Mais lidas 🔥

Previsão do tempo
Molion prevê década de frio até 2035; primeira onda polar deve chegar ao Brasil em maio

Agricultura Capixaba
Cacau em Conceição do Castelo: 3 mil mudas entregues a produtores

Mudança no tempo
Frente fria e ar polar trazem queda de temperatura ao Sul e Sudeste

Preservação ambiental
Conceição da Barra: peixe Mero será oficialmente patrimônio natural local

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 02 de março

O Brasil, um gigante na pecuária, abriga mais de 200 milhões de animais espalhados por cerca de 160 milhões de hectares de pastagens, um cenário que torna o país líder na exportação de carne bovina.
No entanto, o aumento previsto na demanda alimentar devido ao crescimento populacional, coloca pressão para uma estimativa de aumento na produção de alimentos de 56%. Esse crescimento precisará ser sustentável, pois as fronteiras agrícolas já estão bastante limitadas no Brasil, tornando crucial o incremento da produtividade para suprir essa lacuna.
Uma das alternativas cruciais para garantir essa sustentabilidade é o manejo preciso da irrigação. Considerando que cerca de 53% das pastagens estão degradadas no país, a densidade média de animais por hectare nessas áreas pode chegar a 0.5. Em contrapartida, pastagens bem cuidadas e irrigadas podem suportar até 10 unidades animais por hectare.
Para atenuar esse cenário e redirecionar os sistemas de manejo de irrigação de pastagens em nível global, um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), publicado no International Journal of Biometeorology, sugere uma nova abordagem.
“Os métodos de estimativa de necessidade de irrigação, como a evapotranspiração da cultura (ETc), baseiam-se na evapotranspiração de referência (ETo) de uma superfície padrão, ajustada pelo coeficiente de cultura (Kc) que leva em conta o ambiente local, o tipo de solo e as características da cultura”. Entretanto, os autores afirmam que em regiões de alta demanda hídrica, como é o caso do Brasil, os valores de Kc devem ser ajustados de acordo com o aumento da ETo, criando uma relação inversa entre Kc-ETo que pode economizar água e energia significativamente, especialmente no manejo da irrigação para pastagens.
Assim, uma análise aprofundada utilizando lisímetros em diferentes sistemas forrageados foi conduzida para estimar os valores de Kc visando otimizar o manejo da irrigação para o gado no Brasil. A hipótese de ajustes baseados na relação inversa Kc-ETo sugere economias substanciais de água e energia, ressaltando a importância de práticas mais eficientes e sustentáveis na pecuária brasileira.
“Além disso, este estudo destaca a importância de investigações de longo prazo que abranjam diversas condições climáticas, tipos de solo e variedades de forragem. A análise detalhada da biomassa e produtividade agrícola é essencial, com um enfoque na redução potencial da irrigação, mantendo níveis comparáveis de produção de biomassa. Estas pesquisas são cruciais para orientar práticas agrícolas mais sustentáveis e eficientes no uso da água”, conclui o estudo, que tem como autor principal o pesquisador Ivo Z. Gonçalves e como co-autores o pesquisador Arthur C. Sanches e os professores do departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq Fernando Campos Mendonça e Fábio Marin.



