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Geral

ES propõe medidas ao governo federal para conter crise do café

O setor sucroalcooleiro capixaba reivindica os mesmos benefícios concedidos aos estados da Região Nordeste

por Redação Conexão Safra

em 20/11/2013 às 0h00

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O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, se reuniu, em Brasília, com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Antônio Eustáquio Andrade Pereira, para propor medidas que diminuam os prejuízos que os produtores de café do Estado vêm acumulando com a atual crise internacional no setor. O cenário atual atinge, principalmente, a cafeicultura capixaba que comercializa o produto com preço muito abaixo da expectativa e, não cobre o custo da produção, sem garantia de renovação do plantio, comprometendo a lavoura e a qualidade da próxima safra.


Casagrande estava acompanhado por representantes do setor cafeeiro, trabalhadores rurais, setor sucroalcooleiro, parlamentares do bancada capixaba, do secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento Rural, Enio Bérgoli e do presidente do Incaper, Evair de Melo.


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A queda na produção de cana-de-açúcar também foi discutida. O setor sucroalcooleiro capixaba reivindica os mesmos benefícios concedidos aos estados da Região Nordeste onde foi registrada uma queda de produção de 15%. No Espírito Santo a queda na produção de cana-de-açúcar, causada pela seca e outros eventos climáticos, ultrapassa 19%.


Em situação bem mais dramática, a cafeicultura capixaba enfrenta a maior crise da década, comparada apenas à de 2002. Os produtores estão vendendo a saca do café por preços muito baixos, deixando-os com dificuldade para quitar dívidas contraídas para o plantio. Dentre as propostas apresentadas, está a adiamento por 90 dias das parcelas de dívidas de crédito rural e uma repactuação dos valores por um período de sete anos com carência de três anos, como foi feito no ano de 2002. As propostas apresentadas ao ministro foram compiladas após uma série de reuniões e encontros com toda a cadeia produtiva do café capixaba, coordenada pela secretaria de Estado de Agricultura.


O Espírito Santo é o segundo produtor de cafés do Brasil, sendo o primeiro de conilon, com 75% da oferta deste tipo, e a cafeicultura é a principal atividade agrícola e fonte de receita para pelo menos 50 dos 78 municípios capixabas, ocupando cerca de 400 mil pessoas no Estado. Em 2012, o valor bruto da produção, que é uma espécie de faturamento dos produtores foi de R$ 3,3 bilhões e, neste ano, chegará ao máximo de R$ 2,3 bilhões. “Em todos os municípios que percorro no interior do Espírito Santo ouço o trama ocasionado pela crise na comercialização do café. O comércio em municípios menores e médios sente a pressão e também acaba comprometendo as vendas no varejo. São milhares de famílias que vivem da produção e venda do produto no Espírito Santo ”, ponderou o governador Renato Casagrande, após apresentar as reivindicações.


O ministro disse que está acompanhando de perto o mercado internacional do café e os efeitos na cafeicultura nacional. Antônio Eustáquio afirmou que as propostas apresentadas pelo Espírito Santo são muito semelhantes aos de demais estados produtores de café. Sabe da importância histórica dessa cultura para o Estado do Espírito Santo e anotou todos os detalhes mais específicos dos problemas enfrentados pelos produtores do conilon. O ministro já preparou um relatório onde mostra um quadro realista da maior crise da década na cafeicultura brasileira para discutir com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, formas de equalizar os prejuízos. “Temos a necessidade de apresentar ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um diagnóstico do setor e propor medidas estruturantes para mudarmos este cenário. Vamos convencê-lo sobre a importância de uma ação firme do governo federal para tranquilizar milhares de produtores que impulsionam a cafeicultura no Brasil ”, disse o ministro.


Além de solicitar a prorrogação dos prazos para pagamentos dos financiamentos de crédito rural e a ampliação da participação e dos preços mínimos dos cafés capixabas nos programas de aquisições do Governo Federal, o ofício deixado com o ministro pede a redução ou término das sobretaxas que incidem sobre café solúvel brasileiro para vendas na União Europeia e Ásia.


Nos últimos meses, o preço da saca do café arábica despencou de R$ 247 para R$ 158 e o preço da saca do conilon de R$ 230 para R$ 182. “Os preços dos cafés arábica e conilon estão tão baixos que na maioria dos casos não chegam a cobrir os custos de produção. A crise está instalada e há necessidade de organizarmos um conjunto de ações para amenizar os impactos negativos na principal atividade econômica para 80% dos municípios capixabas ”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.


Fonte: Seag

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