Plasticultura é utilizada no processo de armazenamento de banana

Docentes da Unesp de Registro auxiliam na melhoria da qualidade da fruta

A bananicultura está presente em todas as regiões do Brasil. São diversas as variedades cultivadas e inúmeros modelos de produção adotados pelos agricultores. O cultivo de banana é uma atividade de grande expressão no país, capaz de ser a base da economia de inúmeros municípios. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que em 2015, cerca de sete milhões de toneladas de banana foram colhidas nas terras brasileiras. Na cadeia de produção estão envolvidas 500 mil pessoas, sem falar nos empregos indiretos, que chegam a quase um milhão e meio, de acordo com informações da Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco).

Em termos de variedades, números da Embrapa Mandioca e Fruticultura, apontam que as cultivares Prata Anã e Pacovan ocupam em torno de 70% dos 500 mil hectares plantados pelo país. As bananas da Terra ou plátanos representam 10%, a cultivar Cavendish está presente em 15% das plantações. Já as variedades Maçã, Figo e Ouro somam 5% da bananicultura nacional. Apesar de não ser um grande exportador de banana, o Brasil ganhou no ano de 2015, U$$ 25 milhões de dólares na venda da fruta para o exterior, com um total de 81 mil toneladas que deixaram o país, sendo os países do Mercosul os maiores compradores.

A variedade da produção é seguida pelo mercado consumidor. Cada região tem suas preferências na hora de consumir a fruta tipicamente tropical. Porém todos buscam a mesma coisa: frutos de qualidade e saborosos. Para atender o consumidor cada vez mais exigente, produtores investem em tecnologias que vão desde a produção no campo até o pós-colheita. Para auxiliar a cadeia produtiva brasileira, pesquisadores investigam as saídas para os principais problemas da cultura.

No Vale do Ribeira, principal polo produtor no Brasil, o bananicultor Orivaldo Dan, que produz a fruta há 36 anos, busca ficar atento às novidades do setor e aplica-las em suas plantações, que ocupam uma área de 200 hectares, sendo 175 hectares para cultivar Nanica e 25 hectares com a Prata.

Entre as tecnologias implantadas pelo produtor está o uso de plástico já nos lançamentos dos cachos. “O ensacamento dos cachos é para proteger os frutos contra fungos, além de hematomas que podem ser causados por folhas secas ou durante o processo de colheita ”, explica o bananicultor, que produz a fruta nos municípios paulistas de Registro (Vale do Ribeira) e Campinas.

A engenheira agrônoma Juliana Domingues Lima, professora e pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Registro (SP), afirma que no Vale do Ribeira, a plasticultura é uma técnica amplamente presente nos bananais. “Utiliza-se no campo sacos plásticos, principalmente de polietileno, para proteção física do cacho da bananeira visando prevenir danos causados pelo contato das folhas, granizo, ataque de pragas e doenças, frio e sol ”. A especialista explica ainda que o uso do ensacamento permite ao produtor “obter frutos livres de defeitos, com melhor coloração, maior brilho e suavidade da casca ”.

Outra ferramenta em uso nos bananais são os cabos aéreos para transportar as frutas colhidas do campo até os locais onde serão encaixotadas, antes de saírem das propriedades. O bananicultor Dan apostou nos cabos há oito anos. Hoje, 60% de suas lavouras já usam mecanismo. “Implantamos os cabos em todas as partes possíveis, mas em regiões de ladeira não dá para usar. Nestes casos, usamos tratores ”. O cabo aéreo evita que os cachos sofram atritos durante o transporte e sejam machucados, provocando perdas no pós-colheita.

Caixas de papelão que recebem as bananas produzidas pelo bananicultor Dan, de Registro. Nestas caixas, as bananas são envoltas em uma folha plástica para evitar perdas durante o processo de transporte até a Ceasa Campinas. Foto: Artur José de Santana Neto &ndash, Tropsabor

A delicada operação pós-colheita

Na hora de deixar às propriedades rurais com destino aos centros de distribuições, os cuidados com a fruta precisam ser redobrados. Diariamente três caminhões lotados deixam as propriedades de Dan rumo a Ceasa Campinas. No trajeto, todo cuidado é pouco para evitar perda de parte das frutas, que podem ser estragadas pelos atritos. A solução para o problema foi o uso de folhas de plástico para proteger os cachos. “Nas caixas de papelão, colocamos uma folha plástica. O papelão é uma lixa e pode machucar a fruta. Com o plástico, as bananas ficam protegidas e chegam perfeitas no destino final ”, conta o agricultor, que usa o sistema de folhas plásticas desde quando as bananas eram transportadas em caixas de madeira.

A pesquisadora Juliana, da Unesp, que tem pesquisas sobre o pós-colheita da fruta, avalia que muitas perdas são causadas pelo “não uso de tecnologias adequadas ”. Entre as tecnologias mais utilizadas para manutenção da qualidade da fruta no pós-colheita envolvem o adequado manuseio, acondicionamento, transporte, armazenamento refrigerado e indução do amadurecimento com etileno. Apesar das perdas serem constantes no país, o Vale do Ribeira, por exemplo, “Têm inúmeros produtores que conseguem entregar seu produto nos postos de comercialização com grande qualidade, passível de rastreabilidade, capaz de atender requisitos do mercado internacional ”, aponta Juliana.

De maneira geral, as principais dificuldades dos produtores da região “são a falta de mão de obra tecnificada e qualidade do pós-colheita, que deixam muito a desejar ”, afirma o diretor da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar), Jeferson Magário. Um dos problemas acontece no período de baixas temperaturas que reduzem a qualidade dos frutos produzidos no outono e inverno. Visando encontrar uma solução para isso, desde de 2012, a Unesp de Registro, em parceria com produtores da Abavar está selecionando materiais de ensacamento para proteção do cacho da bananeira contra o frio. “O [plástico] polietileno continua sendo um forte candidato devido ao seu custo. Como os filmes comumente utilizados não proporcionaram a proteção esperada, buscamos parcerias com a indústria para formulação de material que proporcione isolamento térmico e novos materiais, que serão testados no inverno de 2016 ”, diz Juliana.

Solos preparados e plantas bem nutridas

Quando o assunto é qualidade da fruta, o bananicultor precisa ficar atento inicialmente à nutrição das plantas e ao preparo do solo. Bananeiras bem nutridas, com um solo adequado, consequentemente, produzirão frutos mais saudáveis. O preparo do solo é fundamental para uma boa produtividade e a qualidade das frutas, e deve receber um tratamento especial principalmente na implantação da cultura. “A calagem, por exemplo, é uma operação importante, que pode corrigir o terreno que irá receber as bananeiras ”, ressalta Danilo Eduardo Rozane, professor da Unesp especialista em nutrição de bananeiras. “O empresário agrícola deve realizar o preparo do solo para a implantação de um bananal com a preocupação de que esta operação é a única oportunidade que ele terá de incorporar o calcário em profundidade, visto que após a implantação não será mais possível revolver o solo de maneira sistêmica e em todo o terreno ”, indica o professor.

Já as bananeiras precisam de diversos nutrientes para manterem-se saudáveis e produtivas. Entre os nutrientes que a planta exige em maior quantidade estão: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre. “Não menos importantes, mas requerido em menores quantidades, ainda temos os micronutrientes cloro, boro, cobre, ferro, manganês, molibdênio, zinco, cobalto, níquel e selênio ”, explica o professor.

Muitos destes nutrientes são obtidos através da adubação. O bananicultor dispõe de diferentes formas para aplicar adubos nos bananais. “Para definição do método mais adequado, devemos levar em consideração o nível tecnológico do produtor, a existência de irrigação na área, o espaçamento, a topografia do terreno, bem como os custos dos fertilizantes ”, orienta Danilo Eduardo Rozane.

Fonte: Portal do Agronegóci

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