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*Matéria publicada originalmente em 24/01/2019*
Tomates produzidos no Vale do Caxixe, região entre Venda Nova do Imigrante e Castelo, estão abastecendo os mercados da Argentina, Paraguai e Uruguai. O produto atravessa a fronteira dos países vizinhos, também produtores, principalmente nos meses mais frios do ano.
Em 2018, os Cesconetti lotaram mais de 50 carretas de tomate destinadas ao Mercosul, aproveitando uma janela de 60 dias da “lei da oferta e da procura ”. Foi o segundo ano consecutivo que o produto local atendeu o mercado externo.
“Acaba saindo bastante quando o inverno nos países vizinhos é mais rigoroso e há eventual falha na produção. Poucos produtores do Brasil fazem esse transporte ”, afirma Vanderlei Cesconetti, responsável pela comercialização e logística do empreendimento da família, de Alto Caxixe, distrito de Venda Nova.
Segundo Vanderlei, já houve necessidade de suprir o mercado local com o produto dos “hermanos ”, em vez do contrário.

Os tomates capixabas vão com rastreabilidade, sistema implantado há cinco anos pelos produtores, antes mesmo da obrigatoriedade no Espírito Santo. Com as etiquetas contendo informações sobre as etapas de produção, transporte, armazenamento e comercialização dos hortifrutigranjeiros ficou mais fácil exportar.
Foi um posicionamento certeiro dos Cesconetti. A família sempre esteve um passo à frente em produção, tecnologia e facilidade para se adaptar aos novos mercados. Os investimentos dos produtores em tecnologia de ponta vão desde a irrigação- há 15 anos é por gotejamento, introdução de variedades mais resistentes a doenças, seleção automatizada dos tomates e uso da cadeia de frio para o armazenamento e transporte.
Só a Agro Plantec, empresa da mesma família, comercializa tomate com compradores de 18 Estados brasileiros. “Há dez anos a gente já sabia que produtos rastreados seriam obrigatórios. Os compradores nos alertavam que até 2020 tomates sem rastreabilidade não entrariam nos supermercados. Estamos sempre nos precavendo desde plantar a lavoura até pensar em exportação ”.

Sistema também implantado há dois anos por Geraldo Gobbi e o filho Cassiano, também de Alto Caxixe, produtores do tomate Piazzadoro (tomate italiano). Apesar de ainda não exportarem, pai e filho investiram em rastreabilidade depois de quase tomarem prejuízo.
“Tempos atrás teve um problema com o produto em São Paulo que se não tivéssemos etiqueta nos daria um terrível prejuízo. Nela constam os responsáveis por cada roça de tomate e foi fácil chegar a uma solução e não perder mercado ”, relata Cassiano, responsável pelas vendas.
O galpão da família também dispõe de tecnologia de ponta para o beneficiamento de tomate. Do local saem 70 mil caixas de 20 kg por mês para o Espírito Santo, Minas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Mato Grosso e Pernambuco.
Número de produtores reduziu
A colheita do tomate está no seu ápice no Vale do Caxixe. Depois de dois anos de preços baixos e problemas climáticos, o produto está mais valorizado. “No entanto, os produtores continuam descapitalizados e precisam deste momento para melhorar o capital de giro ”, avalia Vanderlei Cesconetti.
Por conta das cotações do último biênio, do solo saturado e da escassez de mão de obra, o total de produtores de tomate em Alto Caxixe caiu pela metade. De acordo com o secretário Municipal de Agricultura, Alexandre Fileti, até 2015 cerca de 30 produtores cultivavam tomate na região. Atualmente, apenas os grandes produtores seguem investindo na atividade.
O quadro se reflete também diminuição das lavouras na região. Porém, o Alto Caxixe, na zona rural de Venda Nova, ainda concentra os maiores produtores capixabas, observa Cesconetti.
Os plantios migraram para áreas arrendadas na região serrana e estão presentes em pelo menos 11 municípios, incluindo a divisa com Minas Gerais, com previsão de safra de 70 mil toneladas. Apesar disto, 50% dos tomatais ainda estão na área conhecida pela produção. A outra metade abriu espaço para cultivos de milho para silagem, feijão, pastagem e olericultura.
“Mesmo não cultivando em grandes proporções, o Alto Caxixe e o entorno ainda beneficiam grande volume de tomate em função da alta tecnologia aplicada pelos produtores ”, ressalta Vanderlei Cesconetti.
No ano passado, pequenos produtores passaram a apostar em cultivos em estufa de tomate cereja ou GRAP. A variedade surgiu como oportunidade de mercado e a colheita é manual.

Tradição e inovações na 33ª Festa do Tomate
Independentemente da situação do mercado, o tomate será sempre motivo de festa em Alto Caxixe. A 33ª Festa do Tomate está marcada para os dias 1, 2 e 3 de fevereiro no Centro de Eventos “Tomatão ” (Confira programação abaixo). Como ocorre desde sua primeira edição, o evento comemora a época da colheita da fruta que trouxe projeção à região.
Com o tema “Religião- A influência do catolicismo nas festividades comunitárias ”, a organização da Festa pretende destacar a religiosidade das famílias de imigrantes italianos locais e sua contribuição para manter tradições e promover o desenvolvimento da comunidade. São aguardadas 40 mil pessoas, além de 600 voluntários em diversos setores da Festa.
A 33ª do evento promete novidades para agradar ao público. Criada há dois anos, a Casa do Tomate vai ampliar o seu cardápio a base da fruta. Além da compota, do doce cristalizado em pedaços, do extrato, do tomate recheado e da salada caprese, vai ter hambúrguer e porção de tomate frito.
Segundo o presidente do Conselho Comunitário, Luciano Pravato, as receitas foram desenvolvidas por voluntárias, em sua maioria mulheres de produtores. A renda com a venda dos pratos é para a comissão da Festa. No domingo (03), a Casa do Tomate vai sediar uma aula show sobre preparação de pratos com tomate com o chef Ari Cardoso.
Concurso
Outra atração da Festa de volta à programação desde 2018 é o Concurso de Qualidade de Tomate, com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura de Venda Nova. A competição espera a participação de 20 produtores.
De acordo com Pravato, as frutas serão colhidas na sexta-feira (1º) e ficarão expostas durante todo o evento. Os produtos serão julgados por um júri técnico formado por alunos do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Venda Nova. As análises serão 50% sensoriais e 50% laboratoriais.
O produtor do tomate campeão vai ganhar R$ 3.000,00, seguido do segundo colocado (R$ 2.000,00) e do terceiro (R$ 1.000,00).







