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Quando o sotaque da roça sobe ao palco, e vence!
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foto: Leone Iglesias
Estufas que produzem alface, colhem e embalam a verdura sem usar mão-de-obra humana. Currais onde vacas recebem alimentação automatizada e na medida certa conforme a quantidade de leite produzida por animal. O mundo passa por um processo de digitalização e alguns avanços já chegaram ao campo. A boa notícia é a existência de tecnologias acessíveis aos pequenos produtores para aumentar a produtividade e garantir qualidade de vida na roça.
A informatização é o único caminho para o campo continuar produzindo alimentos no Espírito Santo e no mundo. Especialistas afirmam que, enquanto todos os setores investiram em tecnologia, o agro ainda é o mais atrasado da economia nacional. Apesar disso, no último ano a produção agrícola e pecuária liderou a balança de exportações no Brasil.
E graças à internet, a roça está mais conectada. Pesquisa comandada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) para avaliar os hábitos do produtor rural revelou que 42% dos trabalhadores utilizam a Internet no dia a dia seja para se comunicar ou se manter atualizado sobre previsões do clima, preço de insumo e notícias locais.
Veículos de comunicação tradicionais, como a televisão e o rádio, deram espaço para a web com fortalecimento das redes sociais digitais e aplicativos de troca de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, que são utilizados como ferramenta de trabalho e pesquisa no campo. Além disso, aplicativos para celulares com serviços de aluguel de máquinas agrícolas ou de mapa de umidade, temperatura e produtividade, por exemplo, democratizam o acesso às tecnologias.
O secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, é o principal defensor do novo movimento pela modernização do agro capixaba. Para ele, o investimento em tecnologia vai permitir a inclusão no interior. “É um processo mais barato. Infelizmente, o Brasil não está na vanguarda da tecnologia digital no campo. Nossas empresas de pesquisa não produziram nada disso. Se a digitalização não acontecer logo, ficaremos fora do eixo da produção mundial de alimentos ”, avalia Octaciano.
O governador do Estado, Paulo Hartung, é outro entusiasta da digitalização no campo. Para ele, a introdução de novas tecnologias deve estar associada à sustentabilidade.
“Precisamos levar o mundo digital para dentro das porteiras, para a vida rural. Trata-se de um outro olhar sobre um setor que sempre foi importante socialmente e economicamente para o Espírito Santo. É preciso um olhar de sustentabilidade, que cruza com a nossa postura de trazer novas tecnologias para a agricultura. Construir barragens, mas estimular produtores de água, com cuidados com nascentes e cobertura florestal ”,
define.
Ambiente esperado
foto: divulgação
Um dos sócios-fundadores do site Startagro (SP), Clayton Mello, que esteve recentemente no Espírito Santo, analisa a realidade do Estado. “Aqui tem tradição e relevância no mercado agrícola por conta dos cafés, mas falta a criação de um ecossistema de startups. Isso só acontece com a presença de investidores privados, que apostem nesse processo ”, diz Mello.
De acordo com o especialista, o ambiente de inovação atualmente em desenvolvimento no Brasil não tem o Espírito Santo no seu “radar ”. “Falta uma discussão mais aprofundada de todos os ‘players’: poderes público e privado criando fóruns de discussão para aproximar esses investidores ”, analisa.
O surgimento de mais empresas emergentes, de base tecnológica e de espírito empreendedor, na busca de um modelo de negócio inovador (uma definição resumida das “startups ”), tem no ambiente acadêmico um terreno fértil. Para os especialistas, é grande a possibilidade de projetos de universitários virarem negócio, se houver fomento de investidores nas pesquisas das instituições de ensino.
“A aproximação entre universidades, poderes público e privado e empreendedores só vai ocorrer com a realização de mais eventos e debates para estimular o empreendedorismo. Hoje, só quem financia as startups é o poder público ”, afirma Clayton Mello (Startagro).
E num contexto onde os modelos de negócios no meio rural são tão tradicionais, romper paradigmas é uma tarefa cotidiana, especialmente quando as ideias fervilham entre jovens filhos de produtores rurais, recém-saídos das universidades. “Há muita resistência inicial. O pai dedica apenas dez por cento dos negócios para a ‘maluquice’ dos filhos. Quando veem que aquela parcela se tornou mais rentável, acabam mudando de ideia ”, diz o secretário Octaciano Neto.
*A segunda parte da reportagem especial será publicada nesta sexta-feira (02).
por Leandro Fidelis





