Mais lidas 🔥

Inovação na piscicultura
Tilápias ficam mais saudáveis com uso de planta medicinal

Agricultura familiar
Capixaba vence concurso nacional de inventos com descascador de café portátil

Agro capixaba
Preço do mamão Havaí despenca e atinge mínima no Espírito Santo

Tempo e agronegócio
El Niño está chegando! Saiba como o fenômeno vai impactar na agricultura brasileira

Duas histórias, uma conexão
Quando o sotaque da roça sobe ao palco, e vence!

“
| Em entrevista ao Jornal Correio Braziliense, o Presidente da CNA, João Martins da Silva Junior, fala sobre custos de produção, infraestrutura e logística e sobre as expectativas para a safra 2016/2017. Confira a entrevista na íntegra concedida aos jornalistas Paulo Silva Pinto e Antonio Temóteo: |
Custo de produção no Brasil é quatro vezes maior que nos EUA
O nervosismo dos mercados financeiros nos últimos dias contrasta com a calma dos produtores brasileiros da agropecuária. Para o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins da Silva Júnior, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos não traz motivos de preocupação. Ao contrário. O novo patamar do real é vantajoso para a competitividade do que sai do campo. Ele espera que o dólar fique entre R$ 3,40 e R$ 3,60. Mais que isso, seria ruim. “O produtor rural que quer o dólar a R$ 4 está pensando somente nele, não no país como um todo. Dólar a R$ 4 é horrível, experimentamos isso. ”
Ele não conta apenas, porém, com a situação macroeconômica favorável. Defende avanço significativo na infraestrutura, que torne a produção mais competitiva da porteira para fora. “A gente ganha é no custo de produção, com três safras no ano, só que isso vai ter um limite ”.
Martins espera que novas concessões de ferrovias finalmente saiam do papel. Conta com o realismo do governo nas condições a serem oferecidas para investidores. É o único caminho, alerta, para que a agricultura continue a contribuir com o crescimento. Do contrário, avalia, nossos competidores é que vão ganhar espaço.
Correio Braziliense – O resultado da eleição de Donald Trump surpreendeu muita gente. O senhor acha que, no governo, ele fará o que disse na campanha?
João Martins – Muitas declarações dadas por ele vão se tornar inviáveis. A complexidade das leis e das instituições americanas evita procedimentos que vimos aqui no Brasil, onde tivemos um governo que acabou a economia. Nos Estados Unidos, quando o presidente manda alguma coisa que não está dentro de orçamento, precisa ser muito bem negociado dentro do Congresso, do contrário não se aprova. Não é à toa que a economia americana é a maior do mundo. Isso não foi construído da noite para o dia.
Correio Braziliense – O Brasil pode ser beneficiado com a eleição de Trump?
João Martins – Pode, à medida que houver a desvalorização cambial, nosso produto se torna muito mais competitivo.
Correio Braziliense – O senhor acha que o dólar vai para quanto?
João Martins – Se eu soubesse, seria o homem mais rico do mundo. Tem de ser racional. O dólar a R$ 3,40 não é ruim. Mas o produtor rural que quer o dólar a R$ 4 está pensando somente nele, não no país como um todo. Dólar a R$ 4 é horrível, experimentamos isso.
Correio Braziliense – Quais as perspectivas para a produção de grãos?
João Martins – Hoje, o que o Brasil produz em um ano dá para alimentar toda a população brasileira durante sete anos e meio se decidíssemos não exportar nada.
Correio Braziliense – Há um problema de estocagem?
João Martins – No ano passado estava previsto produzir próximo a 205 milhões de toneladas. Mas, com os problemas climáticos, fomos para 186 milhões de toneladas. Houve uma queda acentuada na produção de milho. O Brasil não conseguiu, antes, estocar o que era necessário. Temos o Nordeste com avicultura forte. E, hoje, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) não tem milho estocado comprado barato para poder fornecer ao pequeno produtor. Muito da estocagem é feita nos caminhões nas estradas, nas barcaças do tráfego. Existiu até o ano passado uma política de financiar construção de armazéns
Correio Braziliense – Quanto a infrestrutura do país prejudica o setor?
João Martins – É muito complexo o problema de logística no Brasil. Grande parte do nosso lucro se perde aí. Um produtor dizia que se tivesse uma máquina que pudesse captar toda a soja desperdiçada nas estradas, ele seria o maior produtor de soja do mundo. O modal rodoviário brasileiro é praticamente exclusivo nosso. Quando olhamos para a Argentina ou Estados Unidos, o transporte ferroviário é o principal. Nosso custo da fazenda até o porto chega a ser quatro vezes maior que nos Estados Unidos. Isso é um fator que tira a competitividade do Brasil.
Fonte: CNA Brasil





