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A La Niña ainda está oficialmente em curso no Oceano Pacífico, mas os sinais mais recentes indicam que o fenômeno climático entra em sua fase final. Dados divulgados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que, embora a superfície do oceano siga mais fria em áreas estratégicas, o comportamento das águas mais profundas aponta para uma transição ao longo de 2026.
De forma simples, a La Niña acontece quando as águas superficiais do Pacífico equatorial ficam mais frias que o normal por um período prolongado, alterando ventos, chuvas e temperaturas em várias partes do mundo. Atualmente, essas águas ainda estão com temperatura abaixo da média, principalmente nas regiões conhecidas como Niño 3 e Niño 3.4, que são usadas como referência internacional para monitorar o fenômeno.
O que muda agora está abaixo da superfície. Desde meados de dezembro de 2025, os cientistas observaram um aquecimento progressivo das camadas mais profundas do oceano, entre 100 e 300 metros. Esse calor, que vinha represado, começou a avançar em direção ao centro e ao leste do Pacífico, enfraquecendo a base oceânica que sustenta a La Niña.
Esse processo ocorre por meio das chamadas ondas de Kelvin, grandes deslocamentos de calor dentro do oceano que se formam quando os ventos alísios perdem força. O relatório da NOAA mostra que essas ondas passaram a atuar com mais intensidade nas últimas semanas, sinalizando que o resfriamento do Pacífico está perdendo consistência.
Na prática, isso significa que a La Niña continua existindo na superfície, mas já não tem a mesma “energia” por baixo. É por isso que o Índice Oceânico Niño (ONI), que mede a intensidade do fenômeno, ficou em -0,5 °C no trimestre entre outubro e dezembro de 2025, exatamente no limite mínimo que caracteriza uma La Niña. Valores próximos desse patamar indicam um evento fraco e em processo de dissipação.
A atmosfera também começa a refletir essa mudança. Os padrões de vento e de formação de nuvens, que costumam ser bem organizados durante episódios clássicos de La Niña, passaram a mostrar maior variabilidade. Em outras palavras, o fenômeno ainda influencia o clima global, mas de forma menos consistente e mais irregular.
Segundo a NOAA, há 75% de probabilidade de que o Pacífico entre em fase de neutralidade climática entre janeiro e março de 2026. Isso significa que nem La Niña nem El Niño devem predominar, ao menos até o fim da primavera no Hemisfério Norte.
Esse período de transição costuma ser marcado por maior imprevisibilidade climática. Sem um fenômeno dominante no Pacífico, o clima tende a responder mais a fatores regionais, o que pode resultar em alternância mais frequente entre episódios de chuva intensa, calor e períodos secos, especialmente na América do Sul.
Em resumo, a La Niña de 2025/2026 não termina de forma abrupta. Ela está sendo “desmontada” gradualmente, de baixo para cima, à medida que o calor retorna às profundezas do oceano. É esse movimento silencioso, invisível para quem observa apenas a superfície, que indica que o sistema climático global já começa a se reorganizar para um novo cenário em 2026.




