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Charcutaria capixaba se destaca e ganha prêmio nacional

A Finocchiona possui um perfume ímpar, sabor suave e inesquecível

Matéria publicada originalmente 10/05/2021

Um conjunto de experiências, memórias e paixão pela arte da charcutaria inspiraram a produção da “Finocchiona”, salame preparado pelo chef Duaine Clements, na Charcutaria Novo Imigrante, em Venda Nova do Imigrante, região serrana capixaba, que conquistou o segundo lugar no “Prêmio Brasil Artesanal 2020 – Charcutaria”.

Além do Espírito Santo, foram dois finalistas do Rio Grande do Sul, um do Paraná e outro de Minas Gerais. Os prêmios foram R$ 3 mil para o vencedor e R$ 1,7 mil para o vice-campeão, além de certificados. O terceiro colocado recebeu R$ 1 mil, enquanto o quarto e o quinto lugar, R$ 500 e R$ 300, respectivamente.

Os cinco finalistas passaram por uma primeira etapa classificatória e eliminatória, onde a Comissão Julgadora avaliou uma série de características dos produtos, como textura, aroma, sabor, nível de gordura, entre outros. Já na segunda etapa, o júri convidado degustou os salames e votou no que mais agradou o paladar.

O prêmio é uma iniciativa do Programa de Alimentos Artesanais e Tradicionais do Sistema CNA/Senar, que oferece soluções e alternativas para pequenos e médios produtores rurais agregarem valor aos produtos. O objetivo da edição deste ano, realizada em parceria com a Academia da Charcutaria, é valorizar a produção de salames artesanais e reconhecer a qualidade dos produtos existentes no país. A marca Novo Imigrante era a única capixaba na disputa.

O chef Duaine Clements é um americano radicado na Região Serrana do Espírito Santo. Mudou-se para Venda Nova a convite de Cida Gomes, para comandar o restaurante Quinta dos Manacás, com a maestria que lhe é peculiar.

A paixão pela charcutaria, alimentada pelo desejo de resgate das origens portuguesas e espanholas de Cida- cujos pais e avós preparavam os salames em casa, o levaram a produzir peças para o restaurante. E devido ao interesse dos frequentadores em levar o produto para consumir em casa, fundou a marca Novo Imigrante Charcutaria em 2018.

O empreendimento conta ainda com outras peças em charcutaria bovinas, suínas e ovinas. Pastrami, bresaola, coppa, speck, fiocco, lonza, bacon e pernil de cordeiro estão entre as produções já conhecidas. As novidades lançadas em dezembro são o capocollo e o salame calabresa.

O salame premiado

A Finocchiona possui um perfume ímpar, sabor suave e inesquecível. Com seus estudos e conhecimento da arte da charcutaria, Duaine aperfeiçoou a antiga receita com os produtos locais, do nosso terroir, como a erva funcho nativa da região, que acrescenta ao produto o sabor e o aroma que a diferenciam e destacam.

É um salame de médio calibre embutido em tripa natural, produzido com paleta suína, toucinho, sal e funcho (finocchio, em italiano). A flor de funcho das montanhas dá um toque especial à Finocchiona, que é maturada por um período entre 30 e 60 dias. Seu sabor é suave e levemente picante, com toque que remete à erva doce.

“Não é preciso buscar tempero fora porque nós temos produtos incríveis no Espírito Santo. Precisamos valorizar os ingredientes locais porque eles têm qualidade. A Novo Imigrante Charcutaria é a minha paixão e fico muito feliz de ter participado e conquistado o segundo lugar. É um sentimento gratificante ter o trabalho reconhecido e saber que estamos fazendo produtos de qualidade”, disse o chef.

Cida Gomes também comemora a premiação. “O Prêmio foi um projeto maravilhoso que estimulou nós produtores. Parabenizo a todos que participaram e também por incentivar nossa área de charcutaria no Brasil”, afirmou Cida.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, a premiação a um produtor capixaba é motivo de muita alegria. “Dentro de um universo com outros Estados também de produção artesanal tradicional, a premiação da Charcutaria Novo Imigrante é, sem dúvida, um feito épico. Parabenizamos o vencedor capixaba e também agradecemos às colônias europeias que estão aqui, pois são ensinamentos que atestam a tradição que temos com as gerações passadas e que agora o conhecimento avança do consumo próprio para geração de renda. Esperamos que junto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (Senar-ES) tenhamos mais pessoas integrando as agroindústrias”.

Sobre o autor Leandro Fidelis Formado em Comunicação Social desde 2004, Leandro Fidelis é um jornalista com forte especialização no agronegócio, no cooperativismo e na cobertura aprofundada do interior capixaba. Sua trajetória é marcada pela excelência e reconhecimento, acumulando mais de 25 prêmios de jornalismo, incluindo a conquista inédita do IFAJ Star Prize 2025 para um jornalista agro brasileiro. Com experiência versátil, ele construiu sua carreira atuando em diferentes plataformas, como redações tradicionais, rádio, além de desempenhar funções estratégicas em assessoria de imprensa e projetos de comunicação pública e institucional. Ver mais conteúdos