Saúde animal

Ração contaminada: mais de 220 cavalos morrem em vários estados

Ao menos 290 cavalos morreram no estado de São Paulo nos últimos dois meses após supostamente consumirem rações

Foto: divulgação/freepik.com

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que, até o momento, 222 cavalos morreram em decorrência do consumo de rações fabricadas pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda.. As informações constam em um balanço oficial divulgado pela pasta após apurações iniciadas em 26 de maio de 2025, quando foi registrada a primeira denúncia via Ouvidoria sobre mortes de equinos supostamente relacionadas aos produtos da empresa.

Desde então, a Fiscalização Federal Agropecuária realiza investigações nos locais onde houve adoecimento ou morte de animais, com o objetivo de identificar a origem dos óbitos. Em todos os casos confirmados até agora, houve associação com o uso de rações da Nutratta.

Os dados apontam mortes registradas em:

  • São Paulo: 83

  • Rio de Janeiro: 69

  • Alagoas: 65

  • Goiás: 4

  • Minas Gerais: 1

Além das mortes já confirmadas, o Mapa também investiga outras 195 suspeitas em diversas regiões do país, incluindo:

  • Goiânia (GO): 70

  • Sudoeste da Bahia: 40

  • Jarinu (SP): 34

  • Uberlândia (MG): 18

  • Santo Antônio do Pinhal (SP): 10

  • Guaranésia (MG): 8

  • Jequeri (MG): 8

  • Mariana (MG): 7

A pasta ressalta que a apuração dessas novas mortes tem sido dificultada pela ausência de comunicação formal via Ouvidoria, canal oficial para o registro das denúncias. Outro entrave é a evolução clínica dos quadros: os sintomas de intoxicação, como insuficiência hepática seguida de agravamento repentino, podem surgir semanas ou até meses após a suspensão do uso da ração contaminada, o que torna a investigação mais complexa.

Irregularidades e sanções à empresa

O Ministério realizou duas fiscalizações no único estabelecimento da Nutratta, responsável pela produção de rações para equinos e ruminantes. Nessas inspeções, foram identificadas irregularidades graves, que resultaram na suspensão cautelar da produção de todos os produtos da empresa.

Entre as falhas identificadas estão:

  • Problemas nos registros de produção;

  • Falta de rastreabilidade dos ingredientes utilizados;

  • Mistura inadequada de matérias-primas nos silos;

  • Uso de componentes não aprovados, como resíduo de soja.

Em decorrência dessas constatações, o Mapa determinou a suspensão completa da comercialização dos produtos da Nutratta, com o escopo da restrição sendo ampliado à medida que as investigações avançaram.

A Nutratta impetrou um mandado de segurança contra as medidas adotadas, e o Ministério já prestou os devidos esclarecimentos ao Judiciário. A decisão ainda está pendente.

Canal para denúncias

O Ministério da Agricultura, em seu site, reafirma seu compromisso com a saúde animal e com a segurança da cadeia agropecuária nacional, e orienta que quaisquer denúncias relacionadas ao caso sejam encaminhadas exclusivamente pela Ouvidoria, clicando aqui.

Confira a nota da Nutratta, na íntegra:

“A Nutratta lamenta profundamente os relatos de intoxicação e óbitos de animais associados ao produto Foragge Horse, da linha de nutrição animal equina, e reforça que está colaborando integralmente com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para elucidar os fatos, inclusive recebendo os os técnicos do Mapa em sua planta, fornecendo todos os documentos e informações técnicas solicitadas.

Embora as investigações do Ministério da Agricultura e Pecuária ainda estejam em curso, foi divulgada nota técnica no sentido de que as análises laboratoriais preliminares indicaram a presença da substância monocrotalina, que é produzida pela própria natureza, por plantas do gênero Crotalaria – uma leguminosa que é muito utilizada em adubação verde _, e que pode estar presente em matérias-primas de origem vegetal utilizadas em diferentes cadeias agroindustriais, tratando-se, pois, de uma fatalidade, caso isso venha a ser confirmado.

Assim, diante da situação excepcional, a Nutratta já adotou medidas adicionais de autocontrole. Entre essas ações estão o reforço das análises laboratoriais, revisão dos protocolos de qualificação de fornecedores e rastreabilidade das matérias-primas vegetais, revisão completa dos processos sanitários internos e reestruturação do layout fabril.

Por fim, a Nutratta destaca que vem adotando todas as providências cabíveis para mitigar os efeitos da situação, incluindo suporte técnico aos clientes, rastreamento dos lotes envolvidos e revisão de seus processos internos. Ressalta-se que não há, até o momento, conclusão definitiva quanto a eventual nexo de causalidade entre os casos relatados e os produtos da empresa, e que a empresa conseguiu uma liminar na Justiça Federal para restabelecer seu funcionamento quanto à atividade de produção e comércio dos produtos não destinados a equinos.

A Nutratta permanece à disposição das autoridades e da sociedade para prestar os esclarecimentos técnicos necessários, mantendo seu compromisso com a qualidade, a segurança alimentar e o bem-estar animal, valores que sempre nortearam sua atuação.”

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