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Pré e pós-parto das vacas garantem aumento da produção de leite

por Redação Conexão Safra

em 03/02/2016 às 0h00

14 min de leitura

Os produtores que aderiram ao projeto viram a produção de leite quase dobrar em poucos meses. Além disso, a medida melhora a saúde da vaca e do bezerro.

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Segundo o médico veterinário da Coopttec, Alan Fraga Filho, o sal aniônico estimula a mobilização de cálcio dos ossos no pré-parto

O produtor rural está em constante busca por melhoria na qualidade de sua produção de leite, principalmente, com custos controlados para conseguir um ganho maior. Trocas de experiências e às vezes, poucas mudanças na propriedade podem fazer com que o objetivo seja alcançado. A alternativa mais recente adotada para aumentar a produção de leite é fazer o manejo do período de transição da vaca que consiste no pré e o pós-parto. A mudança garante o aumento de produção nos primeiros meses. Além disso, a medida melhora a reprodução, saúde da vaca e do bezerro.

O médico veterinário da Coopttec, Alan Fraga Filho conta que a vaca necessita de um alimento com melhor qualidade no chamado ‘período de transição’, que ocorre 30 dias antes e 30 dias após o parto. “Temos que trazer esses animais para uma readaptação ao meio. Quando a vaca está seca, ela vai para o campo descansar. Para esse animal voltar, chamamos de ‘período pré-parto’, que é quando volta a ser suplementada. Temos que reinserir esses animais no manejo de curral. Eles têm que se adaptar ao manejo e à dieta ”, explica.

Nesse período, o animal é alimentado com ração seca, própria para a vaca em lactação. “O rúmen vai demorar de 11 a 15 dias para se adaptar ao amido (ração). Então, a vaca já está naquele estresse de parto. Se esperarmos parir para trazer para o curral, com o manejo, adaptação do concentrado e do volumoso fica uma sobrecarga muito grande. Normalmente, trazemos 30 dias antes para que ela seja reinserida ”, continua Alan.

Além do ganho com a produção, o produtor também ganha com a saúde do animal. “Fazendo o pré-parto bem feito, melhoramos a imunidade das vacas e minimizamos possíveis problemas, como retenção de placenta, hipocalcemia pós-parto, metrite, torção de abomaso, cetose e vários distúrbios metabólicos, além de conseguirmos fazer com que o animal produza maior quantidade de leite por causa da condição nutricional favorável. Sem o pré-parto ele estaria sem essa adaptação ”, comenta o veterinário.

No pós-parto a vaca tem uma capacidade menor de consumo de alimento, na mesma fase ela está se aproximando no pico de produção, e isso a leva a mobilizar mais gordura e pode causar disfunções metabólicas, diminuição do seu peso e estado corporal, com isso, produz menos leite impactando na produção em toda a lactação, aumentando o uso de medicamentos, aumentando os custos com menor produção, que é o mais importante.

“O pós-parto é como dar uma sequência ao processo. Por exemplo, tem o sal mineral aniônico, um produto que é utilizado para evitar a hipocalcemia pós-parto. Temos que continuar deixando o animal em condição satisfatória para emprenhar esse animal no máximo em 90 dias ”, frisa.

O sal aniônico estimula a mobilização de cálcio dos ossos no pré-parto. A vaca vai comer melhor, não vai ter retenção de placenta que poderia levar a uma infecção e prejudicar a saúde e a produção de leite. “Desejamos ter uma média de intervalo entre parto de 12 meses (gestação de nove meses + 90 dias), mas é difícil. Quando fazemos o pré-parto, certamente vamos conseguir emprenhar o animal mais rápido. A demanda nutricional, logo após o parto é muito maior. Sem contar que vai diminuir problemas que poderia levar o bezerro a ter menos imunidade a até mesmo morrer ”, ressaltou o veterinário.

A alternativa é indicada para todos os produtores. “Quando o produtor passa a fazer o pré-parto, sempre consegue resultados muito melhores, em produção de leite e na condição reprodutiva ”, finaliza Alan.

‘Os resultados são satisfatórios’

Professora de filosofia Grega e Latim, Maria Eunice Cysne encontrou na atividade rural outra fonte de renda.

Desde 1983 trabalhando na Fazenda Belmonte, em Mimoso do Sul, a professora por formação, Maria Eunice Cysne encontrou na atividade rural uma fonte de renda. O início foi no café, que ela mantém até hoje. Só começou a mexer com leite após o falecimento de seu pai, há nove anos. “Eu tinha seis filhos para criar e tinha me separado, então meu pai me deu um sítio em Palmeiras para plantar café. Morava em Cachoeiro de Itapemirim e vinha todos os dias a Mimoso para cuidar da plantação. Ele cuidava do leite. Quando ele faleceu, tive que assumir tudo sem saber nada sobre leite ”, comenta.

Eunice contou com a ajuda de campeiros que trabalhavam com seu pai, mas eles logo se aposentaram e ela precisou tocar sozinha a nova atividade. “Era muito gado. Tinha umas 300 cabeças. Precisei vender umas cabeças para melhorar os animais e passei a fazer inseminação. Meu pai nunca fez. Ele acreditava que maltratava muito as vacas ”, disse.

Aos 72 anos, Eunice conta que sua meta é continuar no leite. “Até pouco tempo a produção era completamente baseada em pasto. No inverno tinha uma capineira pequena e cana, que na verdade, não dava para suplementar o gado, de acordo com a exigência nutricional. Minhas vacas eram magras. Eram muitas para tirar o que tiro hoje de leite. O máximo que papai tirou foram 300 litros de leite por dia. Hoje, estamos com quase 500 ”, explica.

Uma das alternativas encontradas foi fazer o pré e o pós-parto das vacas. “Quando dependemos de pasto ficamos à mercê do ambiente. Como ficamos um longo período sem chuva, sofremos. Conseguimos alimentar com o milho as vacas do pré-parto e de crias novas. As vacas do pré-parto depois que pariam, continuavam nesse lote e mantinham a condição corporal até o momento pós-parto. As vacas que passaram por isso, tiveram mais leite na lactação inteira e emprenharam mais rápido ”, ressalta Rafael Duarte, zootecnista do Projeto Mais Leite da Selita/Coopttec/Sebrae.

As vacas do pré-parto de Eunice tiveram mais de 50% de aumento na produção de leite. “Em termos de leite, o que fez a diferença foi a comida, pois paramos de depender do ambiente. Fizemos silagem de milho. O pré-parto é uma técnica bem sólida, e fizemos porque chegamos a fazer comida. Fizemos uma primeira silagem, que colhemos em setembro do ano passado e rendeu bastante. Também tiramos os bezerros do pé das vacas. Todas as vacas dão leite sem bezerro e isso facilitou muito, pois o serviço no curral é mais rápido ”, frisa a produtora.

Um dos problemas que Eunice tinha era a mortalidade de bezerros. “Não temos mais. Os bezerros de até 30 dias tomam seis litros de leite por dia, cada um, e a partir do dia 15, começamos a colocar um pouco de ração especifica. Dos 30 aos 60 dias cai para quatro litros de leite por dia. A partir de dois meses, começamos a colocar um pouco de alimento volumoso, que é silo, capineira, o que tiver fornecendo na época. Com 120 dias, eles vão para os lotes que chamamos de contempor&acirc,neos, com alimentação de um quilo de ração por dia e volumoso. Aumentou o custo, mas está valendo a pena por causa do resultado ”, completa Eunice.

“Todas as vacas dão leite sem bezerro e isso facilitou muito, pois o serviço no curral é mais rápido ”
(Maria Eunice Cysne)



As vacas do pré-parto de Eunice tiveram mais de 50% de aumento na produção de leite


As vacas no período de pré-parto ficam separadas dos outros animais e permanecem em áreas mais próximas ao curral


‘Em cinco meses mais que dobrei minha produção’


A empresária Kátia Serrão Paganotti contou que herdou a fazenda do pai e aprendeu com ele a gostar da pecuária de leite

A empresária e produtora Kátia Serrão Paganotti, de Iconha, tem uma história em comum com a Maria Eunice Cysne, de Mimoso do Sul. Ela também herdou a fazenda do pai sem ter conhecimento sobre a produção leiteira, mas não demorou muito para aprender e entender que continuar com a atividade do pai foi sua melhor escolha.

“Meu pai sempre foi um homem muito avante, até mesmo do tempo dele. Apesar de não ser um hobby, ele mantinha a fazenda sempre em ordem. Quando falam hoje que som é bom para os animais, meu pai já tinha som no curral há anos. Há mais de 30 anos temos som para as vacas. Temos ventilador há anos. E o que eu fiz, foi acompanhar um pouquinho desse trabalho e tentar dar continuidade ”, conta.

Kátia mora em Guarapari e é gerente financeira de uma empresa de distribuição de bebidas ao lado do marido e dos filhos. Ela divide o seu tempo com a propriedade, a fazenda Vale do Sol, em Iconha. “Herdei do meu pai esse gosto pelas vacas de leite. Quando fazemos algo que gostamos, conseguimos superar muita coisa. Quando meu pai morreu, nos primeiros dias estava sob o impacto da morte dele, depois sob o impacto de ter uma propriedade para tomar conta. Eram três famílias aqui que dependiam dele, tinha animais, que são seres vivos e que precisam de cuidados, enfim, contei com a mão de obra já existente e o conhecimento deles, e estou aprendendo até hoje, no dia a dia. Chego aqui e me transporto para cá de tal forma, que não lembro que existe a empresa em Guarapari ”, ressalta Kátia.

A adaptação foi aos poucos. Hoje, Kátia possui ordenha mec&acirc,nica, fez projeto de irrigação e tenta manter tudo que o pai já tinha na fazenda. “Era daqui que meu pai tirava o sustento, mas ele agregou a isso, um lugar prazeroso, gostoso de ficar, limpo, arrumado e bom de estar. Hoje, o que me mantém aqui é isso. Tenho no sangue e o gosto, principalmente, pelas vacas de leite, que não são fáceis de mexer. Com algumas mudanças, em cinco meses mais que dobrei minha produção ”, explica.

Kátia passou a fazer o pré-parto das vacas, o que lhe garantiu esse aumento da produção. “Começamos a pesar o leite e vimos que temos vacas com potencial, geneticamente, muito bom. Foi a partir daí que definimos a alimentação de cada uma. O pré-parto também foi muito importante. Comprei o sal mineral pré-parto e já vínhamos trazendo os animais para a maternidade, que é onde elas ficam quando já estão prestes a criar, e ali são tratadas com o sal e fubazinho. Quando chegam a criar, elas estão fortes e bem nutridas, a ponto de realmente vir bem aleitadas. Esse pré-parto foi fundamental ”, continua a empresária.

Ela garante que a fazenda não é uma obrigação, mas um prazer. “O pré-parto me ajudou muito a aumentar o leite. Eu estava tendo realmente alguns problemas de aborto, e até mandei fazer exames para saber se existia algum problema. Desde que comecei, não tive mais problema. Seca a vaca na época certa ”, frisa.

Kátia conta a com a ajuda do filho, Marcelo Serrão Paganotti. “Meu filho está se interessando e tem me ajudado bastante na fazenda. A minha expectativa é que eu consiga manter essa propriedade até morrer. Espero que ela consiga se pagar totalmente. Isso aqui para mim também é uma empresa que está caminhando para ser auto suficiente. Minha meta é tirar 1.000 por dia. Hoje, tiro 700 litros. Não posso tirar mais. Tenho o pé no chão. Minha propriedade comporta isso e é isso que quero. Me considero realizada nesse sentido. Não posso estar 100% aqui presente, mas tenho a produção que desejo ”, finaliza a produtora.


Sebrae ES incentiva a produção


Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae ES), por meio do Projeto de Pecuária de Leite, auxilia produtores rurais que buscam melhorar sua produção de leite. O projeto, desenvolvido junto às cooperativas e laticínios particulares capixabas, prevê ações de cunho tecnológico e gerencial que resultam na melhoria da rentabilidade e produtividade, ou seja, melhoria da eficiência na gestão da propriedade rural e promoção do acesso à inovação e tecnologia, utilizando a metodologia Sebraetec.

Implantado em 2011, o programa atende do Norte ao Sul capixaba e trouxe um novo foco em 2015. De acordo com o analista da Unidade de Atendimento ao Agronegócio do Sebrae ES e gestor do programa, Thiago Martins Costa, a palavra de ordem para os trabalhos do Sebrae ES é retorno, pois a ideia é “colocar dinheiro no bolso do produtor ”.

Para isso, Thiago explica que será necessário alcançar um objetivo: produzir mais leite, com mais qualidade, utilizando uma área menor e tendo menos custos. A ideia é trabalhar com o produtor, permitindo que ele possa evoluir na cadeia de produção. Sendo assim, mudar sua categoria, passando de agricultura familiar para semiextensiva, e de semiextensiva para intensiva, garantindo a rentabilidade do produtor.

Em 2015, o Projeto de Pecuária de Leite deixou de ser regional e passou a ser estadual. Em parceria com a cooperativa Veneza, os produtores da região Noroeste, puderam comemorar os ótimos resultados de 2014. Cerca de 270 produtores conseguiram superar momentos de dificuldades, mantendo a linearidade da produção nos períodos de seca, sem fazer com que o produto perdesse em qualidade.

Um dos produtores rurais que obteve melhoras em sua propriedade no ano de 2014 é o Silvano dos Santos, morador de Pinheiros. Antes de participar, o empreendedor tinha seis vacas e uma produção média de 30 litros por dia.
Com sua participação na cooperativa já ampliou e evolui, chegando a possuir atualmente 40 vacas, que produzem 500 litros por dia. A produção passou de cinco litros por vaca para cerca de 12,5 litros.

Ainda segundo Thiago, a cooperativa Veneza é extremamente atuante no que diz respeito ao projeto. “A cooperativa tem total preocupação com o sucesso do seu cooperado e, se assim permanecer, será uma peça fundamental para que as metas de 2015 sejam concluídas dentro dos prazos ”.

A pecuária de leite desenvolve papel fundamental para a geração de emprego e renda familiar. O pequeno produtor deve ter uma produção mínima de leite/dia superior ao seu ponto de equilíbrio. Para tanto, o acompanhamento sistêmico das consultorias tecnológicas do Sebrae, é crucial para a sobrevivência desses negócios.

Segundo o gestor do programa, atuar em um projeto como este é um desafio muito grande e ao mesmo tempo motivador. “&Eacute, um segmento da economia capixaba muito importante, e o que a gente espera é fazer com que a metas estipuladas pelo Sebrae ES sejam conquistadas, que a família do produtor veja sua propriedade como renda, e que realmente tenha essa renda. O Sebrae vai trabalhar com a gestão de uma atividade econômica. Essa é a nossa função ”, declara Martins.


Sebraetec

O Sebraetec é um instrumento que tem o objetivo de promover o acesso aos serviços tecnológicos aos pequenos negócios, fortalecendo sua competitividade no mercado. Também oferece apoio ao desenvolvimento de projetos de inovação, de gestão tecnológica e de indicação geográfica.

Quem pensa que produção rural é coisa só para homens está muito enganado. O projeto de Pecuária do Leite do Sebrae ES atende a muitas mulheres, que não só estão à frente das propriedades, como têm alcançado excelentes resultados.

Já não é de hoje que as mulheres têm conquistado sucesso no mercado de trabalho. Mas essa não é uma verdade apenas em se tratando das profissões urbanas. Elas também marcam presença no meio rural.

De acordo com dados do projeto de Pecuária do Leite do Sebrae ES, as mulheres se destacam à frente de propriedades voltadas para a produção de leite, tanto no quesito quantidade quanto na qualidade do produto.

Das 1.498 propriedades que produzem leite atendidas pelo Sebrae ES, 169 são comandadas por mulheres. Em muitas dessas propriedades, percebe-se um aumento na produção, sendo que em algumas houve aumento de mais de 100% na produção diária de leite.

A produção por vaca também aumentou, fruto dos cuidados com os animais, que incluem, por exemplo, ração balanceada e acompanhamento genético. Também aumentou o número de vacas em lactação por hectare.

Mas não é só na quantidade que estão sendo feito mudanças. Boa parte dos avanços protagonizados por essas mulheres têm sido na qualidade do produto. Cuidados com a higiene, por exemplo, garantem leite de mais qualidade, que alcança melhores valores no mercado.

Fonte: Sebrae ES

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