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Mulheres que vivem em áreas rurais no Espírito Santo estão entre as que apresentam os menores níveis de escolaridade no estado. O dado faz parte do Atlas das Mulheres do Espírito Santo, pesquisa inédita construída a partir de dados estatísticos e da escuta direta de mais de 1,4 mil mulheres em diferentes territórios. A publicação será lançada na próxima quinta-feira (26), em Vitória.
O levantamento aponta que, diferentemente das áreas urbanas, há forte concentração de mulheres do campo com ensino fundamental incompleto ou apenas concluído, evidenciando um padrão estrutural de desigualdade educacional.
Os números são ainda mais críticos em grupos específicos. Entre as mulheres pomeranas, 38,5% não concluíram o ensino fundamental. O índice também é elevado entre mulheres assentadas e acampadas (37,5%), pescadoras e marisqueiras (35,1%), agricultoras familiares e camponesas (33,9%) e mulheres quilombolas e ciganas (33,3%). Entre indígenas, há registro de participante que nunca frequentou a escola.
Os relatos coletados no estudo ajudam a explicar o cenário. Muitas mulheres apontam o abandono precoce da escola para ajudar no trabalho agrícola familiar, além da dificuldade de acesso físico às unidades de ensino, especialmente em regiões mais isoladas.
Em comunidades tradicionais, o preconceito também aparece como um fator que contribui para a evasão escolar, ampliando as barreiras enfrentadas por essas mulheres ao longo da vida.
Apesar disso, o atlas também identifica movimentos de retomada educacional. Há relatos de mulheres que buscaram a alfabetização ou voltaram a estudar já na vida adulta, motivadas pela necessidade de maior autonomia nas propriedades e pela participação em associações e cooperativas.
O Atlas das Mulheres do Espírito Santo reúne informações do Censo 2022 e de rodas de conversa realizadas entre 2023 e 2025, compondo um retrato detalhado das desigualdades de gênero no estado e servindo de base para a formulação de políticas públicas mais direcionadas.
Sobre o Atlas das Mulheres do Espírito Santo
A ideia do Atlas é trazer a voz das mulheres e todas as suas interseccionalidades para que as políticas públicas possam ser pensadas não mais de forma universalista, mas com olhar específico e particular do que é ser mulher em cada segmento a partir da realidade apresentada pelas próprias mulheres.
Segundo a secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes, o Atlas das Mulheres foi pensado durante a criação da secretaria, em 2023, quando o planejamento estratégico foi desenhado. “A ideia é que esse formato de escuta das mulheres seja aplicado de tempos em tempos e se renove sempre que
necessário para atender às mulheres em suas interseccionalidades. Um dos pontos de destaque desta obra são as nuvens de palavras. Elas mexeram muito comigo, porque ali você vê claramente a diferença de sentimentos em cada segmento e como as mulheres são múltiplas e devem ser cuidadas nessas suas peculiaridades quando nós que estamos à frente das políticas públicas vamos tomar decisões”, destacou.





