Mais lidas 🔥

Previsão do tempo
Molion prevê década de frio até 2035; primeira onda polar deve chegar ao Brasil em maio

Agricultura Capixaba
Cacau em Conceição do Castelo: 3 mil mudas entregues a produtores

Fruticultura
Abacaxi fluminense impulsiona a fruticultura e fortalece a agricultura familiar

Mudança no tempo
Frente fria e ar polar trazem queda de temperatura ao Sul e Sudeste

Preservação ambiental
Conceição da Barra: peixe Mero será oficialmente patrimônio natural local
Estudo desenvolvido pelaEmbrapa, Universidade de Fortaleza (Unifor)e Universidade Federal do Ceará (UFC) comprovou efeitos do maracujá-alho (Passiflora tenuifila Kilip) para reduzir tremores similares aos do mal de Parkinson e de outros distúrbios relacionados à coordenação motora e ao sistema nervoso central. Os testes realizados com ratos em laboratório abrem caminho para a produção de alimentos funcionais e fitoterápicos, mas ainda carecem de outros ensaios clínicos que comprovem uma dose segura e eficaz para o uso em humanos.
Os resultados foram publicados recentemente naFood Research Internationale noJournal of Functional Foodse contribuem também para a agregação de valor a essa espécie silvestre de maracujá, ainda pouco estudada. Os estudos científicos foram motivados por conhecimentos oriundos do uso popular, no qual o chá da fruta seca é usado para aliviar tremores. O nome “maracujá-alho ” nasceu da proximidade de aroma com o bulbo.
A pesquisa é um passo importante para o desenvolvimento de um possível ingrediente para a indústria de alimentos funcionais ou de medicamentos. Segundo o pesquisadorNedio Jair Wurlitzer, daEmbrapa Agroindústria Tropical(CE), o experimento demonstrou que o maracujá-alho não apresenta toxicidade. Além disso, expressou efeito funcional promissor como agente ansiolítico, hipnótico-sedativo, anticonvulsivante e antitremor, possivelmente relacionados com os compostos fenólicos presentes.
“Os impactos potenciais dessa pesquisa se relacionam à oferta de um ingrediente funcional, com ação protetiva ou para controle de sintomas tipo tremor essencial ou parkinsonismo ”, revela Wurlitzer. Ele argumenta que o resultado abre novas possibilidades para empresas dos ramos de alimentação e saúde, bem como para produtores agrícolas interessados no cultivo da fruta.
Ciência agrega valor a espécies silvestres de maracujáO estudo foi um desdobramento de pesquisas realizadas com o objetivo de valorizar espécies silvestres de maracujá. De acordo com a pesquisadoraAna Maria Costa, daEmbrapa Cerrados(DF), embora existam no Brasil mais de 150 espécies de maracujá, a metade delas com frutos comestíveis, o maracujá-amarelo (PassifloraedulisSims) reina praticamente sozinho no mercado comercial. Os estudos para valorização de maracujás nativos da biodiversidade brasileira tiveram participação de pesquisadores de todo o País, dentro da redePassitec, coordenada pela pesquisadora.
Entre os inúmeros resultados das pesquisas, destaca-se o lançamento da cultivarBRS Vita Fruit(BRS VF), obtida por meio do melhoramento genético convencional a partir de populações dePassiflora tenuifila Killipde diferentes origens, principalmente da região do Cerrado do Planalto Central. O trabalho incluiu também o desenvolvimento de soluções relacionadas ao sistema de produção e ao aproveitamento dos frutos. “Um dos grandes problemas era a dificuldade de germinação das sementes desse maracujá silvestre ”, como explica a pesquisadoraRita Pereira, da Embrapa Agroindústria Tropical, que atuou com o sistema de produção do fruto no Ceará. Ela explica que conseguiu solucionar o problema alterando o método tradicional de produção das mudas. “As sementes não foram lavadas e esse detalhe contribuiu para a germinação ”, diz. |
Pesquisa utilizou modelo experimental para Parkinson
O objetivo do estudo foi avaliar a composição química, toxicidade e efeito funcional em um modelo experimental para doença de Parkinson. As avaliações de toxicidade e efeitosin vivono sistema nervoso central foram realizadasna Unifor, com participação de três professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Adriana Rolim, Cristina Moreira e Renato Moreira, e também da pós-graduanda Karine Holanda, da UFC.
Foram usados frutos (casca, polpa e sementes) triturados e liofilizados. Os sintomas do mal de Parkinson foram induzidos em ratos de laboratório por rotenona, uma substância utilizada em modelos experimentais para a enfermidade. Os animais foram tratados com doses diáriasda frutapor 21 dias. |
Os roedores que receberam doses de maracujá-alho (200 e 400 mg/kg) apresentaram diminuição na atividade locomotora sem alterações na coordenação motora, indicando uma ação sedativa sem relaxamento muscular. Também apresentaram aumento no comportamento de exploração, indicando uma atividade ansiolítica.
Na avaliação do efeito antitremor, os testes comportamentais indicaram que o consumo de maracujá-alho causou uma melhoria e possível efeito de recuperação dos danos. Além disso, a fruta provocou um aumento no nível de dopamina no cérebro dos animais. Esse nível de dopamina foi similar ao apresentado pelos animais que receberam carbidopa/L-dopa, substância que normalmente é utilizada no tratamento da doença.
“Os resultados obtidos no nosso estudo foram muito importantes, pois evidenciaram que além da ausência de toxicidade, o maracujá-alho possui efeito ansiolítico, sedativo, anticonvulsivante e neuroprotetor, tornando-o uma fonte promissora de compostos funcionais com efeitos no sistema nervoso central ”, conclui Adriana Rolim.
Artigos científicos publicadosO artigo “Passiflora tenuifila Killip: assessment of chemical composition by 1H NMR and UPLC-ESI-Q-TOF-MSE and its bioactive properties in a rotenone-induced rat model of Parkinson’s disease ”foi publicado noJournal of Functional Foods.O texto, dos pesquisadores da Embrapa, Unifor e UFC, mostra que a composição química do fruto indica um alto teor total de fibras alimentares, polifenóis totais e atividade antioxidante. No modelo de parkinsonismo, os testes indicaram que o consumo de maracujá-alho causa melhora e possível efeito de recuperação dos danos induzidos pela rotenona. “Garlic passion fruit (Passiflora tenuifila Killip): assessment of eventual acute toxicity, anxiolytic, sedative, and anticonvulsant effects using in vivo assays ” é o título do artigo publicado naFood Research International.O objetivo do trabalho foi avaliar a composição fenólica e efeitos de toxicidade aguda, ansiolítico, sedativo e anticonvulsivante, utilizando ensaiosin vivo. O artigo, que reúne pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, Embrapa e Unifor, revela que aPassiflora tenuifila Killipnão apresentou toxicidade aguda e teve efeito promissor como agente ansiolítico, hipnótico-sedativo e anticonvulsivo, o que pode estar relacionado à sua composição química (flavonoides e ácidos fenólicos). |




