPI é de um ano e meio a dois anos. No caso específico de Denominações de Origem, a oficialização ainda é mais demorada.

No entanto, afirma Buss, o grupo requerente já pode “exercitar ” o uso da Indicação Geográfica. “Até para comprovar junto ao Instituto que tudo está funcionando conforme o planejado. O INPI faz um processo de reconhecimento oficial, mas a região já fica preparada para utilizar as ferramentas da IG ”.

A área geográfica da Denominação de Origem do Café do Caparaó envolve dez municípios capixabas e seis mineiros.
Estão envolvidos na atual fase representantes do Sebrae/ES, institutos federais
do Espírito Santo (Ifes), campus Alegre, e Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e prefeituras dos municípios.

Para Carlos Dutra Barbosa, representante da Caparaó Júnior (Empresa Júnior do Ifes) e integrante do Comitê Gestor para elaboração do dossiê de notoriedade do café, o reconhecimento pelo INPI vai agregar mais valor ao produto.

“Hoje em se falando de cafés especiais, a região do Caparaó tem destaque muito favorável. Esse reconhecimento como território produtor de café agregará mais valor ao produto, visto que ele sai para o mercado com outras marcas. O reconhecimento oficial pelo INPI nos dará autonomia e liberdade para utilizar a marca protegida do território do Caparaó para os cafés locais ”, afirma Barbosa.

A expectativa com o registro é o produtor do Caparaó e a região como um todo conquistarem respeito. “Alguns produtores já estão em destaque e têm mais facilidade pelo reconhecimento dele em particular. Mas o conjunto da obra vai fortalecer mais o desenvolvimento econômico de toda essa cadeia ”.

O presidente da Apec, Afonso Lacerda, comemora o momento. “Iniciamos os trabalhos em 2014 e agora estamos muito próximos de protocolar a IG. É aquilo que nós buscamos desde o início. Em breve estaremos com a marca reconhecida ”, declara.


Sobre a IG

O selo da Indicação Geográfica reconhece reputação, qualidades e características que estão vinculadas ao local onde o produto é conhecido. Este registro comunica ao mundo que a região se especializou e tem capacidade de produzir um artigo diferenciado e de excelência.

No Espírito Santo, possuem o selo o mármore de Cachoeiro de Itapemirim e Vargem Alta, a panela de barro de Vitória, o cacau de Linhares, o socol de Venda Nova do Imigrante e o inhame de São Bento de Urânia (Alfredo Chaves).


Montanhas capixabas avançam na reivindicação do registro

O projeto para Denominação de Origem do Café do Caparaó não é o único envolvendo os cafés capixabas. O Conilon ES e as Montanhas Capixabas também reivindicam o selo da Indicação Geográfica e avançam nas etapas exigidas para obter a certificação.

A IG Montanhas do Espírito Santo se aproxima da etapa de protocolo junto ao INPI. Segundo o vice-presidente da Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (Acemes), Rodrigo Dias, o grupo concluiu dois anos de levantamentos preliminares, com a consultoria do Inovates.

Os trabalhos tiveram início no final de 2015 em 16 municípios da região serrana capixaba com apoio do Ifes (campus Venda Nova do Imigrante), Incaper, Sebrae/ES.

“O registro pleiteado vai confirmar a vocação das montanhas para a produção de cafés especiais. Os municípios vão produzir
1 milhão e 200 mil sacas de Arábica este ano, sendo em torno de 350 mil de cafés especiais com nota acima de 80 pontos. Tratam-se de grãos com corpo e acidez marcantes e muita doçura ”, diz Rodrigo.

Sobre o autor Leandro Fidelis Formado em Comunicação Social desde 2004, Leandro Fidelis é um jornalista com forte especialização no agronegócio, no cooperativismo e na cobertura aprofundada do interior capixaba. Sua trajetória é marcada pela excelência e reconhecimento, acumulando mais de 25 prêmios de jornalismo, incluindo a conquista inédita do IFAJ Star Prize 2025 para um jornalista agro brasileiro. Com experiência versátil, ele construiu sua carreira atuando em diferentes plataformas, como redações tradicionais, rádio, além de desempenhar funções estratégicas em assessoria de imprensa e projetos de comunicação pública e institucional. Ver mais conteúdos