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Geral

De circuito à rede de negócios

por Redação Conexão Safra

em 11/10/2013 às 0h00

15 min de leitura


Ao todo são 18 empreendimentos, nos municípios de Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Guaçuí e Ibitirama, na região do Caparaó, sul do Estado do Espírito Santo, entre pousadas, restaurantes, agroindústrias, artesanato e até uma agência de viagens e uma camiseteria. E há três anos, os proprietários destes empreendimentos do turismo rural resolveram criar o Circuito Turístico Caparaó Capixaba, que tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável na região, com geração de renda e empregos, a partir de uma padronização de serviços e qualificação profissional.


Entre estes empreendedores está a presidente do Circuito e proprietária da pousada Villa Januária, Cecília Nakao, que também é uma das sócias da Agência Serra do Caparaó Ecoturismo. Ela explica que a associação de empreendedores de turismo está finalizando sua organização, para se regularizar e trabalhar como uma central de negócios, fazendo compras e vendas em conjunto. A iniciativa está recebendo total apoio do Sebrae-ES e vai provocar a mudança do nome da associação. Cecília explica que estão sendo realizadas diversas capacitações coletivas para que o grupo passe a ter um padrão. “As consultorias estão padronizando os empreendimentos, com a adequação dos espaços, o preço a ser praticado, conhecimento das normas de vigilância sanitária e outras iniciativas ”, afirma.


No entanto, a região ainda sofre com problemas pontuais, que prejudicam o desenvolvimento do setor de turismo. Cecília Nakao destaca que os empreendedores ainda sofrem com deficiências nas comunicações, porque até a telefonia fixa é precária no local, sem contar a falta de sinal de celular e internet, o que atrapalha a prestação de serviços aos turistas e passa a ser um ponto negativo no atendimento aos visitantes, além de atrapalhar na divulgação da própria região. “A nossa esperança é que as autoridades do Estado procurem meios para nos ajudar a resolver esse problema ”, afirma Cecília.


Integração


Mas a união de forças, segundo a presidente do Circuito, é o melhor caminho para a solução dos problemas. E uma novidade, destacada por ela, é o trabalho que está sendo feito de forma integrada com o Estado de Minas Gerais, dentro do programa Sudeste Integra, composto por roteiros turísticos, entre eles um que envolve os municípios do entorno da Serra do Caparaó, tanto do lado capixaba quanto do lado mineiro. Cecília conta que, recentemente, o Circuito recebeu a visita de uma comitiva de Minas Gerais, visando a organização do roteiro compartilhado, que será lançado em todo o território nacional, pela Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abavi), lembrando que o Parque Nacional do Caparaó foi definido como um dos “Parques da Copa do Mundo de 2014 &ndash, que serão divulgados entre os turistas que vão visitar o Brasil daqui a dois anos, durante a competição de futebol.


E existe um ponto que torna mais urgente a intensificação das capacitações de profissionais e empreendedores, da região do lado capixaba, além da melhoria da infraestrutura das localidades, como o tratamento de água e esgoto, assim como a solução dos problemas com comunicações: a finalização do asfalto da Estrada Parque do Caparaó. A rodovia &ndash, que já recebeu asfalto e está em fase de conclusão &ndash, liga o distrito de Santa Marta, em Ibitirama, a Mundo Novo, em Dores do Rio Preto, passando por Patrimônio da Penha, em Divino de São Lourenço. Com certeza, a conclusão da estrada vai aumentar o fluxo de turistas &ndash, o que já está acontecendo &ndash, e a região precisa estar preparada para receber os visitantes.


“O turista sempre olha a qualidade de serviço e a infraestrutura, mas também a qualidade de vida da população que vive na região ”, destaca Cecília Nakao.


Empreendedores acreditam no potencial da região e querem ampliar negócios


Há oito anos na região, a empreendedora e produtora rural Cecília Nakao, que também é presidente do Circuito do Caparaó Capixaba, montou a Villa Januária Pousada e Cafeteria, além de ser sócia da Agência de Viagens Serra do Caparaó Turismo. Segundo a empresária, os empreendimentos estão devidamente regularizados e organizados, em Pedra Menina, município de Dores do Rio Preto. Sempre destacando o apoio do Sebra-ES, Cecília aponta, como uma das mais urgentes necessidades da região, as comunicações e a vinda de maior quantidade de capacitações profissionais. Segundo ela, o futuro do circuito é a formação de uma cooperativa, para buscar ações que tragam maior geração de renda. “O objetivo é nos transformarmos numa rede, que siga para outras áreas e resulte na ampliação dos próprios empreendimentos ”, afirma. Desta forma, Cecília destaca que o Circuito do Caparaó deve mudar de nome, já que está sendo feita uma formalização jurídica e será preciso dar uma ideia maior de que o grupo está trabalhando em rede.


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Míriam Ayres é sócia de Cecília Nakao na agência de viagens e proprietária da Camiseta Simples Camiseteria, em Pedra Menina, junto com seu marido Frederico Ayres &ndash, Fred. Ela explica que a agência trabalha com roteiros na região do Caparaó, dentro do programa Aventura Segura, em parceria com a Secretaria do Estado de Turismo (Setur) e a Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura (Abeta), estando em fase de certificação para conseguir o selo do Inmetro. “E estamos trabalhando um projeto com a Setur, para a qualificação de condutores de turismo ”, explica.


Em Guaçuí, também existe um empreendimento que faz parte do Circuito Caparaó Capixaba há dois anos. A Pousada Vovô Zinho está no mercado há 12 anos e seu proprietário, Luiz Antônio de Paula, conta que fez questão de entrar na rede, porque passou a ganhar mais conhecimento, convivendo com outros empreendedores, que vencem dificuldades maiores que as dele, já que tem a vantagem, entre outras, de não sofrer com problemas de comunicação, por estar localizado na sede do município de Guaçuí. “Isso aumentou minha motivação para novos investimentos, tanto que estou ampliando a pousada, sem que ela perca sua característica bucólica, que tanto agrada aos clientes ”, enfatiza. Luiz Antônio. Ele explica que atende o turismo de negócios e chegou a ser desestimulado, quando pensou em montar a pousada. “Me disseram para montar em Guarapari, mas só saberia fazer isso em Guaçuí, e deu certo, a pousada é uma realidade ”, destaca.


Interação


Outro empreendimento existente na região do Caparaó é a Pousada Beija Flor, da família Rodrigues, localizada em Patrimônio da Penha, Divino de São Lourenço. A pousada é administrada por sua proprietária Valéria Rodrigues e por sua filha Relva Rodrigues de Carvalho. O negócio funciona há mais de 10 anos e Valéria afirma que entrar para o Circuito tem sido muito importante, inclusive, pela oportunidade de participar de muitos cursos e capacitações, que tem ajudado no melhor atendimento aos turistas. “E estamos utilizando um questionário, para sabermos o grau de satisfação de nossos clientes ”, conta Valéria que ressalta o aumento do fluxo de turistas, com a maior divulgação da região e a chegada do asfalto da Estrada Parque.


Já Relva Rodrigues destaca outro empreendimento, existente também em Patrimônio da Penha, o Espaço de Vivência Jardim do Beija Flor, na comunidade Portal do Céu, que funciona há três anos. No local, o visitante encontra um espaço para eventos holísticos, ioga, danças circulares, alimentação vegetariana e sauna na beira da cachoeira. “Entrar na rede nos deu a chance de interagir com outros empreendedores, na busca de capacitações e profissionalização, além de ter aumentado o fluxo de turistas em 20% ”, destaca.


Outra empreendedora que faz parte do Circuito do Caparaó Capixaba é a diretora executiva do Consórcio Caparaó Capixaba &ndash, que reúne 11 municípios da região, Dalva Ringuier. Ela é proprietária da Pousada &Aacute,guas do Caparaó, há três anos, em Mundo Novo, Dores do Rio Preto, e destaca que o desenvolvimento do turismo na região vai chegar junto com mais infraestrutura, o que já tem melhorado muito &ndash, como a conclusão do asfalto, mas é preciso mais investimentos, segundo ela. “A união dos empreendedores é fundamental para a chegada de benefícios ”, afirma. E Dalva destaca que o aumento do fluxo de turistas vem aumentando.


“Quando as pessoas começaram saber que não tem mais barro, passei a ter hóspedes o ano inteiro ”, conta.


Capacitações têm chegado com a consultoria do sebrae


A presidente do Circuito Turístico Caparaó Capixaba, Cecília Nakao, destaca que o sucesso dos empreendimentos da região e a transformação da associação em uma rede de negócios tem muita a ver com as capacitações realizadas pelo Sebrae-ES. Segundo ela, a consultora da instituição, Kelly Machado Premoli Brezinski, tem conseguido captar as demandas e vontades do grupo, transformando tudo em ações.


Cecília explica que os componentes da rede de empreendedores não são administradores profissionais e têm carências. Diante disso, a consultora do Sebrae tem identificado as prioridades, junto com o grupo, trazendo diversas capacitações, além de trabalhar na organização e divulgação dos empreendimentos e da região, com a criação de folders e sua distribuição para o público alvo, com a parceria da Secretaria do Estado de Turismo (Setur).


A presidente do Circuito conta que, no ano passado, o grupo participou de um curso sobre cooperação que buscou criar uma cumplicidade entre os empreendedores, voltando o trabalho para o associativismo. “Desta forma, foi criada uma nova demanda, onde passamos a pensar num novo produto, que é a rede de negócios, para empreendimentos em turismo ”, explica. Segundo ela, a ideia é fazer vendas e compras em conjunto, além de montar uma central de atendimento aos clientes.


Os planos do grupo também passam por um levantamento entre os clientes dos empreendimentos, por meio de um questionário, consultorias individuais, para ampliação, adequação e ambientação dos negócios, e viagens técnicas. “Inclusive, vamos participar do Abeta Summeti, em Socorro (SP), que é um grande encontro internacional, onde pretendemos buscar ideias sobre o setor do turismo de aventura ”, conta Cecilia. O grupo, inclusive, faz parte do projeto Aventura Segura, com apoio da Setur e da Associação Brasileira do Turismo de Aventura (Abeta). Cecília Nakao é coordenadora Comercial e de Promoção da Comissão Regional da Abeta.


Três empreendedoras, menos de R$ 20,00 no bolso e um restaurante


Dá para começar um empreendimento com menos de R$ 20,00 no bolso? As amigas e sócias Valquíria Lemos da Silva, Silvia Aparecida de Souza Vieira e Nilma Rodrigues dos Santos provam que é possível. Foi desta maneira, como elas mesmas contam &ndash, com cada uma delas tendo menos de R$ 20,00 no bolso, que surgiu o Restaurante Sabor e Prosa, em Patrimônio da Penha, Divino de São Lourenço, que hoje faz parte do Circuito Turístico Caparaó Capixaba.


O empreendimento existe há três anos e há dois meses passou por uma reforma que lhe proporcionou as instalações existentes hoje em dia, com varanda coberta com telhas coloniais, porta de vidro e instalações novas na parte interna, assim como na cozinha. E elas contam que a reforma já vinha sendo planejada, mesmo antes da chegada do asfalto da Estrada Parque do Caparaó, porque o movimento vinha aumentando e vai aumentar ainda mais com a pavimentação da estrada. “Na média da semana, servimos cerca de 20 refeições por dia, mas o pico acontece nos fi nais de semana e nos feriados, quando o movimento aumenta muito mais do que isso ”, afi rma Valquíria.


As empreendedoras contam que, hoje, atendem viajantes que passam pela localidade, mochileiros que estão visitando a Serra do Caparaó e hóspedes das pousadas. Mas as coisas nem sempre foram como atualmente. Quando resolveram começar o restaurante, contam que realmente não tinham nem R$ 20,00 cada uma, dentro do bolso. “Na primeira semana, trouxemos o que tínhamos em casa, desde alimentos até panelas, pratos, talheres, o que era necessário ”, conta Valquíria. “E já no primeiro dia, recebemos um grupo de estudantes de uma escola de Divino, fi camos quase loucas, mas foi a partir daí que o negócio nunca mais parou e só vem aumentando ”, coloca.


Valquíria também conta que, nos primeiros dias, não tinham crédito nem para uma compra simples de R$ 50,00 e, agora, a despesa só com o mercado fi ca em torno de R$ 3 mil por mês. “No primeiro ano, trabalhamos só para manter o negócio, depois começamos a investir e, agora, é que estamos mais equilibradas e tendo algum retorno ”, afi rma Valquíria.


Elas contam que fazem parte do Circuito desde que começaram e o saldo tem sido positivo, porque têm participado de várias capacitações e cursos. “Aliás, a gente vinha participando de cursos antes mesmo de montar o restaurante, por meio do Sebrae, Senar, Senai e outros ”, enfatizam as empreendedoras. E quando falam do futuro, afi rmam: “Temos muitos projetos e só pensamos em crescer e receber cada vez mais clientes ”.


Camisetas do caparaó para o mundo


A Camiseta Simples Camiseteria está localizada em Pedra Menina, Dores do Rio Preto, tendo como proprietários Míriam e Frederico Ayres &ndash, Fred. A empresa trabalha na confecção de camisetas que abordam temas ecológicos e está recebendo uma consultoria do Sebrae, para criar a econografia da região (figuras que se tornem símbolos). As camisetas são vendidas por meio da internet, pelo site www.camisetasimples.com.br.


Fred conta que o casal morava em Carangola (MG), onde tiveram a ideia de fazer camisetas para eles mesmos usarem e venderem pelas redes sociais, além de darem de presentes para amigos. Com o decorrer do projeto, surgiu a ideia de produzir as camisetas por intermédio de uma empresa terceirizada, com Fred produzindo apenas as estampas e os dois decidindo quais as cores das malhas.


Um ano depois, Míriam e Fred resolveram voltar para Pedra Menina, onde mora a família dela. Como Fred é farmacêutico, o casal resolveu montar uma farmácia na localidade e construir uma casa, na propriedade dos pais de Míriam. Ela é turismóloga e percebeu que não havia produtos com temas ecológicos sendo comercializados na região, o que os levou a produzir camisetas para propagar a sustentabilidade. “Lançamos, então, a Simples Plantar, uma marca capixaba que produz camisetas que trazem temas ecológicos e chegam ao cliente com etiqueta de papel recriado &ndash, produzido na região, saquinho com sementes, botons e adesivos ”, explica Fred.



Dos temas ecológicos, os empreendedores perceberam a necessidade em produzir camisetas com temas da região, principalmente da Serra do Caparaó, o que rendeu, inclusive, com a criação da ecobag. “Em consequência, surgiu a consultoria do Sebrae, para criarmos a econografia da região, no que estamos trabalhando agora ”, contra Fred.


Curso termina com expedição dentro do parna caparaó


Depois de cinco dias, sendo dois fora do Parque Nacional do Caparaó e outros três dentro da unidade de conservação, foi realizado no início de novembro o Curso de Condutores de Turismo de Aventura. O curso foi ministrado por uma empresa especializada no setor, com a organização do Circuito Turístico Caparaó Capixaba e realização da Secretaria do Estado de Cultura (Secult), e reuniu 29 participantes que receberam aulas teóricas e práticas sobre as competências mínimas de condutores de turismo de aventura, conforme o estipulado pela Norma ABNT NDR 15.285.


Conforme explicam os instrutores Helder Madeira e Marcela Bueno, os alunos receberam noções sobre comunicação, liderança e direção de equipes de trabalho para expedições. Durante o curso, os participantes receberam tarefas a serem cumpridas e são eles os responsáveis por fazerem acontecer as atividades até culminar em toda preparação para uma expedição que começou na manhã de sexta-feira e termina hoje, dentro do Parque Nacional do Caparaó, com acampamentos na Casa Queimada &ndash, na primeira noite &ndash, e na Macieira, na segunda noite. “São eles os responsáveis pelas compras, sobre o que comer, equipamentos, limpeza e outras atividades necessárias, apenas com nossa supervisão, sem nos intrometermos ”, explicam. Entre as muitas aulas, os alunos também aprenderam sobre cartografia e leitura de bússola.


Opiniões


Adriene Borges do Amaral, 17 anos, mora em São José de Pedra Menina (MG), e disse que está gostando muito do curso que, segundo ela, é uma forma de associar um serviço com o que gosta de fazer. “&Eacute, uma oportunidade de aprender uma profi ssão, dentro de uma atividade de futuro ”, afi rma.


Já Frank da Silva Chagas, 20 anos, morador de Pedra Menina, em Dores do Rio Preto, conta que resolveu fazer o curso porque se interessa por tudo que envolve natureza. Ele afi rma que pretende trabalhar na área e quer fazer mais cursos. “Está sendo uma grande experiência ”, completa.


E José Guilherme de Andrade Caldas, 43 anos, é morador de Patrimônio da Penha, em Divino de São Lourenço, e já trabalha no setor de turismo, como guia turístico, mas informalmente, depois de ter feito um curso, por meio do Senac. “Meu objetivo é trabalhar nessa área, porque já faço parte de uma equipe ”, afi rma, também enfatizando que gostou muito do curso realizado.

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