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*Matéria publicada originalmente em 01/10/2019*
Mesmo sob forte calor, que chega a ultrapassar os 35 graus na maior parte do ano, o produtor rural Aldair Menezes Anacleto, de 45 anos, espera colher mais de 20 toneladas de maças na próxima safra, que inicia em outubro. O pomar, de 1.600 plantas distribuídas em 1 hectare, fica na localidade de Córrego do Limoeiro, em Montanha, extremo Norte do Estado.
A cultura, tradicionalmente cultivada nos Estados do Sul do país, em locais de temperaturas mais amenas, foi introduzida no Norte capixaba há cerca de cinco anos. Por enquanto, seu Aldair é o único produtor do Estado que cultiva a fruta para fins comerciais. Na propriedade foram plantadas as variedades Eva, Princesa e Julieta, mais resistentes ao clima tropical.
“Essas variedades foram desenvolvidas pela Embrapa e pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e se adaptam muito bem a locais quentes. Há cinco anos, verificamos que o município de Petrolina, em Pernambuco, já estava produzindo maçãs com bons resultados, e decidimos copiar a ideia. Desde então, estamos trabalhando para adaptar a cultura a nossa região também ”, ressalta o produtor.

As mudas foram adquiridas do Sul do país, com um ano de idade, por R$ 20 cada, e foram plantadas em fileiras de 4 metros e espaçamento de 1,5m entre plantas. O produtor recebe a consultoria de um agrônomo sobre os tratos culturais e afirma que a plantação ainda está em teste. “Apesar da boa adaptação à região, as plantas são pouco resistentes às doenças, e por isso estamos estudando novas variedades para testar aqui ”, afirma.
Aldair ressalta que a principal doença que acomete a fruta é a Glomerella, também conhecida popularmente como “Podridão Amarga ”, que aparece em condições de climas quentes e úmidos, e chega a comprometer grande parte da produção. Os frutos infectados apresentam uma mancha, que se aprofunda na polpa, e apodrecem ainda na pré-colheita e durante o armazenamento.
Contudo, o clima quente favorece a colheita duas vezes ao ano. Conforme o produtor, no Sul do país a safra só ocorre uma vez por ano, porque as macieiras hibernam durante o inverno. Já em regiões quentes, as plantas podem ser estimuladas a produzir a cada 4 meses, por meio da técnica de florada contínua. Na propriedade do seu Aldair, a estimativa é que as colheitas ocorram sempre em maio e outubro.

“Para evitar grandes problemas com pragas e doenças, a gente programou a colheita antes do período chuvoso, entre novembro e dezembro, que é um grande inimigo da maçã por conta das doenças fúngicas, e dos períodos de migração dos pássaros, que devastam todo o pomar ”, explica.
Após cinco anos driblando as dificuldades para adaptar a cultura à região, o produtor sonha alto. O objetivo é aumentar a área plantada nos próximos anos e adquirir uma câmara fria para armazenar a produção. Hoje, as caixas com as frutas são comercializadas em média a R$ 30 para supermercados e hortifrutis de municípios do Norte do Estado.
“Até hoje muita gente não acredita que nós produzimos maçãs aqui na região, porque o pessoal relaciona a fruta só com clima frio, mas estamos provando o contrário. Os pesquisadores brasileiros já desenvolveram essas variedades que permitem plantar maçã em clima quente, que é predominante em nosso país, e isso é uma grande oportunidade para diversificar ainda mais nossa agricultura ”, completa.
Produtor teve que erradicar 900 plantas
No ano passado, o único produtor de maçã do Espírito Santo teve que erradicar 900 plantas da fruta. O pomar foi todo infectado pela Glomerella (Podridão Amarga), que torna a fruta sem valor comercial por conta de manchas na polpa com gosto amargo. Aldair Menezes Anacleto ressalta que o problema ocorreu devido à falta de conhecimento sobre a cultura.
“Foram as primeiras plantas que adquiri. Elas produziram por quatro anos, cheguei a colher 40 toneladas em 2017. No entanto, por conta da falta de experiência, má condução e tratos inadequados, no ano passado tivemos que erradicar a plantação, e perdemos tudo ”, conta.
Ainda em 2018, o produtor plantou mais 1.600 pés de maçã e mudou o trato cultural, com acompanhamento técnico, que tem surtido efeitos positivos. “Nós plantamos as mesmas variedades da fruta, mas mudamos a condução, o manejo e o equilíbrio nutricional do solo, onde conseguimos reduzir o uso de defensivos químicos, resultando em plantas saldáveis e frutas com o mínimo possível de resíduos químicos ”, diz.
Para quem quer começar a cultivar maça em regiões quentes, o produtor afirma que é fundamental procurar consultoria técnica com um profissional que tenha conhecimento de causa com a cultura, e buscar variedades mais resistentes ao clima tropical e doenças. “A maçã precisa de mais de uma variedade para fazer a polinização. Aqui utilizamos a Julieta como polinizadora ”, enfatiza.
As mudas são adquiridas já grandes, com um ano de idade, a R$ 20 em média, e o gasto chega a R$ 40 mil só com mudas para 1 hectare, além dos gastos com preparo de solo, irrigação e defensivos. As plantas começam a produzir um ano após serem plantadas no solo. No entanto, o produtor aconselha interromper a primeira florada.
“Com 30 dias de plantadas, as plantas já começam a florar, mas essa flor a gente não deixa porque a planta ainda não desenvolveu o sistema radicular. Tem que esperar ela formar, e depois de um ano pode induzir ela para produzir ”, explica.






