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“O Espírito Santo passou por três ciclos agropecuários. O primeiro, durante a década de 1950, premiava os produtores que ‘abriam fazendas’, ou seja, os que desmatavam. O conceito utilizado no Brasil era o de produzir mais alimentos em maiores áreas. Não adianta apenas criticar isso. Era difícil produzir alimentos.
E deu certo, em um determinado período. A madeira gerava receita e atendia ao modelo sugerido até então: derrubar para gerar dinheiro. No entanto, esse modelo se esgotou. Não havia mais o que derrubar. Aconteceu a ruptura deste conceito.
Nos idos de 1970, no segundo momento histórico da agropecuária capixaba, o modelo mudou e o que valia era, além da produção de mais alimentos por hectare, que ela atingisse ganhos de escala, com o uso de pesquisa, inovação, ciência e tecnologia. No início dos anos 80, diversas técnicas, como a inseminação artificial, já era utilizada por alguns produtores, em uma clara demonstração de investimento em tecnologia na pecuária. Este segundo momento também deu certo, mas gerou outra ruptura. Mesmo como uso da tecnologia, os recursos naturais foram esgotados.
Na década de 80, quase ninguém usava irrigação por aqui. Em 2016, o Espírito Santo já é o segundo estado que mais irriga no Brasil. Oito por cento (8%) da terra agricultável do Estado é irrigada. O Espírito Santo optou pelo uso intensivo de tecnologia, no entanto, nova ruptura é identificada, com o esfacelamento dos nossos recursos naturais.
Não se pode retardar o avanço da tecnologia, é preciso avançar nela, mas é fundamental recompor os recursos naturais. É possível, por exemplo, produzir café irrigado sem água? Logicamente, eventos climáticos opostos acontecem em qualquer momento e voltarão a acontecer. No entanto, a demanda por água não era tão grande, tanto na área urbana, quanto na rural e na industrial.
A crise nos faz sofrer. É impossível ficarmos insensíveis às perdas, mas ela tem um papel pedagógico. Estamos vivendo o início do terceiro ciclo da agropecuária capixaba. É fundamental que esse novo modelo tenha como eixo os avanços tecnológicos e a inovação, mas voltado à recomposição dos recursos naturais ”.





