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O último boletim semanal sobre o estado do Pacífico da agência climática dos Estados Unidos indicou que a anomalia de temperatura da superfície do mar era de 1,5ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central.
Essa região é a usada oficialmente na Meteorologia como referência para definir se há El Niño e ainda avaliar qual a sua intensidade. O valor positivo de 1,5ºC está na faixa de transição de El Niño moderado (+1,0ºC a +1,4ºC) e El Niño forte (+1,5ºC a +1,9ºC). O que chama a atenção é que, enquanto a maioria dos modelos de clima projetava que o El Niño se intensificaria neste mês de outubro, a tendência nas últimas três semanas foi de estabilidade. Os boletins de 27 de setembro, 4 de outubro e 11 de outubro vieram com o mesmo valor de anomalia de 1,5ºC.
A maior anomalia até agora neste episódio de El Niño, que se iniciou em junho, foi de 1,7ºC e registrada no boletim da semana de 20 de setembro. Foi a maior anomalia observada na região Niño 3.4 desde a semana de 9 de março de 2016, quando a anomalia foi de 1,8ºC. Por outro lado, a região Niño 1+2, está com anomalia de +2,3ºC, com El Niño costeiro muito forte junto ao Peru e Equador, aquecimento na região que teve início no mês de fevereiro e que atingiu o seu máximo de intensidade durante o inverno. A maior anomalia de El Niño costeiro na região Niño 1+2 neste ano se deu na semana de 19 de julho com 3,5º C.
Os australianos entendiam que, embora o critério de oceânico estivesse preenchido, a atmosfera ainda não estava respondendo como se estivesse em El Niño, o que, segundo o centro da Austrália, passou a ocorrer em setembro. O El Niño trata-se de um fenômeno oceânico-atmosférico em que há alterações tanto das condições no mar como da atmosfera, impactando o clima em escala global.
Anomalias entre 0,5ºC e 0,9ºC são de El Niño de fraca intensidade; entre 1,0ºC e 1,4ºC de moderada intensidade; de 1,5ºC a 1,9ºC de forte intensidade; e acima de 2,0ºC de muito forte intensidade ou Super El Niño. No Super El Niño de 2015-2016, a maior anomalia semanal observada na região Niño 3.4 foi de 3,0ºC em 18 de novembro. Já no Super El Niño de 1997-1998, o máximo de anomalia nesta área do Pacífico atingiu 2,3ºC em dezembro de 1997 e no começo de fevereiro de 1998. No Super El Niño de 1982-1983, o máximo foi de 2,6ºC na última semana de 1982.
A tendência é de o fenômeno El Niño seguir influenciando o clima nos próximos meses. Ao menos até o começo ou o meio do outono de 2024 são esperadas condições de fase quente do Oceano Pacífico Equatorial. De acordo com a maioria dos modelos de clima, o pico de intensidade do El Niño se daria entre novembro e dezembro.
Conforme análise da NOAA, a probabilidade de El Niño será ainda de 80% no trimestre março a maio de 2024. A probabilidade de neutralidade supera a de El Niño apenas no trimestre maio a julho de 2024. Assim, o restante desta primavera e todo o verão de 2024 ainda terão a presença do El Niño pelas projeção da agência de clima norte-americana. A transição para uma fase de neutralidade, com o fim do episódio de El Niño de 2023/2024, somente se daria durante o outono do próximo ano, mais possivelmente entre meados de abril e maio.



