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Janeiro já atingiu sua metade e o fenômeno El Niño segue atuando com forte intensidade no Oceano Pacífico Equatorial, de acordo com os últimos dados divulgados pela agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos.
O “menino” continua a trazer águas mais aquecidas do que o normal na faixa equatorial, processo que se iniciou no último outono com a declaração do evento em junho passado.
Os números mostram que o El Niño continua ao redor do seu pico de intensidade com valores próximos da maior anomalia de temperatura da superfície do mar deste evento do fenômeno e que foi alcançada no últimos mês de novembro no Pacífico Equatorial Centro-Leste, região designada para identificar se há El Niño ou La Niña.
Conforme a mais recente atualização semanal da NOAA, publicada no boletim da última segunda-feira (15), a anomalia de temperatura da superfície do mar era de 1,9ºC na denominada região Niño 3.4, que compreende o Pacífico Equatorial Centro-Leste. A região é a usada oficialmente na Meteorologia como referência para definir se há El Niño e ainda avaliar qual a sua intensidade.
O valor positivo de 1,9ºC está na faixa de transição de El Niño forte (+1,5ºC a +1,9ºC) a muito forte (igual ou acima de 2,0ºC que é de Super El Niño). O último trimestre (outubro a dezembro) teve valor médio de 1,9ºC no nesta região do Pacífico, conforme o chamado ONI (Oceanic Niño Index) da NOAA.
Considerando os valores registrados em novembro, no mês de dezembro e o primeiro boletim semanal de janeiro, a tendência é que o trimestre de novembro a janeiro termine com um valor de ONI ainda muito alto, que estimamos ao redor de 1,8ºC e 1,9ºC. Isso porque nos boletins semanais de novembro as anomalias foram, respectivamente, de 1,8ºC; 1,8ºC; 1,9ºC; 2,1ºC; e 2,0ºC. Já nos boletins de dezembro, respectivamente, as anomalias semanais foram de 1,9ºC; 2,0ºC; 2,0ºC; e 2,0ºC. Os dois boletins de janeiro até agora indicaram anomalias de 1,9ºC. Assim, se o trimestre novembro a janeiro se encerrasse nesta terça-feira (16), a média trimestral seria de +1,93.
Todos os principais modelos de clima indicam a persistência da fase quente (El Niño) no restante deste verão com condições quentes anômalas na região do Pacífico Equatorial Centro-Leste, usada para a designação dos fenômenos Niño e Niña, ao menos até o mês de março com alguns modelos estendendo até abril ou maio. De acordo com a análise da MetSul, a tendência é de as condições de El Niño persistirem em janeiro, fevereiro e ao menos em parte de março, iniciando-se uma transição para uma fase de neutralidade (ausência de El Niño e La Niña) no decorrer do outono astronômico, em especial entre os meses de abril e maio. Não há qualquer sinalização de La Niña configurada no fim do verão ou no começo do outono, mas entre março e abril podem ser registradas anomalias negativas no Pacífico Leste, nas costas do Peru e do Equador, em região que não é a usada para designar se há El Niño ou La Niña canônico.



