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Climatologista Luiz Carlos Molion faz previsão de chuvas e explica causas das mudanças climáticas em Guaxupé-MG

Em palestra que ministrou...

por Redação Conexão Safra

em 13/08/2015 às 0h00

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Em palestra que ministrou
aos produtores da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), o climatologista Luiz Carlos Baldicero Molion fez uma previsão de chuvas para os próximos anos, e mais uma vez refutou a hipótese de as mudanças climáticas
e o aquecimento global serem frutos da ação agrícola e industrial.

Utilizando-se de dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Molion afirma que em 2014 choveu cerca de 70% da média prevista de 1400mm, com períodos de umidade mais baixa em setembro, outubro e novembro e melhoras em dezembro na região de Guaxupé. Em 2015, cerca de 45% da chuva estimada para o ano cai entre os meses de janeiro, fevereiro e março, período bastante determinante para o sucesso das safras. De maio a junho, a média cai cerca de 88% dos 1400mm, e de agosto a setembro esse nível provavelmente pode se manter. De outubro de 2013 a setembro de 2014 a chuva alcançou 70% da média enquanto o período que vai de outubro de 2014 a setembro de 2015 pode alcançar 85% da média. A chuva vai atingir em maior parte os estados localizados no sudeste (exceto o estado de São Paulo) e nordeste do Brasil. A parte que vai de São Paulo e se estende por todo o sul do país apresentará uma forte redução de chuvas.



A causa da seca

Molion defende que a atribuição da seca a ação humana no meio ambiente, especialmente ao atual desmatamento na Amazônia é um mito. A árvore não estoca água, e 99% de líquido que uma planta usa serve como transporte de nutrientes e como estabilizador de temperatura.

A água que está no solo, vem da chuva, e é reciclada pela árvore. “Coisa de “ambientalista extremista ”, afirma. Em mais uma prova de desmistifica a interferência na Amazônia o climatologista discorre sobre a linha do tempo da metade do século XX até agora, onde foram registrados volumes baixíssimos de chuvas nas décadas de 50 e 60. Segundo Molion, as tendências se repetem de décadas em décadas. Em São Paulo, há registros de seca no final do século XIX e no início do século XX, nos anos 30. Por esse motivo, é possível afirmar que não é o homem com suas atividades agrícolas e industriais o responsável pelas grandes mudanças climáticas no planeta, até mesmo pelo fato de a porção de terra, onde habitamos, representa apenas 29% da massa no planeta, enquanto os oceanos representam 71%. Segundo dados, as baixas de chuva coincidem com o período em que o oceano Pacífico esfria. De acordo com os pluviômetros, que são localizados, há um ciclo de chuvas que dura de 50 a 60 anos. A cada 25/30 anos chove bem, e nos próximos 25/30 anos chove pouco. Algumas regiões do país estão passando por um período semelhante ao que houve entre os anos de 1948 e 1976, com menos dias de chuva no ano, e dias mais frios. Entre os anos de 2015 a 2020, as chuvas estarão abaixo da média de longo prazo, ou seja, a média dos últimos 60 anos.

O que determina as variações climáticas da Terra é justamente a variação cíclica dos oceanos, que representando a maior parte da massa do planeta, absorvem bastante luz solar e controlam. A atmosfera é aquecida por baixo, e quando a temperatura dos oceanos esfria, ocorre o mesmo com a atmosfera. Com isso, evapora menos água, o que faz chover menos. O processo contrário, o aquecimento dos oceanos, e consecutivamente da atmosfera, provoca mais chuvas. O Pacífico ocupa 33% da massa na Terra, o que faz com que ele exerça grande influência climática nos continentes ligados a ele. Quando ele aquece, surge o El Ni&ntilde,o, que traz muitas chuvas para o sul e o sudeste, ou La Ni&ntilde,a, que é o processo oposto. Quando o oceano está neutro, não se tem previsão do que pode acontecer. O Pacífico está neutro desde 2012.

Para analisar as variações climáticas, cerca de 70 boias estão espalhadas pelos mares no mundo todo, e medem as temperaturas das águas em até 1000m de profundidade. Além disso, avançados softwares e computador também são aliados nas medições climáticas.

Ainda de acordo com Molion, o período de chuvas, um pouco abaixo da média, será vantajoso para o café, que não necessita de muita umidade para resultar numa bom plantio. Porém, é necessário tomar cuidado com os dias mais secos e frios que estão por vir no meio deste ano.

O Dr. Luiz Carlos Molion é palestrante da IV Semana Tecnológica do Agronegócio, realizada pela Coopeavi, entre os dias 12 a 15 de agosto de 2015, no Parque de Exposições de Santa Teresa (ES).

Fonte: Notícias Agrícolas

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