Melhoria da produtividade

Novas pesquisas definem doses ideais de adubação da banana no ES

Estudos do Ifes atualizam recomendações de adubação para bananas Prata e Terra Maranhão, ampliando produtividade e sustentabilidade

Foto: arquivo pessoal

Apesar da importância da bananicultura para o Espírito Santo, a última atualização das tabelas de recomendação de adubação e calagem da bananeira ocorreu em 2007. O manual diferencia apenas as doses de nutrientes para cultivos irrigados e não irrigados. Não há, portanto, distinção entre os diferentes subgrupos de bananeira, ainda que apresentem comportamentos distintos no campo em termos de altura, produtividade, ciclos produtivos, entre outros fatores.

Essa realidade, porém, está prestes a mudar. Duas pesquisas iniciadas em 2023, como parte do Programa de Fortalecimento da Agricultura Capixaba (FortAC), podem ajudar os produtores capixabas de banana Prata (Prata-Anã) e Terra Maranhão (Plátano).

O pesquisador Otacílio José Passos Rangel, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) – Campus Alegre, coordena os estudos voltados à atualização das recomendações de adubação para a cultura da banana Prata. Entre os objetivos do estudo está a melhoria da produtividade da fruta. Segundo Otacílio, em algumas regiões produtoras observa-se baixa produtividade, e a defasagem nas recomendações de adubação pode ser um dos fatores que explicam esse resultado.

“Os programas de adubação para as bananeiras Prata no Espírito Santo baseiam-se em recomendações desatualizadas, o que tem levado os produtores a buscarem novas doses e formulações sem embasamento técnico-científico. Isso tem provocado sintomas de desbalanço nutricional e, consequentemente, queda na produtividade e na qualidade dos frutos”, destaca o pesquisador.

Ele acrescenta que o objetivo é avaliar, na prática, o desenvolvimento vegetativo e produtivo da banana Prata em resposta a diferentes doses de fósforo, nitrogênio e potássio.

A segunda pesquisa, intitulada “Produtividade e qualidade da banana ‘Terra Maranhão’ decorrentes da adubação com diferentes combinações de NPK”, já foi concluída e avaliou as melhores doses desses nutrientes para aumentar a produtividade da variedade. Coordenado pelo pesquisador Gustavo Soares de Souza, o estudo foi desenvolvido no Ifes – Campus Itapina, em Colatina.

Gustavo explica que, por se tratar de uma variedade recente — diferente das bananas Prata e Nanica, que já contam com estudos consolidados sobre adubação —, ainda não existia uma recomendação adequada para a Terra Maranhão.

“A estrutura da planta dessa variedade é muito maior, e a produtividade, mais elevada que as das bananas Prata e Nanica. Por isso, a Terra Maranhão tem uma demanda nutricional muito maior. Como não há recomendações específicas, o produtor utiliza adubações destinadas a outras variedades, o que limita o potencial produtivo”, ressalta o pesquisador.

Com o intuito de definir as melhores doses de potássio, nitrogênio e fósforo — macronutrientes essenciais ao atendimento das demandas nutricionais da planta e ao alcance de maior eficiência produtiva —, foram realizados diversos testes com diferentes dosagens. Por meio de modelagem matemática, foi possível estimar as doses ideais para alcançar maiores produtividades.

Resultados

Gustavo afirma que os resultados alcançados para a variedade Terra Maranhão são promissores: “Obtivemos uma produtividade média de 60 toneladas por hectare, chegando a 70 em alguns experimentos. Nos municípios capixabas, a produtividade costuma variar de 15 a 30 toneladas por hectare. Ou seja, conseguimos o dobro da média estadual”, explica.

O pesquisador acrescenta que essa alta produção se deve tanto ao potencial produtivo da variedade quanto à otimização das doses de nutrientes, o que permite associar ganhos de produtividade ao uso eficiente dos fertilizantes testados.

“Isso é muito positivo para o produtor. Ele passa a saber quanto deve investir e qual retorno pode esperar, garantindo maior assertividade nos investimentos e na rentabilidade”, completa.

No caso da banana Prata, a pesquisa ainda está em andamento, mas já apresenta resultados preliminares. A aplicação de diferentes doses de fertilizantes demonstrou influência significativa na produtividade da bananeira.

“A maior produtividade, de 14,4 t/ha, foi alcançada com a aplicação de 300 kg/ha/ano de nitrogênio, 80 kg/ha/ano de fósforo e 425 kg/ha/ano de potássio. Essa produtividade estimada é 73% superior à média estadual para a banana Prata, que é de 8,3 t/ha”, pontua Otacílio.

O principal resultado esperado é o aumento da eficiência no uso de fertilizantes à base de nitrogênio, fósforo e potássio, considerando as condições de solo e clima da Microrregião Litoral Sul do estado.

Para Otacílio, definir as doses ideais de fertilizantes e atualizar os manuais de recomendação de calagem e adubação é uma necessidade urgente para a bananicultura capixaba.

“O cultivo da banana Prata tem grande destaque econômico e social no meio rural capixaba. No entanto, para atingir níveis satisfatórios de produtividade, são necessárias doses elevadas de fertilizantes, o que requer altos investimentos e aumenta a insegurança quanto ao retorno financeiro. Determinar as doses corretas permite o desenvolvimento de uma agricultura mais moderna, competitiva e sustentável, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e o fortalecimento do meio rural”, enfatiza.

Transferência de conhecimento

Mesmo com a pesquisa sobre a banana Prata ainda em andamento, os resultados já obtidos vêm sendo repassados aos produtores por meio de visitas técnicas às propriedades, dias de campo e palestras.

A pesquisa com a banana Terra Maranhão, já concluída, encontra-se na fase de elaboração das recomendações de uso para os produtores.
“A ideia é ir além das instituições e chegar aos produtores, compartilhando as informações para apoiar tanto os agricultores quanto os técnicos responsáveis pelo manejo das lavouras”, explica Gustavo.

A pesquisa com a banana Prata contou com o apoio do Incaper e a participação de estudantes do curso de Agronomia e do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia (mestrado e doutorado profissionais) do Ifes – Campus Alegre.

Já o estudo com a banana Terra Maranhão foi realizado em parceria com o Incaper e uma propriedade rural privada de Marilândia, contando com a participação de alunos de iniciação científica do Ifes – Campus Itapina.

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos