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Matéria publicada originalmente 03/08/2019
Segundo o Incaper, 54% da produção de café do Espírito Santo vem da agricultura familiar. Neste contexto, a permanência cada vez maior dos filhos e netos dos agricultores no campo, dando prosseguimento aos agronegócios familiares, sinaliza a continuidade de atividades como a cafeicultura. A nova geração está fazendo o êxodo rural ao contrário e se mostra satisfeita com a escolha.
O diálogo, o respeito e a clareza de ideias entre os membros envolvidos são imprescindíveis para a satisfação nos negócios.
“No momento certo da transição, os pais devem confiar, delegar e transmitir conhecimentos. Este período é necessário. Filhos e netos devem contar com a experiência dos mais velhos e estes, por sua vez, saber que a nova geração vai chegar com outros conhecimentos. Não adianta falar de sucessão se não houver clareza de pensamento para quem vai abrir mão do controle das coisas ”, destaca o engenheiro Lucas Venturim, que junto com os irmãos toca a Fazenda Venturim (foto abaixo), em São Domingos do Norte.
A propriedade se destaca pela inovação na oferta do café Conilon sem misturas. Para Lucas, outro aspecto importante no trabalho familiar é a sustentabilidade econômica.
“O jovem não vai ficar na roça se tiver uma condição financeira pior do que teria na cidade. Ele quer dignidade. Morar no campo, mas estar totalmente integrado com o mundo. Ele quer o que vê na internet, nas redes sociais, e trazer inovação para os negócios da família ”.
O irmão Isaac Venturim, formado em administração rural, acrescenta ainda a necessidade de profissionalização para a permanência do jovem no meio rural.
“É relevante a capacitação para encontrar mais facilidade na execução do trabalho na fazenda e valorizá-lo. Quando se consegue isto, a nova geração alcança melhor remuneração e qualidade de vida ”, diz.

Outra experiência bem-sucedida no compartilhamento familiar na produção de cafés é da família Orletti, da Fazenda Vitório Orletti, em Pinheiros, no Extremo Norte do Estado. A propriedade é bastante tradicional no cultivo de Conilon, com processamento de 10 mil sacas da espécie, e soube empreender para lidar com as adversidades climáticas da região.
Três dos quatro filhos do cafeicultor Adauto Orletti estão envolvidos no negócio, dentre eles Thiago, para quem o diálogo e a clareza nos objetivos são fundamentais.
“É preciso entender onde estamos e aonde queremos chegar, e isto deve estar claro para todos os envolvidos. É importante as lideranças mostrarem o caminho que se quer seguir. No nosso dia a dia, conduzimos isto com muita conversa, explanação, ninguém é pego de surpresa. Todo projeto a ser implantado é discutido em família. O diálogo e o respeito são fundamentais ”, define Thiago Orletti.
Em Forquilha do Rio, a poucos quilômetros da entrada capixaba do Parque Nacional do Caparaó, José Alexandre Lacerda se mostra esperançoso com o interesse do filho João Vitor, de 16 anos, nos negócios. Ele gostaria de ver o rapaz cursando futuramente uma faculdade na área de cafeicultura para ajudar com conhecimento técnico, além do prático que já adquiriu com o pai e o avô, Onofre Lacerda.
“A sucessão familiar é fundamental para dar sequência ao trabalho iniciado lá atrás pelo meu pai. É bom ver meu filho atuando com gosto, mas também é necessário dar suporte para ele trabalhar. Hoje, as condições da roça não são diferentes da cidade, aqui se tem qualidade de vida ”, conclui Lacerda.






