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Pecuária leiteira

Entidades do ES repudiam campanha contra leite de vaca

por Fernanda Zandonadi

em 31/08/2023 às 14h39

5 min de leitura

Entidades do ES repudiam campanha contra leite de vaca

Foto: reprodução/redes sociais

Em um vídeo que viralizou nas redes sociais nos últimos dias, o ator e apresentador Márcio Garcia critica o consumo de leite de vaca. Na campanha, encabeçada pela organização Mercy for Animals, imagens de animais magros, com mastite e sendo ordenhados mecanicamente. A voz do artista narra que as vacas passam a maior parte de suas vidas confinadas. E ele questiona: “Será que todo esse sofrimento vale mesmo a pena por um copo de leite de vaca?”, conclamando a todos para pararem de beber leite por uma semana, já que ele não toma a bebida há mais de 20 anos.

A publicidade gerou uma enxurrada de notas de repúdio das entidades pecuaristas e também de produtores. No Espírito Santo, vários influenciadores do agro mostraram seus rebanhos fortes e bem cuidados e questionaram as palavras do ator. A Associação Capixaba dos Criadores de Nelore (ACCN) emitiu uma nota em que ressalta que o produtor de leite tem consciência das normas de bem-estar animal, já que o resultado da produtividade depende diretamente delas. “O verdadeiro pecuarista zela por seus animais e pela conservação ambiental, seguindo rigorosos padrões sanitários a fim de garantir a seguridade ao consumidor final”. 

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A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil também se posicionou. “Não é de interesse de nenhum pecuarista causar dor e sofrimento aos bovinos. Isso não faz sentido, já que é de conhecimento básico de todos os que vivenciam o dia a dia nas fazendas que animais estressados não produzem bem. Diante disso, qual produtor vai querer causar prejuízos econômicos a si mesmos?”, questionam, enfatizando que as imagens apresentadas no vídeo não estão relacionadas a um ambiente profissional e que a realidade é bem diferente. 

A Frente das Associações de Bovinos do Brasil (FABB) emitiu uma nota de repúdio em que fala que materiais como o divulgado não refletem a realidade nas fazendas produtoras de leite no Brasil. “A produção leiteira no Brasil segue uma série de exigências ligadas à sanidade, segurança alimentar e bem-estar animal, medidas desenhadas para melhorar a qualidade e a competitividade do setor lácteo. Para as indústrias, a preocupação vai desde o bem-estar animal ao padrão de contagem bacteriana, passando pela contagem de células somáticas (células de defesa) e transporte. O produtor de leite, instituições de pesquisa e empresas sérias entendem que situações de estresse para o animal impactam diretamente no bem-estar e na produtividade. Por essas e outras razões, as práticas de manejo na cadeia produtiva são feitas para garantir qualidade de vida aos bovinos e ainda evitar prejuízos”.

O médico veterinário e auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura (Mapa), Everton Josué Poleto postou um vídeo em suas redes sociais onde fala que há mais de 20 anos acompanha a cadeia produtiva de leite. “No momento estou aqui como cidadão com algum conhecimento de causa me juntando e me solidarizando com os milhares de produtores de leite deste país para repudiar as palavras de uma figura pública que atacou de forma covarde o sistema produtivo leiteiro nacional”.

“Em hipótese alguma aquilo que foi colocado é a realidade. Nem é possível dizer que as imagens gravadas são daqui do Brasil, elas podem ter sido gravadas em qualquer lugar do mundo. Ao contrário do que foi mostrado, há muito tempo se associa a maior produção e qualidade do leite com práticas de bem-estar animal. Quanto mais confortável estiver uma vaca, mais dinheiro ela deixa no bolso do produtor. Se o seu ganha pão viesse da atividade leiteira, como você trataria suas vacas”, questiona. 

Confira a nota completa da FABB:

“A Frente das Associações de Bovinos do Brasil (FABB) repudia veementemente o vídeo do ator Márcio Garcia publicado em redes sociais com informações equivocadas sobre a origem do leite. O material disseminado em larga escala na web falta com a verdade e induz o consumidor a acreditar que o processo de produção leiteira é um problema, quando de fato, se trata de importante meio para a segurança alimentar no mundo. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de leite, com mais de 34 bilhões de litros por ano e com produção em 98% dos municípios brasileiros, tendo a predominância de pequenas e médias propriedades, empregando cerca de 4 milhões de pessoas. O leite e seus derivados são alimentos de origem animal de excelente qualidade nutricional. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), o leite de vaca possui 87% de água e 13% de outros componentes sólidos importantes, como cálcio, potássio, fósforo e vitaminas A e B. O alimento ajuda na formação da massa óssea, crescimento e fortalecimento do sistema imunológico e dos dentes. A produção leiteira no Brasil segue uma série de exigências ligadas à sanidade, segurança alimentar e bem-estar animal, medidas desenhadas para melhorar a qualidade e a competitividade do setor lácteo. Para as indústrias, a preocupação vai desde o bem-estar animal ao padrão de contagem bacteriana, passando pela contagem de células somáticas (células de defesa) e transporte. O produtor de leite, instituições de pesquisa e empresas sérias entendem que situações de estresse para o animal impactam diretamente no bem-estar e na produtividade. Por essas e outras razões, as práticas de manejo na cadeia produtiva são feitas para garantir qualidade de vida aos bovinos e ainda evitar prejuízos. Reforçamos que a produção de leite é um dos pilares do agronegócio brasileiro e fonte de alimentação de fácil acesso para a população mundial. Materiais como o divulgado não refletem a realidade nas fazendas produtoras de leite no Brasil – principalmente, diante do cenário atual, em que o setor é altamente penalizado com as importações desenfreadas, diminuindo a competitividade e prejudicando a economia nacional. Quem produz leite neste país trabalha com responsabilidade e compromisso“.

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