Mais lidas 🔥

Mudanças chegando!
Fenômeno El Niño pode se formar no inverno de 2026; saiba como ficará o clima no Brasil

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 26 de janeiro

Previsão do tempo
Domingo segue com chuva passageira e leve alta das temperaturas no Espírito Santo

Importação e custo de produção
Morango importado abaixo do custo de produção ameaça renda de produtores no ES

Secador a gás
Produtor do norte capixaba aposta em secador a gás para melhorar a qualidade da pimenta-do-reino

O mais complicado desta situação é ver que, mesmo se começássemos a investir hoje em ferrovias para implementar a multimodalidade, levaríamos, pelo menos, de 15 a 20 anos para começar a resolver o problema ”, diz Quintella. Foto: divulgação
A paralisação dos caminhoneiros por conta da escalada no preço dos combustíveis traz à tona um antigo problema logístico brasileiro: a dependência do modal rodoviário. Em meio a estradas interditadas e transportadores de braços cruzados, o agronegócio é justamente o setor que está pagando a conta mais cara desta crise.
Por conta da perecibilidade da carga, agropecuaristas tiveram de colocar o pé no freio para tentar minimizar perdas. A cooperativa C.Vale foi uma das primeiras a anunciar que suspenderia, a partir da quarta-feira (23), o abate de 530 mil frangos e 50 mil tilapias. Mas nem todos conseguiram reduzir prejuízos: sem ter como escoar a produção, cooperativas de leite tiveram de jogar fora milhares de litros do produto e suspender a ordenha dos animais.
Pesquisas indicam que cerca de 80% da carga do agronegócio brasileiro seja transportada por rodovias. “Além de não ser o mais indicado, porque perdemos em competitividade, temos o custo socioeconômico desta questão. São muitas as mortes nas estradas e a qualidade de vida dos caminhoneiros no Brasil também está longe de ser a ideal. Somos um País que optamos pelas rodovias para escoar nossa produção, mas nos esquecemos de cuidar delas ”, acrescenta Marcus Quintella, professor de MBAs da FGV.
“O mais complicado desta situação é ver que, mesmo se começássemos a investir hoje em ferrovias para implementar a multimodalidade, levaríamos, pelo menos, de 15 a 20 anos para começar a resolver o problema ”, destaca ele.
Ele cita como referência estudos de economistas como Claudio Frischtak e Raul Velloso, que apontam a necessidade de o País investir de 4% a 5% do seu PIB por ano, por 20 anos, para equalizar sua questão logística. “Seriam volumes da ordem de US$ 200 bilhões ou mais. É muito dinheiro. Hoje o Brasil investe cerca de 2% do seu PIB. O pior é que, mesmo se tivéssemos todo este dinheiro em cima de uma mesa, não saberíamos direito por onde começar porque não existem projetos ”, lamenta Quintella.
A greve dos caminhoneiros reflete a asfixia que a categoria vem sofrendo nos últimos meses e que foi agravada pela alta do preço do petróleo no mercado internacional e pela elevação do dólar frente ao real. A proposta feita na terça-feira (22) pelo Governo de zerar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) não agradou à classe, que mantém a paralisação.
“Estou em contato com administradores dos portos de Santos, Tubarão e Paranaguá. Todos estão muito preocupados porque as cargas não estão conseguindo chegar e não há sinalização de uma solução imediata para o problema ”, comenta o diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Aluísio Sobreira. De acordo com ele, ainda não há cálculos sobre o impacto negativo da greve, mas os números prometem ser assustadores.
Além de destacar a necessidade de investimentos e de projetos logísticos de longo prazo, Sobreira destaca o peso do ICMS sobre os combustíveis, principalmente em estados como Rio de Janeiro e Pernambuco, onde o imposto incidente ultrapassa 25%.
“Temos um problema estrutural grave, que precisa ser resolvido urgentemente. Não se faz agronegócio competitivo sem logística integrada ”, defende Sobreira.
Promessas: o Plano Plurianual (2016-2019) da Secretaria de Logística e Transporte previa investimentos de mais de R$ 8 trilhões no setor em quatro anos. A expectativa de especialistas é que, ao final do período, o montante desembolsado fique muito aquém do previsto.
fonte: SNA.AGR





