Afeta produtividade

Estudo identifica nematoides de galha em 94% das amostras de pimenta-do-reino analisadas no Espírito Santo

Estudo científico identifica alta incidência de nematoides de galha em lavouras de pimenta-do-reino no Espírito Santo e alerta para riscos à produção

Nematoide da galha
Raiz de pimenteira do reino infectada por nematoide das galhas (Imagem: Inorbert Melo)

Um estudo científico publicado na revista internacional Plant Disease aponta que 94% das áreas produtoras de pimenta-do-reino analisadas no Espírito Santo apresentam infestação por nematoides de galha, pragas que atacam o sistema radicular das plantas e comprometem a produtividade das lavouras. A pesquisa do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) analisou amostras coletadas em 16 municípios capixabas.

Os pesquisadores identificaram a presença predominante de três espécies do gênero Meloidogyne: Meloidogyne arenaria, Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica, consideradas altamente agressivas. A identificação foi feita por meio de análises moleculares e bioquímicas, garantindo precisão no diagnóstico das pragas.

O levantamento também revelou que a ocorrência dos nematoides está associada ao histórico de uso do solo. Áreas onde anteriormente foram cultivadas culturas como café conilon, mamão e cana-de-açúcar apresentaram maior incidência de determinadas espécies, indicando que a sucessão de culturas pode favorecer a manutenção e disseminação dos patógenos no solo.

Além do mapeamento das espécies, o estudo avaliou a resistência de cultivares de pimenta-do-reino amplamente utilizadas no país. As variedades ‘Bragantina BR-124’ e ‘Kottanadan’ mostraram resistência ou imunidade a algumas espécies de nematoides, como Meloidogyne enterolobii e Meloidogyne paranaensis. No entanto, ambas se mostraram altamente suscetíveis a M. arenaria e M. incognita, justamente as espécies mais frequentes nas áreas analisadas.

Segundo os autores, os resultados reforçam a necessidade de adoção rigorosa de práticas de manejo fitossanitário, com destaque para o uso de mudas certificadas e livres de nematoides, além do monitoramento constante das áreas de produção. O estudo também indica que programas de melhoramento genético precisam priorizar a resistência às espécies mais comuns no Espírito Santo.

A publicação do trabalho pela revista oficial da American Phytopathological Society (APS), reconhecida internacionalmente como uma das principais referências na área de fitopatologia, confere ampla visibilidade e credibilidade aos resultados obtidos. “Trata-se de um periódico de elevada exigência científica, cujo rigoroso processo de avaliação por pares assegura a qualidade metodológica e a relevância dos estudos publicados, projetando a pesquisa desenvolvida no Espírito Santo para a comunidade científica internacional”, destaca o pesquisador do Incaper, Inorbert Melo, lotado no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Norte (CPDI Norte).

A pimenta-do-reino é uma das culturas agrícolas de maior relevância econômica para o estado, e a presença disseminada de nematoides de galha representa um risco direto à sustentabilidade da produção. O trabalho chama atenção para a importância do planejamento agrícola e da integração entre pesquisa científica e manejo no campo para reduzir perdas e garantir a longevidade dos pimentais capixabas.