Potência do leite no Espírito Santo

O grande destaque que a cooperativa Selita recebeu de importantes rankings do mercado em 2017 chama a atenção e mostra porque é ela uma das principais potências produtivas do Estado

Por: Elisangela Teixeira



A Selita é a cooperativa mais antiga do Espírito Santo com 79 anos de vida. Iniciada com 25 produtores de leite em 1938 pela necessidade daquele grupo, a cooperativa cresceu e conquistou espaço tanto no Estado, quanto fora dele e sua história de sucesso vem se perpetuando de forma sólida e surpreendente ao longo dos anos.



A tradição poderia medir o êxito desta história de quase 80 anos, mas somente holofotes não consolidam uma empresa no mercado. Por isso o destaque que a cooperativa recebeu este ano ao figurar em rankings importantes em âmbito estadual e nacional chamou a atenção. Isto aliado aos primeiros lugares conquistados em pesquisas de opiniões de consumidores e de colaboradores, fazem com que seja preciso lançar um olhar mais apurado para o que tem sido feito e que tem dado tão certo.


Começando pelo último Ranking das maiores empresas do Espírito Santo, feito pelo Instituto Euvaldo Lodi (publicado no fim de 2016), ela ficou em 49ª colocada entre as 200 maiores, com receita operacional bruta R$252.842 milhões. Já entre as 10 maiores empresas de alimentos do Estado, a Selita ficou em 6º lugar, sendo a única cooperativa nesta lista. Entre as 100 maiores empresas segundo a receita líquida, ela foi a 29ª colocada, subindo 10 posições em relação a 2015. A publicação especial ranqueia os destaques de vários segmentos da economia, segundo seus resultados financeiros.


Outro importante ranking é o realizado pela Revista Exame. A Selita conquistou a colocação de 5ª melhor Empresa Brasileira no conceito Excelência Empresarial dentro do segmento “leites e derivados ”. A lista inclui ainda outras gigantes do setor como Vigor, Nestlé e Itambé. O conceito abrange itens como crescimento de vendas (proporcional), liderança de mercado, liquidez corrente e geral, rentabilidade, riqueza criada por empregado e transparência.


Na mesma lista, agora em relação a receita líquida, a Selita está entre as 400 maiores empresas de Agronegócio, ocupando o 362º lugar. Já no segmento leites e derivados está em 18º lugar e quando a lista é estratificada para apenas as cooperativas, ela ocupa a 6ª colocação no Brasil.


Tem mais: a Selita também foi eleita pelo Sistema OCB nacional como cooperativa de menor risco de crédito do país, entre 79 cooperativas de todo Brasil. A avaliação foi feita tendo como parâmetro a relação entre Liquidez Corrente x Endividamento Total e Margem Líquida x Tesouraria, sendo classificada como o negócio com menor grau de risco. Na prática, isto significa uma cooperativa sólida que inspira confiança dos cooperados.


Potência


Agora entre as pesquisas de opinião realizadas em 2017 os destaques continuam. Pela pesquisa IBOPE, ficou em primeiro lugar no Espírito Santo na categoria Leite (com 41%) e Queijos (com 33%). E pela 24ª vez ficou em primeiro lugar na pesquisa do Instituto Futura, como a empresa mais lembrada do segmento Leite e Derivados. Este ano nosso percentual foi de 37% contra 12% da segunda colocada.


Mas afinal, o que torna a Selita esta potência no meio cooperativista e empresarial? Hoje ela conta com mais de 2.000 associados, em sua maioria pequenos produtores, atuando em 52 municípios do Espírito Santo, gerando mais de 15 mil empregos diretos e indiretos. Sua capacidade total de processamento de leite é de 600 mil litros por dia, mas devido as últimas secas, atualmente a média tem sido de 280 mil litros/dia.


Para o presidente da Selita, Rubens Moreira, a participação nos rankings é reflexo de uma gestão pautada pela criatividade e coragem para enfrentar os desafios. “Os indicadores avaliados são justamente os que refletem as atitudes que sustentam a longevidade da Selita. Os resultados significam também que nós estamos trabalhando com o conceito de responsabilidade administrativa e social, mostrando boas práticas de gestão. Podemos não ser a maior, mas nosso objetivo é ser a melhor cooperativa do nosso setor ”, comenta.


“Também acredito que boa parte deste sucesso seja devido ao nosso quadro de colaboradores. A diretoria e o conselho não fazem nada sozinhos se por trás não tiver uma equipe competente que dê suporte ”, avalia Rubens.


Rubens Moreira: presidente da Selita.



Já os colaboradores comemoram os resultados e garantem que são reflexo do trabalho iniciado com as lideranças da cooperativa. “Me sinto orgulhoso por trabalhar em uma empresa que é considerada uma das maiores do Espírito Santo e que não visa somente o lucro acima de tudo, mas que também valorize o desenvolvimento das pessoas e da comunidades. Saber que o resultado do meu trabalho é parte do êxito da Selita é gratificante ”, assinala o Chefe de Coleta de Leite, Alan Bernardo.


Os reflexos para os cooperados


Se para a diretoria da cooperativa a gestão é o fator primordial para consolidar a posição da Selita no mercado, os cooperados vão além. Pesquisa realizada pelo Instituto Futura mostrou que a administração da Selita tem 78,7% de aprovação por parte dos cooperados e 75,8% consideram ótimo seu relacionamento com a cooperativa. Ao que tudo indica, não é &agrave, toa que no quesito credibilidade a Selita recebeu 86% de aprovação dos associados.


Além da satisfação com a gestão, os cooperados mencionam medidas importantes tomadas pela cooperativa, tais como como a devolução do capital social ainda em vida (ação realizada em 2016 e até então inédita no Estado) e o aumento do percentual de divisão de sobras. Outros benefícios citados são os programas de incentivo &agrave, produção, que empresta até R$5 mil sem juros para investimento nas propriedades, e os programas Leite Saudável, Fertilização In Vitro (FIV) e Projeto 120, que visam aumentar a qualidade do leite desde a ordenha.


O cooperado Adalto Lopes Correa, da localidade de Garrafão, em Itapemirim, é um desses associados que engrossam o coro. Com uma produção média de 200 litros de leite por dia, ele vê na Selita a forma de manter sua família e acredita que a gestão tem sabido lidar com as intempéries do mercado. “As coisas estão delicadas. Daí a importância de ter uma mão firme para nos guiar ”, avalia.


“&Eacute, bom a gente sentir que faz parte de algo grandioso e que não é da boca para fora. Na prática, isso significa mais segurança para nós, que entregamos toda nossa produção nas mãos da cooperativa e dependemos dela para sobreviver. Isso é a confiança que a gente deposita por saber que lá nosso leite terá boa destinação e que seremos remunerados de forma justa ”, completa Adalto.


Para Melca Oliveira Crespo, cooperada da Selita há 30 anos, cuja propriedade localizada em Presidente Kennedy, produz média de 140 litros por dia, a relação com a cooperativa significa trabalho duro todos os dias. &Eacute, com o dinheiro que recebe dela que educou os filhos e após o falecimento do marido toca a produção sozinha. “Minha maior fonte de renda vem de lá. Tenho alegria em acordar todos os dias para trabalhar e ter a tranquilidade de ter um retorno certo de forma justa ”, conclui.


Perfil do cooperado Selita


O quadro de cooperados da Selita é formado, em sua maioria por pequenos produtores, que entregam média de 4 mil litros de leite por mês &agrave, cooperativa e tem renda média de R$4,84 mil. Eles tem idade média de 52 anos, e é formado por 86% de homens e 14% por mulheres, com 41% pertencendo a classe C, 35,7% a classe A e B, e 23,4% a classe D. O tempo médio de trabalho com leite é de 21 anos e 97,57% dos cooperados entregam toda sua produção mensal &agrave, cooperativa.

Fonte: Instituto Futura


Consumidores também preferem produtos Selita



Na outra ponta do trabalho realizado pela Selita entra um fator primordial. A opinião dos consumidores. Sua linha de produção conta com 70 produtos, mas se for considerada as variações o número sobe para 108 itens, entre leite, queijos, iogurtes, manteiga e requeijão. A pesquisa do Instituto Futura apontou índice de 76,2% de satisfação dos consumidores no item credibilidade. Já no quesito qualidade o percentual subiu para 78,2%.


“&Eacute, um resultado muito positivo ”, avalia o Assessor de Marketing da Selita Marcos Jacob. Para conquistar ainda mais espaço na preferência dos consumidores, ele conta que a cooperativa vem investindo pesado em ações de divulgação. “Vide a participação em grandes eventos como a Feira da Acaps Pan Show, Expovinho, Festa do Morango, Festa da Polenta e eventos esportivos ”.


Para o Gerente Comercial da Selita, Eclezio Bragança, as participações em eventos tem sido muito proveitosas. “Somente na última feira da Acaps comercializamos mais de R$ 5 milhões. Além disso conquistamos visibilidade e ampliamos nossa área de atuação. Com isso o associado também tem a certeza de que estamos fazendo nossa parte na cadeia de produção ”, assinala.


Busca constante pela qualidade


Na busca pela qualidade do leite desde a ordenha, a Selita investe pesado em treinamentos de qualidade e fiscalização do produto enviado. A cada novo grupo de cooperados é realizado um curso onde eles aprendem técnicas de manejo dos animais e dos utensílios, além de serem apresentados &agrave, práticas de incentivo a qualidade, tais como a regra do valor pago pelo leite que estiver dentro das conformidades (o melhor leite recebe o melhor valor) e divulgação de ranking dos melhores em qualidade no informativo interno da cooperativa.


Já para cooperados que não conseguem manter o padrão de qualidade da matéria prima é feito monitoramento com especialistas que investigam as causas, e subsídios financeiros para participação nos programas de qualidade do leite e melhoria do rebanho.


Se mesmo assim, a qualidade não melhorar, o associado é desfiliado da cooperativa. “Não podemos arriscar o padrão dos produtos e nem sermos injustos com os cooperados que fazem tudo corretamente ”, explica o Gerente de Atendimento ao Cooperado, Edino Rainha. “Mas a desassociação é algo que fazemos em último caso. Nossa prioridade é fazer com que o cooperado cresça junto conosco ”, conclui.

Os desafios que vem por aí


Com um investimento de R$60 milhões, a Selita adquiriu um terreno com 1.250.000 m&sup2, para transferência de sua sede administrativa e parque industrial para região de Safra, em Cachoeiro de Itapemirim. “Precisamos de uma área maior para dar andamento a tudo o que estamos planejando. Uma de nossas metas é dobrar o faturamento de forma sustentável e lucrativa até 2025. Para isso precisamos investir em um novo local que seja adequado aos nossos planos ”, conta o presidente da Selita, Rubens Moreira.


Hoje a indústria atual, localizada na região central de Cachoeiro tem uma estrutura que comporta uma unidade para fabricação de leite e soro em pó, uma unidade de leite longa vida e uma unidade para processamento de frios (queijos, iogurtes, manteiga e requeijão).


Mas nem tudo são flores na gestão da Selita. Um dos principais enfrentamentos da diretoria é em relação a alta carga tributária cobrada pelos Estados vizinhos. “Sem contar a facilidade que outras indústrias tem de entrar em nossa área. Para atuarmos em outros Estados, como Rio de Janeiro e Bahia, temos que pagar caro por isso, mas outras empresas que sequer são locais, podem vender por aqui pagando o mesmo que nós. Esta luta vem sendo encabeçada por nós há muito tempo e inclusive pela OCB/ES, que desde a época do saudoso Estherio brigava por nós. Mas não vamos desistir. Essa é a nossa luta ”, relembra Rubens.


Crianças na pauta social da cooperativa



Na área social a Selita dedica uma atenção especial &agrave,s crianças. O Projeto Social Frei João, do bairro Alto Eucalipto, em Cachoeiro de Itapemirim, atende cerca de 250 meninos e meninas carentes do bairro e em risco social, com aulas de futebol e balé. O projeto tem cinco anos de existência e atualmente conta com o apoio da Selita que ajuda com uniformes e transporte para participação dos jovens em torneios de futebol.


“A comunidade reconhece a importância da cooperativa, que além de ajudar as crianças por meio do projeto, ainda emprega dezenas de moradores do bairro para trabalhar ”, contou o presidente do projeto Frei João, Alexsandro Rodrigues. De acordo com a professora e coordenadora das aulas de balé, Rita Pimentel, este apoio é fundamental para que o projeto seja mantido. “&Eacute, com a verba destinada pela Selita que compramos uniformes, sapatilhas, tecidos, lanches e conseguimos pagar os professores ”, conta a professora Rita.



E este ano como iniciativa do Dia C de Cooperar a Selita mobilizou os associados para doação de leite que seria doado ao Hospital Infantil “Francisco de Assis ” &ndash, Hifa. A ideia deu tão certo que antes mesmo do fim da campanha, que foi feita em parceria com o Núcleo Feminino, a cooperativa supriu a necessidade diária de leite da unidade, que atende crianças de todo Espírito Santo. Por enquanto o prazo de doação é para 12 meses, mas a aposta é de que a doação vai durar muito mais tempo do que isso.

AN&Aacute,LISE


Pedro Scarpi, presidente da OCB/Sescoop – ES



A Selita agrega mais de duas mil famílias do ES entre cooperados e colaboradores, que trabalham diariamente em prol do setor agropecuário capixaba, levando não só emprego e renda, como também produtos de qualidade para a população do ES e de todo o país. Nenhuma Cooperativa ou empresa comemora 79 anos de vida, como a Selita celebrou este ano, se não for financeiramente viável e capaz de atender as expectativas de clientes, cooperados e funcionários.


Na Região Sul, além da questão econ&ocirc,mica, ela também tem forte atuação de responsabilidade social e ambiental, já que uma cooperativa nada mais é que uma sociedade de pessoas e tem princípios e valores a serem seguidos e respeitados. A Cooperativa utiliza equipamentos que demandam menos água e energia, realizando o acondicionamento e a coleta seletiva de resíduos sólidos e fazendo o tratamento dos efluentes industriais, tendo inclusive ampliado sua Estação de Tratamento de Efluentes Industriais, que praticamente eliminou os problemas para os moradores nas comunidades do entorno da indústria.


A última ação que realizaram foi na área onde está sendo construída a nova indústria, na qual cooperados, integrantes do Núcleo Feminino e colaboradores da Selita participaram do plantio de árvores, em comemoração ao Dia da árvore. A região sul do ES possui diversas cooperativas, algumas grandes e outras menores, mas a Selita tem um espaço especial nos corações dos cachoeirenses e dos capixabas, pois é a cooperativa mais tradicional de todo o Espírito Santo.


O time da Selita é formado por uma equipe de profissionais que está sempre buscando aprimoramento e melhorias na gestão, além de ter um quadro social fiel e que apresenta crescimento a cada ano, o que representa o respeito e fidelidade mútua, tanto da Cooperativa com seus cooperados, como também dos cooperados com a cooperativa. O reconhecimento que ela obteve é uma forma de saber que estamos no caminho certo! E só conquista quem trabalha com dedicação, transparência, focado em princípios éticos, visão de futuro e principalmente, planejamento.


Sobre o autor Redação Conexão Safra O crédito coletivo Redação Conexão Safra identifica a equipe de jornalistas, editores e profissionais que produz diariamente o conteúdo da plataforma com rigor, responsabilidade e ética. Com experiência e curadoria cuidadosa, o time entrega informações relevantes sobre o agro no Espírito Santo, no Brasil e no mundo, fortalecendo a Conexão Safra como referência e elo entre produtores, pesquisadores, investidores e formuladores de políticas. Ver mais conteúdos