Cafeicultura

Seca encarece café, chuva derruba preço. E o produtor paga a conta

Para pequenos e médios produtores, o cenário é ainda mais difícil, já que o custo de produção muitas vezes supera a remuneração obtida

Foto: divulgação Sebrae/ES

“A situação do produtor de café, principalmente o pequeno, é cruel. Na semana passada, a seca no Brasil e em outras regiões produtoras fez o preço disparar, porque há risco real de faltar café. Estamos no período da florada, e se não chover, essa flor que viraria fruto simplesmente não vinga. Agora, com a previsão de chuvas nas principais áreas produtoras, o preço despencou. O problema é que o produtor sempre sai perdendo: se falta chuva, não tem café para vender; se chove, até há café, mas a cotação cai tanto que, muitas vezes, não cobre nem os custos da produção.”

As palavras da barista e empresária Isabela Raposeiras, referência no setor de cafés especiais, mostra que a oscilação dos preços evidencia a dependência do clima no setor e coloca os cafeicultores diante de um dilema: períodos de seca reduzem a produção, mas elevam os preços, enquanto a regularização das chuvas assegura a oferta, mas pressiona a rentabilidade. Para pequenos e médios produtores, o cenário é ainda mais difícil, já que o custo de produção muitas vezes supera a remuneração obtida na comercialização.

Para dar uma ideia, entre 2020 e 2025, o valor médio pago pela medida de 60L na colheita do café teve um crescimento acumulado de 322%, com destaque para os anos de 2022, 2024 e 2025. Esta elevação reflete a menor oferta de trabalhadores e o aumento da concorrência por mão de obra. Os dados são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Os custos produção também aumentaram. Segundo a Cedagro, os estudos feitos entre 2021 e 2023 já apontavam para um aumento nos custos, com a maior variação nos insumos, que subiram em média 26,58% no período.

Variação do preço pago por medida de café (60L)

E no mercado?

Os preços do café voltaram a cair de forma expressiva nesta semana, após a valorização registrada no início de setembro com a intensificação da seca no Brasil e em outras regiões produtoras. Segundo dados do Cepea/Esalq, o indicador do café arábica fechou o dia 17 de setembro a R$ 2.237,29 por saca de 60 kg, queda de 5,14% em relação ao dia anterior e retração mensal de 3,69%. Em dólares, o valor corresponde a US$ 422,21. O robusta também recuou: R$ 1.408,43 por saca, desvalorização diária de 4,59% e retração de 8,21% no acumulado do mês. Trata-se dos patamares mais baixos desde 2021, após um movimento brusco de oscilação de preços.

Na prática, a oscilação dos preços evidencia a dependência do clima no setor e coloca os cafeicultores diante de um dilema: períodos de seca reduzem a produção, mas elevam os preços, enquanto a regularização das chuvas assegura a oferta, mas pressiona a rentabilidade. Para pequenos e médios produtores, o cenário é ainda mais difícil, já que o custo de produção muitas vezes supera a remuneração obtida na comercialização.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos