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Solução para as lavouras de café vem da pesquisa de estudantes

por Redação Conexão Safra

em 23/05/2014 às 0h00

7 min de leitura

Através de uma empresa júnior, alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) de Alegre dão assistência técnica ao pequeno produtor. Após 04 anos, a Caparaó Júnior comemora crescimento e se consolida como referência nacional.


Cibele Maciel

cibeledovale@yahoo.com.br


Quando a Caparaó Júnior foi fundada em 15 de abril de 2010 a ideia era possibilitar aos alunos do Curso de Tecnologia em Cafeicultura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes), Campus de Rive, município de Alegre, uma maneira de praticar a atividade de extensão rural. Às vésperas de completar 4 anos, a empresa comemora o crescimento se consolidando e expandindo a área de atuação. Atualmente a Caparaó Júnior tem parceria com empresas privadas e prefeituras o que possibilita o atendimento a 11 municípios e 1700 lavouras. O trabalho vem se proliferando e já recebeu vários prêmios, chegando ao estado de Minas Gerais além de ser considerado referência nacional.

A empresa júnior do Ifes de Rive está constituída por meio de uma associação de alunos do Curso de Tecnologia em Cafeicultura, tendo como atividade principal a prestação de serviços de agronomia e consultorias a atividades agrícolas. Como não possui fins lucrativos, é isenta de alguns tributos, o que a torna atraente para clientes pela combinação da qualidade nos serviços prestados e o baixo custo para executá-los. Quem explica é o Professor João Batista Pavesi, um dos fundadores da Caparaó Júnior. “Ao mesmo tempo em que a empresa configura uma oportunidade de aprendizagem empreendedora para os alunos, proporciona experiência profissional supervisionada por orientadores, facilitando-lhes a inserção no mercado de trabalho após conclusão do curso ”, diz.

A ideia de implantar a Caparaó Júnior na região surgiu da intenção de atender um grande número de produtores com prestação de serviços facilitada.“Com o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) próprio poderíamos executar o trabalho. No início começamos a atender produtores organizados em associações. Funciona da seguinte maneira: ouvimos a comunidade, elaboramos um diagnóstico e elencamos prioridades. Assim, começamos a investigar situações estranguladoras do processo produtivo. Para realizarmos o trabalho contamos com a parceria de empresas grandes e prefeituras ”, diz Pavesi.

Como todo início as dificuldades da Caparaó Júnior foram várias em 2010. Os alunos circulavam pela região com transporte próprio e condições precárias de trabalho. Com os resultados aparecendo a empresa cresceu e hoje possui 25 colaboradores (que trabalham de maneira voluntária), dois veículos e equipamento adequado para a prestação do serviço. A maioria dos produtores rurais não paga nada pelo trabalho dos estudantes. No caso da falta de patrocínio, o produtor que quiser ser assistido pelos alunos da Caparaó Júnior vai desembolsar R$110,00 como ajuda de custo.


O trabalho


Após fazer o diagnóstico da comunidade rural e eleger as prioridades, os futuros profissionais da Caparaó Júnior vão traçar um planejamento para melhoria dos resultados na colheita. Segundo o professor Pavesi, quando a equipe chega ao produtor percebe que ele tem produto de qualidade desconhecida. “É o mercado que dita o que ele tem e o preço que vale o produto. Os insumos são adquiridos através da orientação do comerciante e eles acabam ficando à mercê de custos elevados de produção e baixa receita ”, explica.

Desta forma, foram desenvolvidos sistemas próprios para atendimento mais abrangente. “Temos hoje um programa de recomendação de fertilizantes próprios, desenvolvidos aqui. Oferecemos laboratórios de boa reputação para análise do solo. Atendemos um produtor por vez na sua comunidade, vamos até eles ”, diz Pavesi.

Mayk Henrique Sousa, 20 anos, diretor presidente da Caparaó Júnior, descreve a experiência como uma grande maneira de praticar a teoria dentro da sala de aula. “Eu me formei em 2013 e ingressei na empresa, assim que conclui o curso. Na prática vemos realidades diferentes. Posso destacar a organização de algumas comunidades como, por exemplo, Pedra Menina, e outras que necessitam de mais ajuda para crescer. Conhecer o produtor, descobrir suas dificuldades e traçar metas para eles é recompensador ”, comenta.

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Resultados positivos e referência


O projeto da Caparaó Júnior deu tão certo que o modelo está sendo reaplicado em outros campus do Ifes no Estado. A nova empresa Júnior já foi criada no Instituto de Santa Tereza, município próximo a Vitória. Quatro equipes de universidades diferentes buscam a empresa como referência para adequar as suas condições ao jeito de trabalho dos alunos de Rive. Recentemente, professores e alunos de uma faculdade de Muzambinho (MG) visitaram a Caparaó Júnior para aprender o sistema utilizado por lá e implantar na realidade local.

O primeiro resultado positivo da Caparaó Júnior junto aos produtores foi o aumento da produtividade de café, em média 23%, em 650 lavouras assistidas até o ano de 2012. No segundo momento foi avaliada a redução de custo. Segundo Professor Pavesi esta redução chega a 17%, após análise junto aos produtores, o que impactou os 23% a mais na produção, também em 2012. “Ou seja, foi só indicar o que precisava ser feito ”, comenta.

Depois de conscientizar o produtor, melhorar os resultados e diminuir os gastos, a empresa agora se concentra a investigar os modos alternativos e a qualidade da produção. “Desde 2013 começamos a trabalhar nesta linha. Hoje, por exemplo, temos um projeto de investigação da qualidade de cafés finos da região do Caparaó Capixaba em parceria com o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Isso inclui 110 lavouras ”, comemora Pavesi.

Com o crescimento da empresa, a intenção é chegar aos municípios que não são assistidos pelos alunos. “Infelizmente ainda não entramos em Iúna, Irupi, Ibatiba, Ibitirama, Divino de São Lourenço e São José do Calçado. Não temos pernas para isso ainda. Mas a empresa que apoia nosso trabalho nos provocou a ponto de oferecer algumas áreas de Minas Gerais. Em Cachoeiro de Itapemirim, a parceria é com a prefeitura, já estamos atuando em 4 comunidades. Destaque para Jerônimo Monteiro onde atuamos em toda área de cultivo ”, explica o professor.


Reconhecimento


O Programa de Capacitação de Produtores Rurais, executado pela Caparaó Júnior, recebeu o prêmio de excelência HSEC Awards 2013, oferecido por uma mineradora australiana. O prêmio, concedido durante evento realizado entre 18 e 20 de novembro na Austrália, contempla iniciativas de todo o mundo nas categorias de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Comunidade.

Na categoria Comunidade, o projeto da Caparaó Jr. e da Samarco ficou na colocação mais elevada: “Excelência ”. No evento, a iniciativa foi defendida por duas representantes da Samarco Mineração.


Para quem ainda não é assistido


O produtor que tiver interesse pode entrar em contato com a Caparaó Júnior. A visita individual será agendada para realização do diagnóstico. Na falta do patrocínio patrocínio ele vai pagar o valor dos custos, que são pequenos. Todo o trabalho de diagnóstico sai a menos de R$ 60,00. A visita custa R$ 50,00 na propriedade. O gasto inicial ficaria em R$ 110,00.

Interessados devem procurar pela sede da empresa no Ifes de Rive em Alegre: Rodovia Cachoeiro de Itapemirim X Alegre, quilômetro 48, Fazenda Caixa D’&Aacute,gua. Telefone (28) 3552-8131 ramal 292 // www.caparaojr.com


Objetivo


O objetivo da Caparaó Júnior é pesquisar &ndash, apontar o diagnóstico &ndash, identificar a tecnologia apropriada &ndash, apontar a solução e acompanhar o andamento do trabalho. A empresa atende, atualmente:


Abrangência:


Caparaó Capixaba:

Jerônimo Monteiro (em toda extensão)

Alegre (06 comunidades)

Guaçuí (02 comunidades)

Muniz Freire (04 comunidades)

Dores do Rio Preto (03 comunidades)


Sul do Espírito Santo:

Cachoeiro de Itapemirim


Minas Gerais:

Divino

Espera Feliz

Matipó

Oriz&acirc,nia

Santa Margarida



Projetos:


A Caparaó Júnior desenvolveu, desde 2010 cerca de 12 projetos, com média de 02 por ano. Atualmente, existem 04 em execução. Além do Programa de Recomendação de Café a empresa assiste outras culturas como hortaliças, frutas (caso de Jerônimo Monteiro) e arbóreos (onde se destaca o eucalipto).

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